A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é um método amplamente utilizado na avaliação diagnóstica de nódulos, permitindo a distinção entre lesões benignas e malignas de forma minimamente invasiva.
No entanto, em casos de nódulos localizados em regiões anatômicas de difícil acesso, como os posteriores, profundos ou próximos a estruturas vasculares importantes, o procedimento pode representar um desafio técnico significativo. Nesses cenários, o uso de técnicas guiadas por ultrassonografia de alta resolução ou, em situações selecionadas, por tomografia computadorizada, é fundamental para garantir maior precisão na punção, minimizar riscos e aumentar o rendimento diagnóstico.
Conceito e importância da PAAF
A PAAF da tireoide é um procedimento diagnóstico fundamental na avaliação de nódulos tireoidianos, sendo considerada o padrão-ouro para distinguir lesões benignas das malignas.
Trata-se de uma técnica minimamente invasiva, rápida e segura, que consiste na aspiração de material celular da glândula por meio de uma agulha fina, geralmente entre calibres 22 e 27, permitindo análise citológica detalhada sem necessidade de cirurgia.
Sua ampla utilização decorre da alta precisão diagnóstica, baixo custo e reduzida taxa de complicações, características que a consolidam como ferramenta indispensável na prática endocrinológica.
Portanto, seu papel na triagem, diagnóstico e acompanhamento das doenças nodulares da tireoide é incontestável, tornando-se um pilar essencial na abordagem moderna desses pacientes.
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Indicações em nódulos de difícil acesso
Recomenda-se a PAAF guiada por ultrassonografia para a maioria dos nódulos tireoidianos, especialmente quando há limitações no acesso ou na palpação.
Essa abordagem é indispensável em casos de nódulos não palpáveis, profundos, predominantemente císticos ou localizados próximos a vasos sanguíneos, nos quais a orientação ultrassonográfica garante maior precisão e segurança.
Além disso, indica-se a técnica quando uma PAAF prévia guiada por palpação foi inconclusiva, bem como em situações em que há áreas específicas do bócio com alterações suspeitas, como aumento de consistência, dor, sensibilidade ou crescimento recente.
A ultrassonografia também orienta a punção em casos de suspeita de recidiva tumoral e na avaliação citológica de linfonodos potencialmente metastáticos, ampliando o valor diagnóstico da PAAF e contribuindo para um manejo mais assertivo das doenças tireoidianas.
Principais desafios técnicos
A realização da punção aspirativa por agulha fina (PAAF) pode apresentar diversos desafios técnicos que influenciam diretamente a qualidade da amostra e, consequentemente, a precisão diagnóstica.
Entre os principais obstáculos estão a localização e o tamanho dos nódulos, especialmente quando são pequenos, profundos, parcialmente císticos ou situados próximos a estruturas vasculares e traqueais, o que exige maior habilidade do operador e, preferencialmente, o uso de guias ultrassonográficas.
Outro ponto crítico é a quantidade e representatividade do material coletado. Amostras insuficientes ou mal posicionadas podem resultar em laudos inconclusivos ou falso-negativos. Além disso, fatores como movimentação do paciente, escolha inadequada do calibre da agulha, uso incorreto da pressão de aspiração e falta de padronização da técnica também podem comprometer o resultado.
Por fim, o treinamento e a experiência do profissional são determinantes para minimizar falhas. A PAAF, embora simples em teoria, requer destreza técnica e conhecimento anatômico para garantir a coleta precisa e segura do material, sobretudo em nódulos de difícil acesso, nos quais a margem de erro é mais estreita e o controle visual ultrassonográfico torna-se indispensável.
Métodos de imagem para guiar a PAAF
Ultrassonografia
A ultrassonografia é o principal método de imagem utilizado para guiar a PAAF da tireoide, especialmente em nódulos de difícil acesso.
O uso do ultrassom em tempo real permite visualizar com precisão a trajetória da agulha durante o procedimento, aumentando a segurança e a acurácia diagnóstica. Portanto, essa técnica é essencial para nódulos não palpáveis, predominantemente císticos, pequenos, profundos ou próximos a vasos sanguíneos, situações em que a punção guiada por palpação se torna inviável.
