7 aplicações do ultrassom obstétrico que todo GO precisa dominar

Gestante em consulta realizando ultrassonografia obstétrica, com médico utilizando transdutor sobre o abdome para avaliação do feto e monitoramento da gestação.

Índice

O ultrassom obstétrico é uma ferramenta indispensável na prática do ginecologista e obstetra, pois desempenha papel central desde a confirmação da gestação até o acompanhamento do desenvolvimento fetal e a identificação precoce de possíveis intercorrências. Assim, dominar suas principais aplicações permite ao profissional individualizar o cuidado e melhorar desfechos materno-fetais.

A seguir, destacam-se 7 aplicações do ultrassom obstétrico que todo GO precisa dominar!

1. Confirmação da viabilidade gestacional

Mais do que apenas confirmar a gravidez, a ultrassonografia permite avaliar se a gestação está evoluindo de forma adequada, reduzindo incertezas e possibilitando intervenções precoces quando necessário.

Quando indicar o exame

O exame costuma ser indicado nas primeiras semanas de gestação, especialmente entre 4,5 e 8 semanas, diante de suspeita de gravidez, atraso menstrual, dor pélvica ou sangramento vaginal.

Também é fundamental em casos de histórico de abortamento, gestação ectópica prévia ou quando há dúvida quanto à localização e evolução da gestação.

Principais achados ultrassonográficos

Na fase inicial, espera-se identificar o saco gestacional dentro da cavidade uterina, seguido pela visualização do saco vitelino.

A partir de aproximadamente 6 semanas, já é possível observar o embrião e, posteriormente, a atividade cardíaca fetal, que é o principal marcador de viabilidade gestacional.

Além disso, o exame permite avaliar o número de embriões e confirmar se a gestação é tópica.

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2. Datação da gestação

Definir corretamente a idade gestacional é um dos pilares do acompanhamento pré-natal e a ultrassonografia tem papel central nesse processo.

Mais do que estabelecer uma data provável de parto, a datação adequada permite interpretar corretamente o crescimento fetal, planejar condutas e evitar intervenções desnecessárias.

Importância clínica da idade gestacional bem estabelecida

Uma idade gestacional bem estabelecida impacta diretamente nas decisões clínicas ao longo de toda a gestação.

Ela orienta a avaliação do crescimento fetal, ajuda a identificar restrição ou macrossomia, define o momento ideal para rastreios e exames importantes e evita erros na indicação de indução do parto, especialmente em casos de suspeita de pós-termo ou prematuridade.

Medidas utilizadas (CRL, BIP, CC, CA, FL)

A ultrassonografia utiliza diferentes parâmetros biométricos ao longo da gestação para estimar a idade gestacional com maior precisão.

  • No primeiro trimestre, o comprimento cabeça-nádega (CRL) é a medida mais confiável para datação.
  • Já no segundo e terceiro trimestres, a estimativa passa a ser baseada em um conjunto de medidas, como o diâmetro biparietal (BIP), a circunferência cefálica (CC), a circunferência abdominal (CA) e o comprimento do fêmur (FL).

A combinação desses parâmetros permite uma avaliação mais completa, acompanhando não apenas a idade gestacional, mas também o padrão de crescimento fetal ao longo do tempo.

3. Avaliação da anatomia fetal

A avaliação da anatomia fetal por meio da ultrassonografia é um dos momentos mais importantes do pré-natal, pois permite avaliar o bebê de forma detalhada e acompanhar se o seu desenvolvimento estrutural está ocorrendo como esperado.

Esse exame possibilita identificar precocemente alterações que podem impactar a condução da gestação e o cuidado ao nascimento.

Principais estruturas avaliadas

Durante o exame, são analisados diversos órgãos e sistemas fetais de forma sistemática. Entre as principais estruturas avaliadas estão:

  • Sistema nervoso central;
  • Coração (especialmente a visão de quatro câmaras);
  • Abdome (incluindo estômago, fígado e inserção do cordão);
  • Rins e bexiga;
  • Coluna vertebral;
  • Membros.

Rastreamento de malformações

A ultrassonografia, especialmente no segundo trimestre (entre 18 e 20 semanas), é o principal método de rastreamento de malformações fetais. Nessa fase, a maioria dos sistemas já está formada, o que permite identificar grande parte das anomalias estruturais.

Exames realizados mais precocemente, entre 11 e 14 semanas, também podem detectar alterações importantes, incluindo malformações graves e marcadores de aneuploidias, como o aumento da translucência nucal.

4. Avaliação do crescimento fetal

A avaliação do crescimento fetal por ultrassonografia também é uma parte essencial do acompanhamento pré-natal, pois permite acompanhar se o bebê está se desenvolvendo de forma adequada ao longo da gestação.

A partir de medidas obtidas no exame, como diâmetro biparietal, circunferência abdominal e comprimento do fêmur, é possível estimar o peso fetal e comparar esse crescimento com padrões esperados para cada idade gestacional.

Curvas de crescimento

As curvas de crescimento funcionam para entender se o feto está dentro do esperado. Elas organizam os dados em percentis, permitindo classificar o crescimento como adequado, abaixo ou acima da média.

Na prática, um feto entre os percentis 10 e 90 costuma ser considerado com crescimento normal. Já valores abaixo ou acima desses limites podem indicar a necessidade de investigação mais detalhada.

Além disso, não se avalia apenas uma medida isolada: o mais importante é observar a evolução ao longo do tempo. Portanto, um padrão de crescimento contínuo e proporcional costuma ser mais tranquilizador do que variações abruptas, mesmo que os valores ainda estejam dentro da normalidade.

