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Lesões no esporte: qual o papel do médico na sua prevenção e controle na preparação de atletas

Confira bate-papo com o Dr. Rodrigo Sasson, ortopedista especialista em esporte e médico do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e da Seleção Brasileira de Ginástica Artística

Dr. Rodrigo Sasson fala sobre lesões esportivas
Dr. Rodrigo Sasson fala sobre lesões esportivas

As lesões musculares são um fator importante para quem estuda Medicina do Exercício e do Esporte e é papel do especialista nesta área tanto preveni-las durante a prática da atividade física quanto lidar com sua aparição que muitas vezes é inerente à modalidade executada.

Isso acontece bastante com esportistas amadores, mas é ainda mais visível em que é atleta profissional. Em anos de Olimpíadas o assunto fica ainda em maior destaque na mídia. Por isso, chamamos o Dr. Rodrigo Sasson, coordenador do curso intensivo de Lesões Musculares e da Pós-Graduação em Medicina do Exercício e do Esporte do Cetrus para um bate-papo sobre lesões e esportistas. Ele também é médico do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e da Seleção Brasileira de Ginástica Artística e contou um pouco sobre sua experiência como membro da Comitiva Médica Brasileira em Tóquio 2020.

Educa Cetrus: Como funciona o manejo das lesões quando se está preparando um atleta para um evento mundial como as Olimpíadas?

Rodrigo Sasson: O foco principal na Medicina do Esporte é o trabalho preventivo das lesões e controle de carga, o que é feito com a monitorização do dia a dia do atleta, controlando as atividades que ele realiza e o impacto disso em seu corpo. Essa é a melhor forma de realizar a prevenção, pois conseguimos trabalhar os ciclos necessários para a competição que é considerada mais importante para o atleta, que pode ser as Olímpiadas ou algum Evento Mundial importante. Não dá para trabalhar para uma competição específica duas semanas ou dois meses antes, isso deve ser feito no dia a dia.

No entanto, lesões especificas são inerentes ao esporte. Em caso de ocorrência de uma, agimos o mais precocemente possível e de forma multidisciplinar e tentando tirar nosso atleta o mínimo possível do ambiente esportivo.

Para o profissional de Medicina do Esporte, é importante entender o tipo de lesão, o gestual esportivo daquela modalidade específica e entender os principais protocolos sabendo que são individualizados. Ter as noções multidisciplinares é o mais importante, desde o entendimento da anatomia, avaliação física, com complementação usando exames (como RM e US), entendimento do tipo e características da lesão, protocolos multidisciplinares com exercícios de fisioterapia e preparação física e por fim a medicina regenerativa com seus procedimentos e equipamento para melhor tratamentos do atleta. É esse o caminho que fazemos em nosso curso intensivo de Lesões Musculares – O Estado da Arte.

EC: Durante as Olímpiadas deste ano, chamou atenção a notícia da lesão da Flávia Saraiva durante as qualificatórias na trave, que a levou a desistir dos outros dois aparelhos para focar na final para qual ela havia se qualificado. É comum que lesões ocorram durante a competição? E como funciona a decisão de parar ou não?

RS: Em qualquer caso a decisão tem que ser feita de forma multidisciplinar. Claro que a palavra final é do atleta, mas é preciso levar em conta a visão treinador, médico e fisioterapeuta. A decisão deve ser estratégica, visando melhor para a saúde do atleta, mas também considerando a importância. Em alguns casos retirar o atleta de cena na partida seguinte ou de uma categoria específica permite que ele esteja em melhores condições para outro evento mais importante para ele.

EC: E o que é levado em conta quando temos um atleta com um histórico grande de lesões e cirurgias prévias, como aconteceu com a Rebeca Andrade nos últimos cinco anos e acontece com outros atletas também?

RS: Tentamos prevenir a lesão, mas sabemos que ela acontece e nessas situações é preciso agir. Nesses casos, há uma quebra de ciclo e é preciso remontar toda a organização que foi feita anteriormente para a meta do atleta. Nisso é importante a atuação multidisciplinar, com a avaliação do médico, atuação do fisioterapeuta, adaptação dos planos do treinador, fortalecimento muscular, preparação física focada e, principalmente, a preparação mental para ele conseguir lidar com aquela dificuldade que surgiu no caminho. Não existe trabalho isolado, a equipe da saúde da performance é composta por uma série de pessoas com funções diferentes, mas que se unem em um objetivo comum.

EC: Como é para o médico da equipe ver uma atleta finalmente conquistando medalhas inéditas, como o ouro e a prata da Rebeca Andrade?

RS: Foi uma das ocasiões mais gratificantes da minha vida, uma das maiores experiências profissionais que eu já tive, difícil ter outra igual. É claro que não podemos mensurar o resultado só pela medalha, mas sabemos que ela é o maior objetivo de um atleta. E quando ela é conquistada, vemos o trabalho de uma equipe enorme sendo coroado.

Quer saber ainda mais sobre essa área? Confira a programação do curso intensivo de Lesões Musculares – O Estado da Arte do Cetrus

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