A dor crônica é uma realidade para milhões de pessoas, impactando significativamente sua qualidade de vida. Nesse cenário, a Intervenção em Dor emerge como uma subespecialidade médica crucial, oferecendo abordagens inovadoras e minimamente invasivas para o alívio e tratamento da dor persistente.
Para entender melhor essa área promissora e o caminho para se especializar, conversamos com o Dr. Marcos Cardoso, renomado médico com vasta experiência em dor, ortopedia e traumatologia, e atuante no corpo docente do Cetrus.
Sobre o Dr. Marcos Cardoso
Com uma trajetória acadêmica e profissional sólida, o Dr. Marcos Cardoso é referência em Medicina da Dor e Ortopedia. Sua formação inclui:
- Pós-Graduação em Medicina Regenerativa (certificado pela Academia Americana de Medicina Regenerativa)
- Médico Intervencionista em Dor pelo Hospital Sírio-Libanês
- Research Fellow in Sports Medicine pela University of Pittsburgh (EUA)
- Especialização em Cirurgia do Joelho e Ortopedia (UNISA)
- Certificado em Terapia por Ondas de Choque e Acupuntura Médica
Atualmente, além de atuar como intervencionista em dor, ele coordena a Pós-Graduação em Intervenção em Dor do Cetrus, capacitando médicos para atuar com excelência nessa área em expansão.

Panorama da Intervenção em Dor: Crescimento e Oportunidades
A Intervenção em Dor tem ganhado destaque como uma especialidade essencial na prática médica contemporânea. O aumento da prevalência de dor crônica, associado ao envelhecimento da população e às sequelas de diversas condições médicas, impulsiona a busca por profissionais qualificados nessa área. A demanda por médicos especializados em dor tem aumentado exponencialmente, tanto no sistema público e privado quanto no atendimento particular.
Segundo o Dr. Marcos Cardoso:
É uma área em expansão, e temos visto, nos últimos anos, um crescimento exponencial na procura por médicos da dor, tanto por parte dos pacientes quanto pelos planos de saúde e pela medicina de grupo, que subsidia o pagamento médico, necessitando de especialistas técnicos proficientes na atuação.
Principais condições tratadas
- Artroses (joelho, quadril, ombro);
- Patologias da coluna (hérnia discal, artropatias facetárias);
- Tendinopatias e entesopatias;
- Dor oncológica;
- Cefaleias crônicas.
Entrevista com Dr. Marcos Cardoso
Nesta entrevista exclusiva, o Dr. Marcos Cardoso compartilha sua visão sobre os desafios e as recompensas da carreira em Intervenção em Dor, comenta sobre as principais patologias abordadas, as tecnologias envolvidas nos procedimentos e explica sobre o curso que coordena no Cetrus — um dos mais completos do país na área.
Confira a seguir:
Educa Cetrus: A Intervenção em Dor tem se tornado uma área essencial na prática médica. Quais são os principais desafios e recompensas dessa especialidade?
Dr. Marcos Cardoso: O maior desafio para o médico da dor atualmente é aprofundar conhecimentos em diferentes áreas necessárias: o conhecimento anatômico, musculoesquelético, periférico, das articulações periféricas, da coluna vertebral, da dor oncológica, da fisiopatologia própria da dor e da farmacoterapia. São muitas áreas envolvidas, e esse talvez seja o maior desafio desse médico. Por outro lado, é uma área em expansão, e temos visto, nos últimos anos, um crescimento exponencial na procura por médicos da dor, tanto por parte dos pacientes quanto pelos planos de saúde e pela medicina de grupo, que subsidia o pagamento médico, necessitando de especialistas técnicos proficientes na atuação.
EC: Quais são as principais condições tratadas por especialistas em dor? Para médicos que desejam ingressar nesta área, quais habilidades e conhecimentos são fundamentais para uma atuação de excelência?
MC: Bom, são inúmeras — provavelmente incontáveis — as condições e patologias em que o médico da dor pode atuar. Eu diria que a maior parte dos médicos da dor trata das artropatias degenerativas (as artroses), como as do joelho, quadril, ombro e outras articulações periféricas. Trata também das tendinopatias e entesopatias ao redor do corpo, das patologias degenerativas da coluna vertebral — desde as doenças discais, como a hérnia discal, até as artropatias facetárias —, das dores oncológicas de forma ampla e das cefaleias.
As habilidades para se formar um bom médico da dor envolvem a propedêutica, o exame físico para as principais patologias, a interpretação de exames de imagem, o conhecimento anatômico com foco nas áreas musculoesquelética e neurológica, o domínio da ferramenta ultrassom (pela sua praticidade e portabilidade) e o domínio da radiografia (raio-X) ou radioscopia em ambiente de centro cirúrgico, para precisão em procedimentos mais complexos.
