Enamed: mais de 30% dos cursos de Medicina têm nota insatisfatória e MEC anuncia sanções

Mulher concentrada realizando uma prova escrita, segurando uma caneta azul e respondendo questões em um caderno sobre a mesa.

Índice

O Enamed voltou a acender um alerta sobre a qualidade da formação médica no Brasil. Mais de 30% dos cursos de Medicina obtiveram nota insatisfatória na avaliação mais recente, revelando fragilidades estruturais, pedagógicas e assistenciais em parte expressiva das escolas médicas.

Diante desse cenário preocupante, o Ministério da Educação anunciou um pacote de sanções e medidas regulatórias. Essas decisões reacenderam o debate sobre a expansão desordenada de vagas, a fiscalização dos cursos e o impacto direto dessa formação na segurança do paciente. Também colocaram em pauta o futuro da assistência em saúde no país.

O que é o Enamed e qual seu papel na avaliação da formação médica

O Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) é uma avaliação federal criada pelo Ministério da Educação (MEC). Seu objetivo é medir de forma padronizada o desempenho dos estudantes e a qualidade dos cursos de medicina em todo o Brasil.

O exame surgiu como uma resposta à necessidade de avaliar criteriosamente a formação dos futuros médicos. Essa necessidade tornou-se mais evidente diante da expansão rápida e, em muitos casos, irregular de cursos de Medicina no país.

Seu principal objetivo é checar se os alunos que estão concluindo a graduação adquiriram os conhecimentos e habilidades essenciais previstos nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Essa checagem indica se o curso forma médicos aptos a atuar com segurança e competência.

Além disso, o Enamed agrega e unifica outras avaliações que existiam antes, como partes do Enade e a prova objetiva do exame de residência médica, criando um único instrumento que pode tanto classificar a qualidade do ensino quanto servir de critério para seleção em programas de Residência Médica (Enare).

Os resultados do Enamed também alimentam indicadores oficiais sobre o desempenho dos cursos. Assim, eles podem embasar sanções, restrições de vagas e exigência de melhorias quando o desempenho é considerado insatisfatório.

Resultados do Enamed 2025: panorama geral dos cursos de Medicina no Brasil

Na primeira edição do Enamed, aplicada em 2025, 351 cursos de Medicina de todo o país foram avaliados para medir a qualidade da formação oferecida aos estudantes. Essa análise, coordenada pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep, tornou-se um termômetro da preparação dos futuros médicos brasileiros. Além disso, permitiu traçar um quadro nacional do desempenho acadêmico nas graduações em Medicina.

Quantos cursos foram avaliados e qual o percentual de notas insatisfatórias

Do total de 351 cursos avaliados, a maior parte obteve resultados considerados satisfatórios. Em grande parte deles, ao menos 60% dos concluintes alcançaram proficiência no exame.

Apesar disso, uma parcela significativa, aproximadamente 30% dos cursos, recebeu conceito insatisfatório (notas 1 e 2). Isso significa que menos de 60% dos concluintes desses cursos atingiram o nível mínimo de proficiência exigido.

Desempenho dos estudantes concluintes e taxa de proficiência

Em relação ao desempenho individual, os resultados indicam que aproximadamente 67% dos formandos em Medicina atingiram o nível de proficiência exigido. Isso significa que cerca de dois em cada três estudantes demonstraram domínio considerado adequado dos conhecimentos necessários para o exercício profissional.

Quando analisados grupos distintos, verifica-se que alunos de instituições federais e estaduais apresentaram as maiores médias de proficiência. Por outro lado, estudantes de cursos municipais e de privadas com fins lucrativos tiveram resultados mais baixos, com médias de proficiência frequentemente abaixo do ideal.

Esses resultados, tanto no nível dos cursos quanto no desempenho dos concluintes, serão utilizados pelo MEC para orientar medidas regulatórias e possíveis sanções. O objetivo é fortalecer a qualidade do ensino médico no país.

