O que é a RCP e como calculá-la?
A RCP é a razão entre o IP da ACM e o IP da AU:
RCP = IP ACM / IP AU
Depois do 2º trimestre a resistência cerebral é maior que a placentária, e de 24 a 41 semanas o p5 de Ciobanu fica acima de 1. Em 20 semanas, porém, o p10 é 0,94, então uma RCP abaixo de 1 nessa IG aparece em mais de 10% dos fetos normais. Quando o feto sofre hipóxia, a placenta aumenta sua resistência (eleva IP AU) e o cérebro diminui a sua (vasodilatação cerebral, queda do IP ACM) — a razão cai.
A RCP é mais sensível que AU ou ACM isolados porque integra as duas alterações em um só número. Na RCF de início tardio (>32 sem), a RCP frequentemente cai antes do IP AU se alterar — por isso é o parâmetro Doppler de escolha nesse cenário.
Quais são os pontos de corte da RCP?
| Achado | Significado | Conduta |
|---|---|---|
| RCP no p5 da IG ou acima | Distribuição hemodinâmica normal | Manter conduta padrão |
| RCP abaixo do p5 da IG | Redistribuição hemodinâmica | Confirmar em 24 horas, Doppler e CTG seriados, reavaliar o crescimento |
O p5 muda com a IG. Pela curva de Ciobanu 2019 ele é 0,85 em 20 semanas, 1,43 em 32, 1,37 em 36 e 1,12 em 40. A calculadora não usa corte por valor absoluto, porque a ISUOG 2020 define a redistribuição só pelo percentil.
RCP abaixo do p5 da IG é o marcador mais sensível de redistribuição hemodinâmica fetal, e o p5 muda com a IG (1,43 em 32 semanas e 1,12 em 40, Ciobanu 2019).
Na RCF tardia, a RCP pode estar alterada com IP da AU normal — não substituir Doppler completo.
Quando indicar parto por RCP isolada?
Não há ensaio de intervenção que guie o parto pela RCP. Mesmo assim a ISUOG 2020 recomenda, na RCF tardia com redistribuição do fluxo cerebral, considerar o parto por volta de 38+0 e não depois de 38+6.
- RCF tardia com RCP abaixo do p5. Parto por volta de 38+0, não depois de 38+6, com indução se não houver contraindicação.
- RCF tardia com IP AU acima do p95. Parto entre 36+0 e 37+6.
- Qualquer IG. Parto se houver desacelerações repetidas, perfil biofísico de 4 ou menos, diástole ausente ou reversa na AU ou STV baixa na CTG computadorizada.
- Antes de 32 semanas. A ACM orienta a vigilância, mas não o momento do parto, que segue a AU, o DV e a STV.
Antes de agir, confirme a medida alterada em até 24 horas. A decisão é sempre individualizada e considera IG, curva de crescimento, AU, DV, CTG e condições maternas.
Perguntas Frequentes
Por que a RCP é mais sensível que IP AU ou IP ACM isolados?
Porque integra duas informações: o aumento da resistência placentária (IP AU elevado) e a vasodilatação cerebral compensatória (IP ACM diminuído). Pode estar alterada antes que cada índice isolado cruze seu próprio percentil 5/95 — especialmente na RCF tardia, em que a placenta tem disfunção mais sutil.
RCP <p5 indica parto imediato?
Não. Na RCF tardia com redistribuição a ISUOG 2020 recomenda considerar o parto por volta de 38+0 e não depois de 38+6. Antes disso, manter Doppler e CTG seriados e indicar o parto pelos outros critérios (diástole ausente ou reversa na AU, STV baixa, perfil biofísico alterado, IP AU acima do p95 entre 36+0 e 37+6). Confirme a RCP alterada em até 24 horas.
Qual o papel da RCP na RCF de início tardio?
Na RCF tardia (a partir de 32 semanas) a disfunção placentária é mais leve e o IP AU pode estar normal. A RCP abaixo do p5 muitas vezes é o único achado Doppler alterado, entra nos critérios de RCF tardia do consenso Delphi adotado pela ISUOG 2020 e leva a considerar o parto por volta de 38+0, junto com a curva de crescimento e o IP ACM.
Referências científicas
- . Fetal Medicine Foundation reference ranges for umbilical artery and middle cerebral artery pulsatility index and cerebroplacental ratio. Ultrasound Obstet Gynecol; 2019; 53:465-472. doi:10.1002/uog.20157
- . ISUOG Practice Guidelines: diagnosis and management of small-for-gestational-age fetus and fetal growth restriction. Ultrasound Obstet Gynecol; 2020; 56:298-312. doi:10.1002/uog.22134
- . Integrated fetal testing in growth restriction: combining multivessel Doppler and biophysical parameters. Ultrasound Obstet Gynecol; 2003; 21:1-8. doi:10.1002/uog.21