EC: Quais são as possibilidades de atuação profissional para médicos especializados em intervenção em dor, tanto no sistema de saúde quanto na prática privada?
MC: O médico da dor atua com pacientes internados, hospitalizados, controlando e conduzindo os casos de dor crônica. Ele atua como referência para o sistema de saúde e planos de saúde, sendo o técnico capaz de realizar procedimentos mais complexos.
O que vemos com mais frequência é que a medicina da dor abre portas para que o médico possa atender pacientes em consultório privado, realizando procedimentos que antes não realizava e podendo cobrar seus honorários referentes a cada um desses procedimentos.
EC: Como os conhecimentos em intervenção em dor ampliam as opções terapêuticas para pacientes com dores crônicas?
MC: A artrose do joelho exemplifica bem essa questão. Um paciente com artrose de joelho e plano de saúde, em geral, recebe duas possibilidades de tratamento. O primeiro é ultraconservador, fisioterápico, e o segundo é uma prótese de joelho.
Mas o aluno que cursa a pós-graduação em intervenção em dor aprende que esse mesmo paciente pode ser tratado com viscossuplementação, com proloterapia, com diversos ortobiológicos. Ele pode receber um bloqueio dos nervos geniculares ou mesmo uma denervação — seja ela termocoagulativa ou por crioablação.
EC: O curso de Pós-Graduação em Intervenção em Dor oferece treinamento em ultrassonografia e radioscopia para procedimentos em dor. Como essas tecnologias impactam a precisão e a segurança das intervenções?
MC: Tanto a ultrassonografia quanto a radioscopia são ferramentas que nos guiam nos procedimentos. Elas ajudam a garantir precisão e a documentar esses procedimentos. E a medicina do futuro vai exigir essas duas questões: precisão e documentação.
O ultrassom é uma ferramenta fantástica, que vem invadindo diversas áreas médicas. Ele nos dá a possibilidade de realizar procedimentos em ambiente ambulatorial, com toda a sua portabilidade. Muitas vezes, inclusive em domicílio — na casa do paciente —, ele nos ajuda a localizar grandes vasos e outras estruturas anatômicas que, muitas vezes, não são visíveis à radioscopia. Além disso, não expõe o paciente nem o médico à radiação.
Já a radioscopia, com ou sem o uso de contraste, nos permite intervir em estruturas mais profundas, distantes da superfície do corpo, onde o ultrassom não consegue alcançar.
EC: A capacitação em toxina botulínica para tratamento da dor é um dos diferenciais do curso. Quais são as principais aplicações dessa técnica na prática clínica?
MC: A toxina botulínica é uma ferramenta muito utilizada na intervenção em dor, para abordagens em diferentes patologias. No nosso curso, ela é abordada dentro das patologias do quadril e do ombro, e explorada na prática dentro do nosso módulo de cefaleias.
EC: Para os médicos que concluírem a pós-graduação, quais diferenciais a especialização em intervenção em dor pode proporcionar?
MC: O curso de Pós-Graduação em Intervenção em Dor do Cetrus dá ao aluno, em primeiro lugar, a capacidade de realizar um diagnóstico preciso da fonte de dor. E, em segundo lugar — e na minha opinião, mais importante —, oferece uma variedade de possibilidades terapêuticas, para que esse médico escolha junto ao paciente, seja em ambiente ambulatorial ou em centro cirúrgico, a melhor conduta.
EC: Qual é o perfil ideal do aluno para essa pós-graduação? É necessário ter experiência prévia em alguma área específica?
MC: As especialidades que mais se beneficiam do curso de pós-graduação em intervenção em dor são: ortopedia, anestesiologia, radiologia, ultrassonografia, reumatologia, fisiatria e neurocirurgia. Ainda assim, não há um critério de barreira que impeça o médico clínico de cursar a pós-graduação.
Diferenciais da Pós-Graduação em Intervenção em Dor do Cetrus
- Práticas em ultrassom e radioscopia;
- Aulas em cadáver fresh frozen para máxima precisão técnica;
- Módulos especializados em dor oncológica, coluna, cefaleia e medicina regenerativa;
Com uma metodologia que combina teoria e prática intensiva, o curso do Cetrus te prepara para realizar procedimentos intervencionistas com segurança e precisão. Além disso, você terá acesso a um corpo docente qualificado e a uma ementa abrangente, que explora desde a farmacologia da dor até as técnicas mais avançadas de intervenção guiada por imagem e o uso de terapias inovadoras como a toxina botulínica e os ortobiológicos.







