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Covid-19 e tireoide? Estudo mostra investiga entre doença e alterações na glândula

Endocrine (2021)

Médico consultando estudo científico

Ainda há muitos fatores desconhecidos quando falamos no novo coronavírus (SARS-CoV-2), inclusive quais os impactos após a infecção por esse agente. Por mais que o sistema respiratório seja o alvo principal do vírus, há muitos relatos de acometimentos extrapulmonares. Muitos deles mostram alterações dos hormônios da tireoide semelhantes a uma tireoidite subaguda, o que sugere que a glândula pode ser um alvo frequente de infecção por SARS-CoV-2. Por isso, selecionamos hoje um estudo publicado no dia 28 de maio, mostrando como essas manifestações evoluíram em pacientes após uma média de 90 dias após a alta hospitalar.

Resumo

Objetivo: Avaliar a evolução pós-Covid-19 da função tireoidiana em pacientes com síndrome respiratória aguda grave relacionada a tireotoxicose causada pelo SARS-CoV-2.

Métodos: Este foi um estudo prospectivo, realizado em um serviço de referência, envolvendo 29 pacientes (11 mulheres, 18 homens; idade mediana de 64 anos, intervalo: 43-85) com tireotoxicose diagnosticada após hospitalização por Covid-19 e então foram acompanhados por um período médio de 90 dias (variação: 30-120) após a alta hospitalar. No acompanhamento, os pacientes foram avaliados com exames laboratoriais para tireotropina sérica (TSH), tiroxina livre (FT4), triiodiotironina livre (FT3), anticorpos do receptor de TSH (TRAb), anticorpos tireoglobulina (TgAb) e anticorpos tireoperoxidase (TPOAb) e com avaliação ultrassonográfica da glândula tireoide.

Resultados: Após a recuperação de Covid-19, os valores de TSH sérico aumentaram significativamente (P <0,001) e os valores de FT4 diminuíram consideravelmente (P = 0,001), sem alteração relevante no FT3 sérico (P = 0,572). No acompanhamento, 28 indivíduos (96,6%) tornaram-se eutireoidianos, enquanto o hipotireoidismo se desenvolveu em um caso. Na avaliação ecográfica da glândula tireoide, foi encontrada hipoecogenicidade em 10 pacientes (34,5%) e nesses casos os valores de TSH sérico tenderam a ser maiores do que aqueles sem hipoecogenidade tireoidiana (P = 0,066). Todos os indivíduos resultaram negativos para TgAb, TPOAb e TRAb.

Conclusão: Em um acompanhamento de curto prazo, a disfunção tireoidiana autolimitada na maioria dos indivíduos com tireotoxicose relacionada à SARS-CoV-2. No entanto, a hipoecogenicidade tireoidiana foi encontrada em um número notável deles e futuros estudos de longo prazo são necessários para esclarecer se essa alteração ultrassonográfica pode predispor ao desenvolvimento de disfunção tireoidiana de início tardio.

Confira a íntegra do estudo:

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