Diagnóstico de restrição de crescimento fetal (RCF)

A restrição de crescimento fetal ocorre quando o bebê não atinge o potencial esperado de crescimento, geralmente sendo identificado quando o peso estimado está abaixo do percentil 10 para a idade gestacional.

No entanto, o diagnóstico vai além de um número isolado. É fundamental integrar outros achados, como:

  • Redução da velocidade de crescimento ao longo dos exames;
  • Alterações no volume de líquido amniótico;
  • Alterações no Doppler, especialmente da artéria umbilical.

Essa avaliação mais ampla ajuda a diferenciar fetos constitucionalmente pequenos daqueles com comprometimento do crescimento.

5. Avaliação do líquido amniótico

A análise do líquido amniótico reflete, de forma indireta, o bem-estar fetal e o funcionamento da placenta. Assim, alterações no volume podem indicar desde situações benignas até condições que exigem investigação e intervenção.

Índice de líquido amniótico (ILA)

O ILA é uma das formas mais utilizadas para estimar o volume de líquido amniótico. Ele é obtido dividindo o útero em quatro quadrantes e somando as maiores medidas verticais de líquido em cada um deles.

Na prática clínica, esse método ajuda a transformar uma avaliação subjetiva em um parâmetro mais objetivo, permitindo acompanhar a evolução ao longo da gestação.

Além do ILA, também pode ser utilizada a medida do maior bolsão vertical (MVP).

Oligoâmnio e polidrâmnio

Quando o volume de líquido amniótico está alterado, isso pode sinalizar diferentes problemas:

  • Oligoâmnio: Caracteriza-se pela redução do líquido amniótico. Pode estar associado a insuficiência placentária, ruptura prematura de membranas ou alterações renais fetais. Clinicamente, levanta preocupação com restrição de crescimento fetal e risco de sofrimento fetal.
  • Polidrâmnio: Refere-se ao aumento do líquido amniótico. Pode ocorrer em situações como diabetes materno, malformações fetais (especialmente do trato gastrointestinal) ou, em muitos casos, sem causa definida. Dependendo da gravidade, pode estar relacionado a parto prematuro ou desconforto materno.

6. Avaliação da placenta

Localização placentária

A ultrassonografia permite identificar onde a placenta está implantada dentro do útero. Em condições normais, ela fixa-se na parede uterina sem interferir na saída do bebê.

Durante o exame, também observa-se a relação da placenta com o colo do útero, além da inserção do cordão umbilical, informações importantes para prever possíveis riscos no parto.

Placenta prévia e acretismo

Algumas alterações placentárias têm grande impacto clínico e podem ser detectadas pelo ultrassom.

A placenta prévia ocorre quando a placenta posiciona-se próxima ou sobre o colo do útero, podendo dificultar ou impedir o parto vaginal e aumentar o risco de sangramentos.

Já o acretismo placentário envolve uma implantação anormalmente profunda da placenta na parede uterina. Nesses casos, ela pode aderir de forma mais intensa e até invadir estruturas adjacentes, o que aumenta o risco de complicações, principalmente no momento do parto.

7. Avaliação do bem-estar fetal

Por fim, a avaliação do bem-estar fetal por ultrassonografia tem como objetivo verificar se o feto está se desenvolvendo de forma adequada dentro do útero e se recebe oxigênio e nutrientes suficientes.

Para isso, utilizam-se ferramentas específicas que ajudam a identificar precocemente sinais de sofrimento fetal, permitindo intervenções oportunas quando necessário.

Perfil biofísico fetal

O perfil biofísico fetal é um dos métodos mais utilizados para essa avaliação. Ele combina parâmetros observados no ultrassom com, em alguns casos, testes de monitorização fetal. Assim, durante o exame, são analisados aspectos como:

  • Movimentos do feto;
  • Movimentos respiratórios;
  • Tônus fetal;
  • Volume de líquido amniótico.

Cada um desses componentes reflete, de forma indireta, a integridade do sistema nervoso central e a oxigenação fetal.

Quando todos os parâmetros estão dentro da normalidade, há um forte indicativo de que o feto está em boas condições. Por outro lado, alterações nesses critérios podem sugerir sofrimento fetal, especialmente em gestações de risco, exigindo acompanhamento mais próximo ou até antecipação do parto.

Uso do Doppler obstétrico

O Doppler obstétrico complementa essa avaliação ao estudar o fluxo sanguíneo em diferentes vasos, como as artérias umbilicais, uterinas e cerebral média. Esse exame permite entender como está a circulação entre a mãe, a placenta e o feto.

Alterações nos padrões de fluxo podem indicar aumento da resistência vascular ou comprometimento da perfusão placentária, funcionando como um sinal precoce de sofrimento fetal.

Assim, enquanto o perfil biofísico observa o comportamento e sinais indiretos de vitalidade do feto, o Doppler fornece uma avaliação mais hemodinâmica, tornando a análise do bem-estar fetal mais completa.

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Referências

  • Lassey S. Overview of ultrasound examination in obstetrics and gynecology. UpToDate, 2024.
  • Tingley K, Horton J; Autores. Ultrassonografia obstétrica durante a gravidez: Revisão de tecnologias em saúde da CADTH [Internet]. Ottawa (ON): Agência Canadense de Medicamentos e Tecnologias em Saúde; Dezembro de 2021. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK594334/

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Dra. Michelle Vilas Boas
Dra. Michelle Vilas Boas

Médica graduada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), atualmente dedica-se à elaboração de textos informativos, contribuindo para a divulgação de informações confiáveis e para o fortalecimento da presença de profissionais da área da saúde no cenário digital.

CRM-BA: 49687

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