Paratireoide no ultrassom: localização e diagnóstico das principais alterações

A imagem mostra uma paciente em decúbito dorsal sendo submetida a ultrassonografia cervical para avaliação das glândulas paratireoides.

Índice

A ultrassonografia das paratireoides é um exame de imagem de grande relevância na prática clínica, especialmente na investigação de distúrbios do metabolismo do cálcio, como o hiperparatireoidismo primário e secundário.

Apesar de pequenas e frequentemente difíceis de serem identificadas, as glândulas paratireoides podem ser avaliadas por meio do ultrassom de alta resolução, permitindo a detecção de alterações estruturais, como adenomas, hiperplasias e, mais raramente, carcinomas.

Nesse contexto, a correta localização dessas lesões é fundamental para o planejamento cirúrgico minimamente invasivo, contribuindo para melhores resultados terapêuticos. Além disso, o exame apresenta vantagens por ser acessível, não invasivo e isento de radiação, consolidando-se como ferramenta essencial no diagnóstico e acompanhamento de doenças paratireoidianas.

Anatomia e localização habitual das glândulas paratireoides

As glândulas paratireoides são pequenas estruturas, medindo cerca de 6 mm no eixo craniocaudal e 3 a 4 mm no transversal, com formato de disco achatado. Em condições normais, seu tamanho reduzido faz com que não sejam visualizadas na maioria dos métodos de imagem, de modo que a identificação ultrassonográfica geralmente sugere alguma alteração patológica.

Habitualmente, existem quatro glândulas:

  • As superiores localizam-se na região posterior dos lobos superiores da tireoide.
  • As inferiores apresentam maior variabilidade anatômica devido à sua origem embriológica relacionada ao timo. Cerca de metade da população apresenta as glândulas inferiores ao longo do polo tireoidiano inferior, enquanto uma parcela menor pode tê-las deslocadas abaixo do lobo ou mesmo em trajetos que vão do ângulo da mandíbula ao mediastino superior.

Além disso, tecido paratireoide intratireoidiano pode ser encontrado em aproximadamente 2% dos casos, e glândulas supranumerárias são descritas em até 13% dos indivíduos, mais frequentemente na região tímica.

Visão posterior das posições habituais das glândulas paratireoides superiores (setas brancas) e inferiores (pontas de seta), evidenciando sua proximidade com a glândula tireoide e com estruturas vizinhas. Fonte: Johnson, 2012.

Técnica de exame e posicionamento

Para a avaliação ultrassonográfica das paratireoides, o paciente deve permanecer em decúbito dorsal, com um travesseiro sob os ombros para promover leve hiperextensão cervical.

Utiliza-se transdutor linear de alta frequência, geralmente entre 12 e 15 MHz, possibilitando imagens de alta resolução. O exame deve incluir cortes longitudinais, abrangendo desde a artéria carótida até a linha média, e cortes transversais, estendendo-se do osso hioide até a entrada torácica. A deglutição durante o exame pode auxiliar na visualização de glândulas inferiores situadas em posição mais profunda, próximas às clavículas.

Além da análise em escala de cinza, a avaliação é complementada pelo Doppler colorido e de amplitude, útil na identificação de vasos nutricionais e no estudo da vascularização de adenomas suspeitos.

Por fim, em pacientes de difícil escaneamento, a compressão progressiva de tecidos superficiais e musculatura cervical pode otimizar a obtenção de imagens.

Achados ultrassonográficos da glândula normal

As glândulas paratireoides normais, devido ao seu pequeno tamanho, geralmente não são identificadas na ultrassonografia. Portanto, quando visíveis, esse achado sugere a possibilidade de alteração patológica.

Entretanto, no exame utilizando transdutor de alta frequência (5–10 MHz), uma paratireoide pode aparecer como um nódulo oval, bem delimitado, homogêneo e hipoecoico, contrastando com a maior ecogenicidade do tecido tireoidiano adjacente.

Principais alterações patológicas das glândulas paratireoides

No ultrassom, as alterações patológicas das glândulas paratireoides podem manifestar-se como nódulos com formatos variados, incluindo o aspecto de feijão ou contornos multilobulados, além de alterações vasculares detectáveis ao Doppler.

No exame ultrassonográfico, alterações patológicas das glândulas paratireoides costumam manifestar-se como nódulos hipoecoicos, bem delimitados, localizados geralmente posteriores ou inferiores à glândula tireoide. Esses nódulos podem apresentar formatos variados, como aspecto de feijão ou contornos multilobulados, e muitas vezes exibem alterações vasculares ao Doppler.

O padrão de vascularização é característico: observa-se fluxo sanguíneo abundante, com arco vascular periférico e um vaso nutridor polar, geralmente proveniente de ramos da artéria tireoide inferior. Esse achado auxilia na diferenciação em relação aos linfonodos cervicais, que apresentam irrigação predominantemente hilar. Outras características que podem estar presentes incluem o aumento assimétrico da vascularização no parênquima tireoidiano adjacente e a presença de cápsula hiperecoica delimitando a lesão.