A inserção da agulha pode ser feita manualmente ou com o auxílio de guias acoplados ao transdutor, permitindo trajetórias paralelas ou oblíquas ao feixe ultrassonográfico, conforme a preferência e experiência do operador. O uso do Doppler é um recurso adicional que ajuda a identificar e evitar estruturas vasculares, minimizando complicações e melhorando a qualidade da amostra coletada.
Além da punção de nódulos tireoidianos, também utiliza-se a ultrassonografia na avaliação de linfonodos cervicais suspeitos e na investigação de recidiva de câncer de tireoide. Nesses casos, a análise do material aspirado, aliada à dosagem de tireoglobulina no lavado da agulha, pode auxiliar na distinção entre linfonodos benignos e metastáticos. Portanto, isso torna o ultrassom uma ferramenta indispensável na condução precisa e segura da PAAF.
Tomografia computadorizada (TC) e Ressonância magnética (RM)
Também emprega-se a tomografia computadorizada (TC) em casos complexos. Isso porque ela oferece excelente definição anatômica e capacidade de orientar com precisão a introdução da agulha, principalmente quando a lesão se encontra próxima a estruturas vitais. Esse método permite avaliar alterações sutis e delimitar o trajeto mais seguro para a punção.
Por outro lado, a ressonância magnética (RM) destaca-se por sua superioridade na diferenciação de tecidos moles. Nesse contexto, ela torna-se útil para mapear a extensão e o comportamento das lesões em regiões complexas.
Apesar da alta resolução das imagens fornecidas por TC e RM, essas técnicas isoladamente não fornecem diagnóstico histopatológico, motivo pelo qual a integração entre métodos de imagem e a PAAF é essencial. Essa combinação aumenta a acurácia diagnóstica, minimiza complicações e pode evitar cirurgias desnecessárias. A escolha do método depende da localização anatômica e da experiência da equipe.
Cuidados durante e após o procedimento
Durante a realização da PAAF da tireoide, é essencial garantir um ambiente controlado e técnica(s) adequada(s) para minimizar riscos e maximizar a qualidade da amostra.
Portanto, posiciona-se o paciente em decúbito dorsal com o pescoço hiperestendido, o que facilita o acesso à glândula e melhora a visualização ultrassonográfica. Além disso, o uso de luvas e assepsia local são obrigatórios, e a comunicação constante entre o profissional e o paciente ajuda a reduzir movimentos involuntários.
Durante a punção, recomenda-se aspirar de diferentes áreas do nódulo, preferindo regiões sólidas e periféricas, evitando o centro necrótico. Após a coleta, o material deve ser rapidamente preparado nas lâminas para evitar degradação celular.
Após o procedimento, aplica-se pressão firme com gaze estéril no local da punção para prevenir sangramentos, seguida de um curativo simples. O paciente deve ser observado por alguns minutos para garantir que não haja intercorrências imediatas, como dor intensa ou hematoma. Durante esse período, o profissional pode orientar o paciente sobre cuidados domiciliares e possíveis sinais de complicações.
Complicações e estratégias de prevenção
A PAAF da tireoide é considerada um método altamente seguro, com baixa taxa de complicações.
Os eventos adversos mais comuns incluem dor leve, equimose e pequenos hematomas, geralmente autolimitados. Casos de rouquidão transitória decorrente de irritação do nervo laríngeo recorrente são raros. Ademais, hemorragias significativas ou infecções locais praticamente não ocorrem, e a disseminação tumoral no trajeto da agulha é um evento excepcionalmente incomum.
Entre as estratégias de prevenção, destacam-se o uso de agulhas finas (25–27 G), a limitação do número de punções, a aspiração guiada por ultrassom para maior precisão e a avaliação prévia do uso de anticoagulantes. Pacientes em terapia anticoagulante podem ser submetidos ao procedimento com segurança, desde que sejam tomados cuidados adicionais, como o monitoramento pós-biópsia e o uso de calibres menores de agulha.
Manter técnica delicada, evitar múltiplas passagens desnecessárias e realizar compressão adequada após o procedimento são medidas fundamentais para reduzir complicações e garantir segurança e conforto ao paciente.
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Referências
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- Jasim S, Dean DS, Gharib H. Aspiração por agulha fina da glândula tireoide. [Atualizado em 23 de março de 2023]. In: Feingold KR, Ahmed SF, Anawalt B, et al., editores. Endotext [Internet]. South Dartmouth (MA): MDText.com, Inc.; 2000. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK285544/
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