Conceito Enade para cursos de Medicina: como funciona a avaliação

O Conceito Enade é o indicador que o Enamed utiliza para classificar a qualidade dos cursos de Medicina e baseia-se no desempenho dos estudantes concluintes no exame. Além disso, reflete o quanto os formandos demonstraram domínio dos conteúdos e das habilidades consideradas essenciais para a prática médica. Portanto, é fundamental para avaliar a formação oferecida pelas faculdades.

Escala de notas do Conceito Enade (1 a 5)

O resultado que cada curso recebe no Enamed é expresso em uma escala que vai de 1 a 5, sendo:

  • 1: desempenho muito baixo, com baixa proporção de estudantes em proficiência;
  • 2: proficiência ainda insuficiente;
  • 3, 4 e 5: níveis progressivamente melhores, com o conceito 5 indicando cursos com altíssima proporção de concluintes proficientes.

Na prática, notas mais altas na escala sinalizam que uma maior proporção dos estudantes atingiu o nível de conhecimento esperado.

Nova metodologia baseada em proficiência dos concluintes

A forma como o Enamed define o conceito dos cursos está diretamente ligada à proporção de concluintes que alcançam proficiência no exame, ou seja, o percentual de estudantes que demonstram um desempenho considerado adequado nas questões aplicadas. Essa abordagem considera o desempenho efetivo dos alunos no teste para estabelecer o Conceito Enade, com cursos sendo classificados conforme a quantidade de formandos que comprovam domínio dos conteúdos-base avaliados.

Esse método de aferição, centrado na proficiência dos concluintes, substitui modelos anteriores e busca oferecer uma visão mais objetiva da formação médica, influenciando tanto a regulação dos cursos quanto potenciais sanções quando os resultados estão abaixo do esperado

Quais instituições tiveram os piores resultados no Enamed

Nos resultados da primeira edição do Enamed em 2025, um grupo expressivo de cursos de Medicina obteve os menores conceitos na avaliação. Em particular 24 instituições ficaram com a nota mínima (conceito 1), o que indica desempenho muito abaixo do esperado em termos de proficiência dos concluintes.

  • UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ (UNESA – RJ);
  • CENTRO UNIVERSITÁRIO PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS (UNIPAC – MG);
  • UNIVERSIDADE BRASIL (UB – SP);
  • UNIVERSIDADE DO CONTESTADO (UNC – SC);
  • UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES (UMC – SP);
  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ (UFPA – PA);
  • UNIVERSIDADE NILTON LINS (UNINILTONLINS – AM);
  • CENTRO UNIVERSITÁRIO DE GOIATUBA (UNICERRADO – GO);
  • UNIÃO DAS FACULDADES DOS GRANDES LAGOS (UNILAGO – SP);
  • CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ADAMANTINA (FAI – SP);
  • CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS AMÉRICAS (CAM – SP);
  • FACULDADES DE DRACENA (Dracena – SP);
  • CENTRO UNIVERSITÁRIO ALFREDO NASSER (UNIFAN – GO);
  • FACULDADE DA SAÚDE E ECOLOGIA HUMANA (FASEH – MG);
  • FACULDADE MUNICIPAL PROFESSOR FRANCO MONTORO DE MOGI GUAÇU (FMPFM – SP);
  • FACULDADE METROPOLITANA (UNNESA – RO);
  • CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINORTE (Rio Branco – AC);
  • CENTRO UNIVERSITÁRIO CEUNI – FAMETRO (CEUNI-FAMETRO – AM);
  • CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO DO PANTANAL (Unipantanal – MT);
  • UNIVERSIDADE DE RIO VERDE (FESURV – GO);
  • UNIVERSIDADE DE RIO VERDE (FESURV – GO);
  • FACULDADE SÃO LEOPOLDO MANDIC DE ARARAS (SLMANDIC-ARARAS – SP);
  • FACULDADE ESTÁCIO DE JARAGUÁ DO SUL (Estácio Jaraguá – SC);
  • FACULDADE ZARNS (Itumbiara – GO);

Desempenho de universidades municipais, privadas e instituições especiais

A análise dos dados revela que os piores desempenhos no Enamed estiveram concentrados em cursos de instituições municipais e principalmente em faculdades privadas com fins lucrativos, cujos estudantes tiveram médias de proficiência bem abaixo da maioria. Por exemplo, concluintes de instituições municipais apresentaram média de proficiência inferior a 50%, e os de privadas com fins lucrativos cerca de 57%, ambas consideradas insuficientes pelo exame.