Ademais, as principais alterações das glândulas paratireoides estão geralmente relacionadas ao aumento de seu volume ou à presença de lesões que modificam sua morfologia e função. Entre elas, destacam-se:

  • Adenoma da paratireoide, causa mais comum de hiperparatireoidismo primário.
  • Hiperplasia paratireoidiana, frequentemente associada ao hiperparatireoidismo secundário.
  • Carcinoma de paratireoide, raro, mas apresenta comportamento agressivo.

Adenoma da paratireoide

O adenoma de paratireoide costuma apresentar-se no ultrassom em escala de cinza como uma lesão homogeneamente hipoecoica em relação à tireoide adjacente, sendo mais facilmente identificado quando ultrapassa 1 cm de diâmetro. Essa característica está relacionada à alta celularidade típica da lesão.

Morfologicamente, tende a ser oval ou em formato de feijão, embora adenomas maiores possam assumir aspecto multilobulado.

A ultrassonografia evidencia um adenoma hipoecoico característico (setas), localizado profundamente ao polo inferior da tireoide. Fonte: Johnson, 2012.

Além disso, no estudo com Doppler colorido, observa-se frequentemente um vaso de alimentação extratireoideano, geralmente originado da artéria tireoidiana inferior, que penetra em um dos polos da glândula. A vascularização interna costuma ter padrão periférico, com ramificações que formam um arco característico antes de atingir regiões mais centrais.

O exame ultrassonográfico com Doppler colorido evidencia vasos nutricionais periféricos (seta), achado característico dos adenomas de paratireoide. Nota-se ainda o padrão vascular típico em arco ou ao longo da borda da lesão. Fonte: Johnson, 2012.

Hiperplasia paratireoidiana

A hiperplasia paratireoidiana representa um desafio diagnóstico no ultrassom, já que as glândulas, em média com dimensões de 5 × 3 × 1 mm, são muito pequenas e dificilmente visualizadas. Diferente dos adenomas, o aumento isolado costuma ser discreto, o que dificulta a detecção por imagem.

A imagem ultrassonográfica evidencia discreto aumento de volume na glândula paratireoide superior direita. Fonte: Johnson, 2012.

Histologicamente, a presença de células principais, estroma fibrovascular e adipócitos contribui para a isoecogenicidade em relação à tireoide adjacente. Entretanto, quando há maior compactação celular, as glândulas hiperplásicas podem se apresentar hipoecoicas no exame ultrassonográfico, semelhante ao que ocorre nos adenomas.

Carcinoma de paratireoide

O carcinoma de paratireoide apresenta, no ultrassom, características sugestivas de malignidade, incluindo lesões volumosas, com margens mal definidas e vascularização aumentada ou irregular.

Nos casos de recorrência, os achados mais frequentes são nódulos sólidos hipoecoicos presentes na maioria dos pacientes, frequentemente acompanhados de hipervascularização ao Doppler.

Correlação com exames laboratoriais e outros métodos de imagem

A investigação das paratireoides envolve a correlação de achados ultrassonográficos com exames laboratoriais e outros métodos de imagem para garantir precisão diagnóstica.

Por exemplo, o cálcio sérico deve ser confirmado em repetições, podendo incluir cálcio ionizado, especialmente em casos de hiperparatireoidismo normocalcêmico. Além disso, a dosagem simultânea de PTH permite diferenciar hiperparatireoidismo primário de outras causas de hipercalcemia. A 25-hidroxivitamina D sérica também é útil para identificar deficiência que possa mascarar ou exacerbar o hiperparatireoidismo.

Por fim, métodos de imagem complementares incluem cintilografia, tomografia e densitometria óssea para caracterizar lesões e avaliar órgãos-alvo, como rins e ossos.

Leia também “Entrevista sobre nódulos de tireoide e ablação por radiofrequência“!

Avanços e limitações da ultrassonografia na avaliação da paratireoide

A ultrassonografia das paratireoides apresenta forte dependência do operador, o que torna as comparações entre diferentes estudos um desafio.

Nos últimos anos, entretanto, a evolução tecnológica tem ampliado sua precisão, permitindo a detecção de lesões pequenas e com padrões vasculares característicos, como os adenomas. Em muitos casos, exames ultrassonográficos de alta qualidade mostram-se utéis para o mapeamento pré-operatório, reduzindo a necessidade de métodos complementares.

Além disso, o método contribui para o planejamento cirúrgico, oferecendo informações detalhadas sobre a localização da lesão.

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Referências

  • Fuleihan, G. E.; Silverberg, S. Primary hyperparathyroidism: Diagnosis, differential diagnosis, and evaluation. UpToDate, 2025.
  • Johnson, N. A.; Tublin, M. E.; Ogilvie, J. B. Parathyroid Imaging: Technique and Role in the Preoperative Evaluation of Primary Hyperparathyroidism. American Journal of Roentgenology, 2007.
  • Knipe, H. Glândulas paratireoides. Radiopaedia, 2025.
  • Sung, J. Y. Parathyroid ultrasonography: the evolving role of the radiologist. Ultrasonography, 2015.

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