A cosmiatria médica tem evoluído de forma acelerada nos últimos anos, impulsionada pela busca crescente por intervenções estéticas minimamente invasivas, eficazes e com menor tempo de recuperação.
Em 2025, esse cenário se consolida com a incorporação de novas tecnologias baseadas em energia, formulações de bioestimuladores mais seguras e eficientes, além de avanços significativos nas toxinas botulínicas e preenchedores dérmicos. A capacitação médica e o conhecimento técnico aprofundado tornaram-se essenciais para profissionais habilitados que atuam em estética, garantindo segurança e qualidade nos procedimentos.
Além do avanço tecnológico, observa-se também uma maior valorização da abordagem multidisciplinar na cosmiatria, com a integração de dermatologistas, cirurgiões plásticos e especialistas em estética para otimizar os resultados clínicos e a satisfação do paciente.
Tecnologias laser e baseadas em energia de última geração
A categoria dos dispositivos baseados em energia (Energy-Based Devices – EBDs) continua a expandir suas aplicações. Em 2025, a integração de IA para parâmetros personalizados e a evolução de tecnologias híbridas transformaram o modo como médicos tratam alterações cutâneas, flacidez e rejuvenescimento facial.
Lasers fracionados híbridos (ablativos e não ablativos)
A grande inovação dos últimos dois anos foi o desenvolvimento de plataformas que combinam feixes ablativos e não ablativos no mesmo disparo. Essa combinação permite tratar diferentes profundidades da pele simultaneamente, oferecendo resultados superiores com menor downtime.
Assim, esses dispositivos utilizam simultaneamente feixes de laser ablativos, que removem camadas superficiais da pele, e não ablativos, que aquecem as camadas mais profundas sem danificar a superfície. Dessa forma, essa combinação permite tratar múltiplas camadas da pele em uma única sessão, promovendo a renovação celular e estimulando a produção de colágeno.
Embora alguns estudos sugiram que a combinação contribua para melhor recuperação e redução da vermelhidão pós-procedimento, a ciência ainda precisa esclarecer melhor os efeitos anti-inflamatórios diretos.
Benefícios da tecnologia híbrida
- Tratamento abrangente: a ação combinada permite abordar tanto problemas superficiais, como manchas e textura irregular, quanto questões mais profundas, como rugas e flacidez
- Recuperação acelerada: a presença de áreas de pele intacta entre as zonas tratadas facilita a cicatrização e reduz o tempo de recuperação
- Resultados duradouros: a estimulação do colágeno proporciona melhorias contínuas na firmeza e elasticidade da pele ao longo do tempo.
Indicações clínicas
Indicamos os lasers fracionados híbridos para:
- Textura irregular da pele
- Hiperpigmentações, como melasma e manchas solares
- Rugas e linhas finas
- Cicatrizes de acne
- Poros dilatados.
Radiofrequência microagulhada robótica
Outra tecnologia que se consolidou em 2025 é a radiofrequência microagulhada com ajuste automatizado da profundidade das agulhas. Dessa forma, dispositivos com motores de controle robótico conseguem identificar a resistência tecidual em tempo real, promovendo uma entrega mais homogênea da energia e melhorando os resultados em flacidez facial e cicatrizes atróficas.
Entretanto, embora esses sistemas apresentem potencial, a nomenclatura “robótica” e os benefícios relatados ainda carecem de ampla validação científica. Pesquisadores precisam realizar mais estudos para confirmar os ganhos em segurança e eficácia.
Essa precisão também reduz significativamente a dor durante o procedimento e minimiza a ocorrência de complicações, tornando o tratamento mais tolerável para o paciente.
Alguns relatos preliminares sugerem redução no tempo do procedimento, mas dados clínicos robustos são ainda limitados.
Ultrassom microfocado de nova geração
Os equipamentos atuais de ultrassom microfocado utilizam transdutores com múltiplas frequências adaptativas, permitindo ajustes finos para atingir as camadas SMAS com menos dispersão térmica. Esse avanço proporciona lifting facial com maior definição, especialmente na linha mandibular e região submentoniana.
Alguns modelos apresentam tecnologias de monitoramento térmico integrado, aumentando a segurança do procedimento, embora a visualização ultrassonográfica em tempo real ainda seja limitada na maioria dos aparelhos disponíveis.
Além do uso em lifting facial, a tecnologia tem sido explorada para tratamento de flacidez corporal em áreas como abdome e braços, ampliando as possibilidades terapêuticas da cosmiatria moderna.
Bioestimuladores injetáveis
A bioestimulação tecidual continua em alta na prática clínica estética, sendo uma das estratégias preferidas por pacientes que buscam rejuvenescimento com naturalidade e resultados duradouros. Assim, em 2025, os bioestimuladores injetáveis de colágeno evoluíram significativamente, com novas formulações que combinam ativos sinérgicos para potencializar seus efeitos e minimizar efeitos adversos.
