Por que auditar as medições de IP da artéria uterina?
O UTPI é um dos marcadores biofísicos mais importantes do rastreamento de PE e RCF. Valores de UTPI elevados refletem resistência vascular uteroplacentária aumentada, associada a placentação deficiente. Erros na técnica de insonação podem:
- Superestimar o IP — insonação do ramo cervical em vez da artéria uterina principal resulta em IP mais alto.
- Subestimar o IP — ângulo de insonação inadequado ou sample volume muito largo pode subestimar velocidades de pico.
- Aumentar a variabilidade — falta de padronização entre operadores gera dispersão excessiva nos MoM.
A auditoria periódica detecta esses problemas antes que afetem o risco calculado das pacientes.
O UTPI deve ser a média dos IPs das artérias uterinas direita e esquerda — medição unilateral não é aceita pelo modelo FMF.
Insonação do ramo cervical em vez da artéria uterina principal é o erro técnico mais comum e superestima o IP.
Que planilha a auditoria aceita?
Arquivo .xlsx ou .csv, com a primeira linha de cabeçalho. O arquivo é lido dentro do seu navegador, nenhum dado sai da sua máquina, e nada é gravado em servidor. Abaixo do campo a página lista as colunas aceitas e oferece uma planilha modelo para baixar.
A via principal é a coluna de MoM do IP uterino que o software do serviço exporta (`utpi_mom` ou só `mom`). Sem ela, a ferramenta aceita o IP médio das uterinas (`utpi` ou `u`) com a idade gestacional (`ga` em dias, `ig` em semanas ou escrita como `12+3`) e calcula o MoM pela equação de Gómez 2008, que vale de 11+0 a 41+6. Esse MoM é populacional pela IG, sem ajuste por fatores maternos, e não substitui o do modelo da FMF. Casos fora das janelas de 11+0 a 13+6, 19+0 a 24+6 e 30+0 a 37+6 saem da conta, e a tabela por janela avisa quando a planilha mistura trimestres.
O nome da coluna não precisa ser exato, a busca ignora acento, maiúscula e pontuação. Coluna que nomeia outro marcador nunca entra, então uma planilha com MoM de PAPP-A e de β-hCG lado a lado é auditada coluna por coluna. Colunas opcionais de examinador, data do exame e equipamento abrem a tabela por pessoa, a série por mês e os alertas. Vírgula e ponto decimal são aceitos. Linhas com valor ausente, não numérico, fora da janela ou com MoM abaixo de 0,1 ou acima de 10 são descartadas e contadas no resultado, com o motivo. O veredito pede ao menos 50 casos válidos.
A auditoria roda inteira no navegador, nenhum dado da planilha é enviado para servidor.
Como medir o UTPI corretamente para auditoria?
A técnica padronizada pela FMF para medição de UTPI segue etapas específicas:
- Identificação — localizar a artéria uterina no cruzamento com a artéria ilíaca externa, por via transabdominal, em corte parassagital baixo do abdome.
- Insonação — posicionar o sample volume sobre a artéria uterina, com ângulo de insonação < 30°.
- Registro — obter pelo menos 3 ondas uniformes e medir o IP automaticamente.
- Bilateral obrigatório — repetir em ambos os lados e calcular a média: UTPI = (IP_direito + IP_esquerdo) / 2.
O IP deve ser medido na artéria uterina principal, não nos ramos ascendente ou cervical.
O UTPI é medido na artéria uterina principal no cruzamento com a ilíaca externa, bilateralmente, com ângulo de insonação inferior a 30 graus.
Como interpretar os resultados da auditoria de UTPI?
A auditoria avalia dois parâmetros da distribuição dos MoM:
- Mediana dos MoM — deve ser ~1.0. Mediana > 1.0 sugere tendência a superestimar o IP (possível insonação de ramo cervical). Mediana < 1.0 sugere subestimação.
