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Aumento da pressão intracraniana pode ser idiopático

Neurossonografia é método não invasivo para monitorar a circulação sanguínea cerebral do paciente

Ilustração de uma lupa investigando a cabeça de uma pessoa, com o cérebro aparecendo
Hipertensão intracraniana é melhor monitorada com exames de imagem, como a neurossonografia

Hipertensão intracraniana (HIC) é uma condição de saúde que habitualmente surge em pacientes internados em unidades de tratamento intensivo (UTI) e se define pela pressão intracraniana acima de 22 mmHg.

Uma elevação repentina da pressão intracraniana (PIC), por exemplo, pode ser resultado de um traumatismo cranioencefálico grave, derrame ou abcesso cerebral. Essas situações são chamadas de HIC aguda.

Mas essa condição também pode ser de longa duração, conhecida então como HIC crônica. É rara e a etiologia muitas vezes não pode ser identificada. Esses quadros são chamados de hipertensão intracraniana idiopática (HII). São mais comuns em mulheres em idade fértil (entre 20 e 50 anos), principalmente naquelas com excesso de peso — a incidência é de 1/100.000 em mulheres com peso normal e de 20/100.000 nas obesas.

O quadro de HIC pode surgir em crianças, após a suspensão de corticoides ou do uso de hormônios do crescimento. Outra possível causa é após a administração de determinados antibióticos como tetraciclinas ou grandes quantidades de vitamina A.

A estabilidade da pressão intracraniana resulta do equilíbrio de um sistema constituído pelo volume sanguíneo, parênquima cerebral e líquor (LCR). O aumento de um desses componentes pode acarretar elevação da PIC, já que o espaço intracraniano é considerado constante, por estar contido pela rígida calota intracraniana.

Quando suspeitar da hipertensão intracraniana

Os principais sintomas da hipertensão intracraniana crônica são:

  • Cefaleias generalizadas, com frequência diária, de intensidade variável e acompanhadas de náuseas;
  • Vômitos;
  • Obscurecimento transitório da visão;
  • Diplopia (visão dupla);
  • Zumbido intracraniano pulsátil;
  • Papiledema bilateral;
  • Sonolência e/ ou irritabilidade;

Existem pacientes que apresentam também a tríade de Cushing (bradicardia, hipertensão arterial e arritmia respiratória).

Em alguns casos, a perda de visão começa de forma periférica e pode até não ser notada até o quadro estar bem avançado. A demora nessa percepção aumenta o risco da perda permanente da visão, mesmo com a posterior redução da PIC.

Como é feito o diagnóstico

Inicialmente a hipertensão intracraniana pode ser reconhecida pelo oftalmologista ou pelo médico intensivista. No primeiro caso, o médico pode observar no edema próximo ao nervo óptico no exame de fundo de olho. Outras vezes, a presença dos sintomas citados é que sugere a possibilidade do quadro.

Quando há suspeita de HIC, o primeiro exame recomendado é a tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste, para verificar a presença de hemorragia. A punção lombar também pode ser feita, com o objetivo de avaliar a composição do líquor.

Outros exames de imagem também podem contribuir, como a venografia por ressonância magnética e a ultrassonografia com efeito Doppler, que permite não só a visualização das artérias e veias do cérebro, como também a direção do fluxo de sangue e com isso um melhor mapeamento de uma possível obstrução vascular.

Como tratar e a hipertensão intracraniana

Existem casos em que a hipertensão intracraniana se resolve espontaneamente. Mas, normalmente, algumas medidas são tomadas para a diminuição dos níveis pressóricos. Se a causa da HIC é conhecida, então o tratamento específico direcionado para o caso é selecionado.

No caso de pacientes com HIC idiopática o tratamento envolve:

  • Acetazolamida ou outros diuréticos;
  • Perda de peso;
  • Mudanças na dieta, limitando sal;
  • Fármacos usados para dor de cabeça, especialmente topiramato;
  • Punções lombares frequentes para reduzir o líquido na dentro do sistema líquorico.

Se o paciente está internado em uma UTI, as principais medidas são2:

  • Cabeceira elevada a 30 graus;
  • Otimização da drenagem venosa: manter o pescoço em posição neutra;
  • Monitoramento da pressão venosa central e evitar hipervolemia excessiva;
  • Sedação, utilizando-se propofol, a fim de reduzir a demanda metabólica;
  • Hiperventilação mantendo-se a PCO2 entre 26 e 30 mmHg.

Ao aplicar essas medidas de tratamento, o exame ultrassonográfico com Doppler é uma ferramenta imprescindível ajudando no monitoramento da circulação sanguínea do cérebro de forma não invasiva e permitindo o acompanhamento do sucesso terapêutico.

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Referências
  1. Giugno, KM et al. “Tratamento da hipertensão intracraniana”. J. Pediatr. (Rio J.) vol.79 no.4 Porto Alegre July/Aug. 2003
  2. Costa, LS. Martins, WA. Marrone, LCP. “Avaliação e reconhecimento da síndrome de hipertensão intracraniana”. Acta méd. (Porto Alegre); 35: [6], 2014
  3. Silberstein, SD. Hipertensão intracraniana idiopática. Manual MSD, 2020. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/cefaleia/hipertens%C3%A3o-intracraniana-idiop%C3%A1tica Acesso em: 10 de dezembro de 2020
  4. Intracranial Hypertension. United Kingdom National Health Service, 2019. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/intracranial-hypertension/. Acesso em: 10 de dezembro de 2020
  5. Idiopathic Intracranial Hypertension. United States National Eye Institute (NEI). Disponível em: https://www.nei.nih.gov/learn-about-eye-health/eye-conditions-and-diseases/idiopathic-intracranial-hypertension. Acesso em: 10 de dezembro de 2020

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