A deformidade do pé plano ou pé chato é uma condição ortopédica prevalente e multifacetada que exige dos profissionais de saúde um profundo conhecimento etiológico, fisiopatológico e terapêutico. Embora frequentemente assintomática, especialmente em crianças, sua progressão pode levar a significativas alterações biomecânicas, dor crônica e comprometimento da qualidade de vida dos pacientes.
Para ortopedistas que buscam excelência e aprimoramento contínuo em seu campo de atuação, a compreensão aprofundada das nuances do pé plano, bem como o domínio das mais avançadas técnicas cirúrgicas de correção, são essenciais.
Etiologia e epidemiologia do pé plano
O pé plano pode ser congênito ou adquirido, com diferentes mecanismos fisiopatológicos:
- Congênito: Comum em crianças devido à frouxidão ligamentar e imaturidade neuromuscular. A maioria desenvolve arcos normais até os 5-6 anos, mas alguns persistem com a deformidade.
- Adquirido: Associado à disfunção do tendão tibial posterior (TP), trauma, artropatias (como artrite reumatoide), neuropatias (Charcot) ou obesidade.
Estima-se que entre 20% e 37% da população mundial apresente algum grau de pé plano, sendo a maioria dos casos do tipo flexível.
Fisiopatologia da deformidade
O arco longitudinal medial do pé é mantido por uma estrutura complexa envolvendo o calcâneo, navicular, tálus e metatarsos, juntamente com ligamentos e tendões. A disfunção de qualquer componente dessa unidade pode resultar em colapso do arco, promovendo alterações biomecânicas relevantes nos membros inferiores e na coluna lombar. Entre os principais fatores fisiopatológicos estão a fraqueza do tibial posterior, o encurtamento do tendão de Aquiles e a frouxidão ligamentar.
Avaliação clínica e diagnóstica
A anamnese detalhada deve incluir histórico de trauma, comorbidades (como diabetes e artrite reumatoide), padrão de marcha e histórico familiar. No exame físico, avaliam-se o grau de flexibilidade, pronação excessiva, sinal dos “muitos dedos” e força do tendão tibial posterior.
Em exames de imagem, radiografias com carga, avaliação do ângulo de Meary e inclinação do calcâneo são essenciais para o diagnóstico, além de ressonância magnética em casos de suspeita de lesão ligamentar ou tendinosa. A diferenciação entre pé plano flexível e rígido guia diretamente a decisão terapêutica.
Tratamento: quando a cirurgia é indicada?
A abordagem inicial costuma ser conservadora, com órteses, fisioterapia, controle de peso e analgesia. No entanto, casos de deformidade progressiva, dor refratária ou colapso articular requerem intervenção cirúrgica.
As principais técnicas cirúrgicas para correção do pé plano variam conforme a etiologia (congênita, adquirida, neuromuscular), a gravidade da deformidade e a idade do paciente. Em geral, os procedimentos buscam corrigir o desalinhamento do retropé, restaurar o arco medial e estabilizar as estruturas ligamentares e tendíneas.
A seguir, estão as técnicas mais utilizadas:
| Técnica | Indicações | Objetivo/Finalidade |
|---|---|---|
| Osteotomia do calcâneo (medializante) | Valgismo do retropé com deformidade flexível ou moderada | Medializar o calcâneo para corrigir o desalinhamento do retropé |
| Osteotomia de Cotton | Insuficiência da coluna medial com pronação excessiva do antepé | Aumentar a dorsiflexão da primeira coluna e restaurar o arco medial |
| Osteotomia Lapicotton | Deformidade mais complexa com colapso medial e rigidez | Combinar correção angular e alongamento da coluna medial |
| Artrodese navículo-cuneiforme | Instabilidade ou colapso estrutural na articulação navículo-cuneiforme | Estabilizar a coluna medial e manter a integridade do arco |
| Artrodese dupla via medial única | Pé plano rígido, progressivo, refratário a tratamentos prévios | Fusão da articulação subtalar e talonavicular por via única |
| Transferência do FLD (flexor longo dos dedos) | Disfunção do tendão tibial posterior em estágios iniciais ou moderados | Reforçar a função de inversão e suporte do arco medial |
| Reconstruções ligamentares (mola/deltoide) | Insuficiência ligamentar do complexo medial (lig. da mola, deltoide, etc.) | Restaurar o suporte passivo do arco e prevenir progressão da deformidade |
Complicações e prognóstico
Como toda intervenção cirúrgica, os procedimentos para correção do pé plano têm riscos, incluindo infecção, má união, dor persistente e falhas no implante. O prognóstico varia conforme o estágio da doença, a etiologia subjacente e a adesão ao tratamento pós-operatório. O sucesso é maximizado com seleção criteriosa dos pacientes e execução adequada da técnica.
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Conteúdo teórico
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- Abordagem em crianças e adultos
Conteúdo prático
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- Osteotomia do calcâneo
- Alongamento da coluna lateral
- Osteotomia de Cotton e Lapicotton
- Artrodese dupla pela via medial única
- Transferência do tendão flexor longo dos dedos
- Reconstrução ligamentar
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