- Dispersão do log₁₀(MoM) — deve estar dentro dos limites pré-definidos. Dispersão excessiva indica variabilidade entre operadores ou inconsistência na técnica.
Quando a auditoria classifica como inadequado, revisar a técnica de cada operador individualmente, retreinar e repetir com novo lote de pelo menos 50 casos.
Até onde vale este resultado?
Esta é uma ferramenta de conferência de distribuição, não a auditoria oficial de nenhuma certificação. O critério aplicado aparece junto do resultado, com os números que o sustentam, justamente para você julgar em vez de acreditar.
Quando a planilha traz o valor bruto, a ferramenta usa a curva de Gómez 2008, uma população de Barcelona medida por via transvaginal até 14 semanas. É uma curva populacional e não o MoM ajustado da FMF (Tayyar 2015), que corrige idade, peso, origem racial e PE prévia. Para auditar o que o seu software de risco usa, envie o MoM dele.
Rolnik 2019 considera ideal a mediana de 0,95 a 1,05 e aceitável de 0,90 a 1,10, e mostrou que examinadores abaixo de 0,95 têm menos rastreio positivo e os acima de 1,05 têm mais.
O veredito segue a regra das fontes de auditoria, a mediana pontual do MoM contra 0,90 a 1,10. Junto dela a ferramenta mostra o IC 95% da mediana, por estatística de ordem, e quantos casos seriam precisos para o IC caber inteiro na faixa num serviço sem viés. Com a dispersão real dos marcadores séricos esse número passa de algumas centenas, então um lote pequeno aprovado ou reprovado deve ser lido com cautela. A mesma regra é aplicada a cada examinador e cada equipamento. Com menos casos que o mínimo, examinador ou equipamento só vira alerta quando o IC 95% da mediana inteiro fica fora da faixa.
A mediana fora da faixa aponta erro sistemático. A dispersão alta com mediana correta aponta falta de padronização entre operadores. As duas coisas pedem ações diferentes.
Perguntas Frequentes
Quais dados preciso enviar na planilha para auditoria de UTPI?
Basta a coluna de MoM do IP uterino que o software do serviço exporta. Sem ela, envie o IP médio das duas uterinas e a idade gestacional, em dias, em semanas ou como 12+3, e a ferramenta calcula o MoM pela curva de Gómez 2008, sem ajuste por fatores maternos. Examinador, data do exame e equipamento são opcionais e abrem as tabelas e os alertas por pessoa e por aparelho.
Por que a medição de UTPI deve ser bilateral?
Porque a resistência vascular pode diferir significativamente entre as artérias uterinas direita e esquerda, especialmente quando há placentação assimétrica. O modelo FMF utiliza a média aritmética dos IPs de ambos os lados como entrada para o cálculo de risco. Medição unilateral não reflete a resistência global do leito uteroplacentário e não é aceita pela FMF.
Quantos casos são necessários para auditar UTPI?
Recomenda-se no mínimo 50 medições para uma avaliação estatisticamente confiável. Idealmente, 100 ou mais casos permitem detectar desvios sutis na mediana e avaliar a consistência entre operadores. Lotes menores podem mascarar vieses reais devido a intervalos de confiança amplos.
Qual o erro técnico mais comum que a auditoria de UTPI detecta?
A insonação do ramo cervical da artéria uterina em vez da artéria uterina principal. O ramo cervical tem IP mais elevado, resultando em mediana dos MoM acima de 1.0. Outros erros frequentes incluem ângulo de insonação superior a 30 graus, sample volume posicionado incorretamente e registro de ondas não uniformes.
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Referências científicas
- . Reference ranges for uterine artery mean pulsatility index at 11-41 weeks of gestation. Ultrasound Obstet Gynecol; 2008; 32:128-132. doi:10.1002/uog.5315
- . Quality assessment of uterine artery Doppler measurement in first-trimester combined screening for pre-eclampsia. Ultrasound Obstet Gynecol; 2019; 53:245-250. doi:10.1002/uog.19116