Formulações à base de hidroxiapatita de cálcio têm sido associadas a antioxidantes e peptídeos biomoduladores, embora esses aditivos ainda estejam em fase inicial de avaliação clínica quanto à segurança e eficácia.
Hidroxiapatita de cálcio: mais segurança e uniformidade
Um dos avanços mais relevantes ocorreu nas formulações à base de hidroxiapatita de cálcio, agora frequentemente associadas a antioxidantes e peptídeos biomoduladores. Assim, essa combinação aprimora o estímulo à produção de colágeno e favorece uma remodelação dérmica mais homogênea, reduzindo significativamente o risco de formação de nódulos ou irregularidades após a aplicação.
Ácido polilático com diluentes enriquecidos
Reformulações recentes do ácido polilático incluem diluentes enriquecidos que visam melhorar a reconstituição do produto. Embora haja relatos de melhora na hidratação cutânea, evidências científicas sobre aumento significativo da durabilidade clínica e efeito prolongado até 30 meses ainda são limitadas e variam conforme protocolo e paciente.
Indicações expandidas para além da face
Com os avanços nas formulações e técnicas, os bioestimuladores passaram a ser utilizados com maior segurança em outras regiões além da face. Dessa forma, hoje é possível tratar áreas como pescoço, braços e abdome, com foco na melhora da flacidez e da textura da pele. Essa versatilidade amplia o escopo de tratamento e permite abordagens mais completas de rejuvenescimento corporal.
Técnica refinada e resultados personalizados
Apesar dos avanços, o uso de bioestimuladores exige técnica apurada, conhecimento anatômico e individualização do plano terapêutico. Dessa forma, a personalização da aplicação, considerando o padrão de envelhecimento, o tipo de pele e os objetivos do paciente, é fundamental para alcançar resultados naturais, seguros e duradouros.
Novidades em toxina botulínica e preenchedores faciais
Os neurotoxínicos também avançaram. As formulações lançadas em 2024 e 2025 apresentaram maior pureza e menor complexidade proteica, reduzindo a formação de anticorpos neutralizantes. Isso impacta diretamente na duração do efeito clínico, que atualmente pode chegar a 6 meses em determinadas apresentações.
Além disso, houve crescimento no uso de microdoses (“microbotox”) aplicadas em áreas de poros dilatados e rosácea, demonstrando benefício estético com impacto positivo na função cutânea.
No campo dos preenchedores, o foco de 2025 está na personalização. Dessa forma, preenchedores com reticulação adaptativa permitem maior integração tecidual, especialmente em áreas dinâmicas, como sulco nasogeniano e região perioral. Assim, a tendência é priorizar volumização natural e sustentação discreta, com técnicas como MD Codes™ sendo atualizadas para novos vetores de ancoragem.
Também merece atenção a crescente utilização de cânulas com ponta híbrida, que oferece a segurança da ponta romba e a precisão da injeção por orifício lateral calibrado.
Como escolher a melhor tecnologia para cada tipo de pele?
O desafio da prática médica atual não está apenas em conhecer todas as tecnologias disponíveis, mas em saber aplicá-las com critério e segurança. Em 2025, algoritmos clínicos baseados em fototipo, densidade dérmica, grau de flacidez e histórico de cicatrização são amplamente utilizados para auxiliar a tomada de decisão, mas sua aplicação requer avaliação clínica individualizada, pois ainda não são amplamente padronizados ou validados em grandes populações.
Para peles de fototipos III a VI, por exemplo, é recomendável evitar lasers com comprimentos de onda curtos, priorizando tecnologias não ablativas ou radiofrequência com controle de temperatura. Já em pacientes com flacidez avançada e pouca espessura dérmica, a combinação de bioestimuladores com ultrassom microfocado tem mostrado excelentes resultados.
Além disso, a capacitação médica adequada continua sendo um pilar essencial para prevenir intercorrências.
Leia também o artigo “Complicações em procedimentos estéticos: como prevenir, diagnosticar e agir rapidamente” para atualização sobre condutas frente a eventos adversos comuns.
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Referências bibliográficas
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- BELEZNAY, Kristen et al. Injectable soft tissue fillers: Overview of clinical use. UpToDate, 2024. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/injectable-soft-tissue-fillers-overview-of-clinical-use. Acesso em: 10 maio 2025.
- GOLD, Michael H. Microneedling with radiofrequency: Advances in delivery and safety profile. Journal of Cosmetic Dermatology, v. 23, n. 1, p. 35–41, 2025.
- BERGMAN, Rachel S. Advanced ultrasound-based devices in aesthetic medicine: SMAS targeting and outcomes. Lasers in Surgery and Medicine, v. 56, n. 3, p. 199–210, 2025.