Em contrapartida, cursos vinculados a universidades públicas e também algumas privadas sem fins lucrativos apresentaram resultados significativamente melhores, mostrando que a origem institucional influencia diretamente nos resultados.

Diferença de desempenho entre instituições públicas e privadas

Ao comparar os diferentes tipos de instituições, há uma diferença clara entre públicas e privadas: estudantes de universidades federais e estaduais alcançaram médias de proficiência que superam os 80%, indicando domínio satisfatório dos conteúdos avaliados, enquanto os de instituições municipais e privadas com fins lucrativos ficaram bem abaixo desse patamar e muitas vezes abaixo da marca considerada adequada.

Essa disparidade evidencia que cursos ofertados por universidades públicas tendem a formar profissionais com desempenho mais sólido no exame, contrastando com os resultados das instituições privadas e municipais que, em vários casos, ficaram entre os piores avaliados.

Quais cursos de Medicina tiveram os melhores resultados no Enamed

Os dados da primeira edição do Enamed revelam que diversos cursos de Medicina no Brasil se destacaram pela alta proficiência de seus concluintes, refletindo uma formação acadêmica sólida e alinhada às competências esperadas.

Entre os 351 cursos avaliados, 49 alcançaram o conceito máximo (nota 5), o que significa que mais de 90% dos estudantes demonstraram domínio dos conhecimentos exigidos pelo exame, um indicativo de excelência no ensino médico.

Destaque para universidades federais, estaduais e comunitárias

O desempenho mais forte no Enamed foi observado principalmente em cursos vinculados a universidades públicas e estaduais, que lideraram os índices de proficiência.

Entre os dez cursos de Medicina com conceito máximo (nota 5), destacam-se:

  • Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS – Três Lagoas/MS);
  • Universidade Federal de São Carlos (UFSCar – São Carlos/SP);
  • Universidade de São Paulo (USP – São Paulo/SP e Ribeirão Preto/SP);
  • Universidade Federal de Viçosa (UFV – Viçosa/MG);
  • Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro – Guarapuava/PR);
  • Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP – São Paulo/SP);
  • Universidade Federal da Bahia (UFBA – Vitória da Conquista/BA);
  • Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF – Petrolina/PE e Paulo Afonso/BA).

Esses resultados evidenciam que cursos com forte estrutura acadêmica, tradição institucional e formação prática consistente tendem a apresentar altíssimos níveis de proficiência, refletindo uma formação médica de excelência.

Confira o ranking completo!

Sanções anunciadas pelo MEC para cursos com notas baixas

Após a divulgação dos resultados do Enamed 2025, o Ministério da Educação (MEC) anunciou que cerca de 100 cursos de Medicina com desempenho insatisfatório serão submetidos a medidas punitivas e restritivas com o objetivo de incentivar a melhoria da qualidade da formação médica.

Restrições no Fies, suspensão de vagas e veto a novos ingressos

As sanções variam conforme o nível de desempenho observado no exame. Portanto:

  • Para os cursos com proficiência extremamente baixa (conceito 1), o MEC anunciou a suspensão do ingresso de novos estudantes, além da proibição de participação no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e em outros programas federais.
  • Para cursos com desempenho ligeiramente melhor, mas ainda insuficiente, foram previstas reduções no número de vagas ofertadas, que podem chegar a 50% ou 25%, e impedimento de ampliar vagas já existentes.

Essas restrições valem até a próxima edição do Enamed, prevista para outubro de 2026, e as instituições têm direito à ampla defesa antes da aplicação definitiva das penalidades.

Referências

Cite este artigo no seu trabalho

Para citar este artigo em outro texto, clique e copie a referência em formatação ABNT.

Citação copiada!

Compartilhe esta publicação:

Cursos, masterclasses e e-books médicos gratuitos

Fique por dentro dos temas que realmente importam na prática médica atual.

Receba informações semanais sobre carreira, formação médica e novos conteúdos gratuitos.

CONFIRA NOSSA NEWSLETTER