Hemorragia Peri-intraventricular (HPIV) no Recém-Nascido: Diagnóstico, Classificação e Prognóstico

Índice

Hemorragia Peri-intraventricular (HPIV) no Recém-Nascido: Diagnóstico, Classificação e Prognóstico

Conceito

É uma das principais lesões neurológicas que acomete principalmente os recém-nascidos pré-termo (RNPT) e de baixo peso, representando um grande problema dado a sua frequência, gravidade e prognóstico. Sua incidência é inversamente proporcional ao peso e a idade gestacional ao nascimento.

A HPIV ocorre particularmente a partir da matriz germinativa subependimária, região de proliferação neuronal, que apresenta-se como um tecido neural imaturo composto por células germinativas, localizado na região subependimária dos ventrículos laterais. Este tecido é ricamente vascularizado, porém seus vasos exibem uma morfologia mais frágil, de paredes finas, tornando-se mais vulneráveis à lesão por alterações no fluxo sanguíneo cerebral.

Principais Fatores de Risco da HPIV

Na literatura atual, diversos fatores de risco estão associados à hemorragia peri-intraventricular (HPIV), incluindo:

  • Idade gestacional inferior a 32 semanas
  • Peso ao nascimento abaixo de 1500 g
  • Necessidade de reanimação na sala de parto
  • Síndrome do desconforto respiratório grave
  • Ventilação mecânica prolongada
  • Episódios de hipóxia e isquemia
  • Pneumotórax
  • Sepse neonatal
  • Variações amplas na pressão arterial

A presença desses fatores pode aumentar significativamente o risco de HPIV, destacando a importância do monitoramento precoce e da avaliação ultrassonográfica sistemática para um diagnóstico preciso e intervenção adequada.

Diagnóstico

A ultrassonografia transfontanelar, por ser um método não invasivo, isento de radiação ionizante e de fácil manuseio à beiro do leito, se tornou o método diagnóstico mais utilizado e efetivo para o diagnóstico e seguimento desses pacientes.

Classificação na Ultrassonografia

A gravidade das hemorragias pode ser definida e classificada a partir da ultrassonografia, com base na localização e presença de dilatação ventricular lateral. Segundo esta classificação, podem ser subdivididas em:

  • Grau I – Hemorragia restrita à matriz germinativa
  • Grau II – Hemorragia intraventricular sem dilatação ventricular
  • Grau III – Hemorragia intraventricular com dilatação ventricular
  • Grau IV – Hemorragia intraparenquimatosa

Cada grau pode ser uni ou bilateral, que pode ser simétrico ou não.

Hemorragia Grau I

Apresenta-se em região subependimária, com uma imagem ecogênica, inferior e lateral ao corno frontal e medial a cabeça do núcleo caudado. Após semanas, o coágulo sofre liquefação central, sendo absorvido por completo ou formando um cisto subependimal.

Figura 1. Hemorragia Grau 1 : restrita à matriz germinativa com sinais ecográficos de absorção do coágulo.

Hemorragia Grau II

Ocorre quando a matriz germinal rompe a parede ependimal e penetra no interior dos ventrículos laterais. Apresenta-se como uma imagem ecogênico no corpo frontal e occipital ou também aderido em todo contorno do plexo coroide, tornando-o mais espesso. Podem ser autolimitadas e resolverem sem sequelas.

Figura 2. Hemorragia Grau II: material ecogênico no interior dos ventrículos laterais, sem dilatação.

Hemorragia Grau III

Caracteriza-se pelo aumento das cavidades ventriculares, devido ao processo obstrutivo à drenagem liquórica gerado pelo sangramento profuso.

Figura 3. Hemorragia Grau III: material ecogênico aderido ao plexo coróide e no interior do corno posterior dos ventrículos laterais com dilatação.

Hemorragia Grau IV

Caracterizado por imagem ecogênica de margens irregulares no parênquima adjacente ao ventrículo lateral. Dependendo do tamanho da hemorragia podemos ver um desvio de linha média devido ao efeito de massa. É considerado um infarto hemorrágico venoso.

Figura 4. Hemorragia Grau IV – infarto hemorrágico intraparenquimatoso.

Na maioria dos casos, a HPIV ocorre nos primeiros dias de vida do recém-nascido, entre o 4° até 7° dia de vida período onde ocorrem mais de 70% dos casos. O prognóstico é altamente dependente da localização e extensão da lesão. Paralisia cerebral e comprometimento cognitivo grave são comuns em bebês que sofreram infarto hemorrágico intraparenquimatoso.

Como a HPIV pode evoluir de graus menores para maiores, destaca-se a importância do diagnóstico precoce, com o estudo ultrassonográfico para se propor o tratamento adequado a cada caso.

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DRA. INÊS GOMES DA SILVA

  • Coordenadora do Curso de Ultrassonografia Pediátricoa do Cetrus
  • Título de Especialista em Diagnóstico por Imagem pelo CBR/AMB
  • Mestrado em Radiologia Clínica e Ciências Radiológicas pela UNIFESP
  • Membro da Equipe do Setor de Ultrassonografia Neonatal do Complexo Santa Joana/Promatre/Santa Maria

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