O câncer representa um dos maiores desafios da medicina moderna, e o estadiamento preciso da doença é importante para definir o tratamento adequado e o prognóstico do paciente. Entre os métodos de imagem disponíveis, a tomografia por emissão de pósitrons combinada com a tomografia computadorizada (PET-CT) destaca-se como uma ferramenta essencial para o estadiamento inicial de diversas neoplasias.
Dessa forma, o PET-CT corresponde a um exame de diagnóstico por imagem que une os recursos da medicina nuclear com os da radiologia.
O que é o PET-CT e como funciona?
O PET-CT é uma modalidade de imagem que combina duas técnicas distintas: a tomografia por emissão de pósitrons (PET) e a tomografia computadorizada (CT). A PET avalia a atividade metabólica dos tecidos utilizando um radiofármaco, geralmente a fluordesoxiglicose (FDG), que é uma forma de glicose marcada com um isótopo radioativo (18F). As células cancerígenas, devido ao seu metabolismo acelerado, captam mais glicose que as células normais, permitindo a detecção de áreas com alta atividade metabólica.
Já a tomografia computadorizada (CT) fornece uma imagem anatômica detalhada do corpo, utilizando raios-X para gerar cortes transversais. Quando combina-se essas duas modalidades, o PET-CT proporciona tanto a informação metabólica quanto a anatômica, oferecendo uma visão abrangente das lesões suspeitas. Isso permite a identificação precisa da localização e da extensão do câncer, além de facilitar a distinção entre tecidos benignos e malignos.
Como o exame é realizado?
Antes do exame, o paciente pode ser instruído a seguir algumas orientações, como jejum por algumas horas. Isso é especialmente importante para evitar a interferência de alimentos e bebidas nos resultados, particularmente no que diz respeito ao nível de glicose no sangue.
O exame começa com a administração intravenosa de um radiofármaco, que acumula-se na região corporal que será analisada. Nessa área, ocorre a emissão de raios gama, captados por um detector de radiações, componente da tomografia por emissão de pósitrons, o qual está conectado a um computador responsável por gerar as imagens. Após a injeção do radiofármaco, há um período de espera, geralmente de 30 a 60 minutos, para permitir que o FDG se distribua e se acumule nas áreas de interesse.
Após a injeção intravenosa de glicose marcada com um composto radioativo, esta se distribui pelo corpo, concentrando-se em maior quantidade nos tecidos tumorais. Isso ocorre porque os tumores malignos têm um metabolismo mais acelerado, o que resulta em um consumo maior de glicose em comparação aos tecidos normais.
Assim, os resultados são então analisados por um radiologista ou especialista em medicina nuclear, que interpreta as imagens para avaliar a presença e a extensão do câncer. O relatório resultante é compartilhado com o médico responsável pelo paciente para auxiliar na decisão sobre o tratamento.
Indicações do PET-CT
A principal vantagem do PET/CT em comparação com outros métodos de diagnóstico por imagem, como a ressonância magnética, ultrassonografia e tomografia computadorizada, é a sua capacidade de avaliar a atividade metabólica das lesões tumorais em todo o organismo.
Durante o exame, o contador de cintilações integrado à tomografia captura as imagens, que aparecem como manchas ou regiões com brilho mais intenso nas áreas onde estão presentes as lesões tumorais. Além de detectar tumores, o PET/CT permite medir a intensidade luminosa observada nas imagens. Essa análise da intensidade fornece uma estimativa da atividade metabólica tumoral: quanto maior a atividade, mais intenso será o brilho, como ilustrado na Figura a seguir.
Além disso, quando os pacientes passam por quimioterapia e, em seguida, realizam o exame PET/CT, as imagens das lesões exibem uma intensidade luminosa reduzida. Isso indica que, possivelmente, o tratamento está surtindo efeito, mesmo que o tamanho das lesões não tenha diminuído de maneira significativa.
Assim, o PET/CT é particularmente eficaz em situações onde há suspeita de metástases que não são detectáveis por outros exames de imagem. Além disso, o exame é útil no auxílio ao diagnóstico diferencial entre nódulos benignos e malignos.
Limitações do PET-CT
A fusão das técnicas PET e CT proporciona um mapeamento anatômico detalhado dos achados do PET, além de permitir a detecção de lesões que não são visíveis nas imagens da tomografia computadorizada (TC), o que pode aprimorar o estadiamento antes de cirurgias. No entanto, a aplicação do PET/CT na prática clínica ainda é alvo de debate, principalmente devido ao seu custo elevado.
Muitos pesquisadores defendem a utilidade do PET/CT no tratamento de diversos tipos de câncer e discutem sua viabilidade econômica. Uma das principais limitações do PET é a representação incompleta ou ausente de várias estruturas anatômicas, o que pode dificultar a localização exata das lesões tumorais. Além disso, o FDG se concentra em vários tecidos normais, como o:
- Cérebro
- Músculos
- Glândulas salivares
- Tireoide
- Miocárdio
- Trato gastrointestinal e urinário.
O que pode tornar a interpretação das imagens desafiadora, especialmente quando a neoplasia está localizada próxima a órgãos com captação fisiológica de FDG.
Nessa linha de pensamento, tumores bem diferenciados, hipocelulares e produtores de muco geralmente apresentam baixa captação do traçador. Portanto, isoladamente, não seria um método de imagem suficiente em Oncologia. Para uma interpretação adequada das imagens PET, é essencial que o clínico as correlacione com imagens obtidas por uma técnica orientada morfologicamente.
Necessidade de realização de exames em conjunto com PET-CT
Além disso, as imagens obtidas exclusivamente pelo PET podem, em algumas situações, não ser tão nítidas quanto as geradas pela tomografia computadorizada ou pela ressonância magnética nuclear. Em certos casos, podem surgir resultados falsos-positivos, com captações mais intensas em áreas normais. Comumente observa-se os falsos-positivos em pacientes diabéticos ou em indivíduos que se alimentaram pouco antes do exame, pois os níveis de glicose e insulina no sangue podem influenciar os resultados.
Por conta desse aspecto, a tecnologia combina-se o PET junto com a CT, formando um método altamente eficaz, que vai desde o estadiamento mais preciso da doença até a capacidade de fornecer informações valiosas na caracterização de nódulos indeterminados.
Na imagem abaixo é ´possível ver exemplos de combinação de imagens em estudos PET: (A) Exibição detalhada da anatomia fornecida pela tomografia (TC). (B) Imagem obtida do estudo PET, sem detalhes anatômicos. (C) Imagem combinada de TC e PET, demonstrando a localização do tumor sobre a imagem anatômica detalhada.
Aplicações clínicas do PET-CT
O PET-CT tem um papel central no estadiamento de vários tipos de câncer. Abaixo, visualiza-se as aplicações mais comuns:
Câncer de pulmão
No câncer de pulmão, o PET-CT é um exame de escolha para o estadiamento inicial, pois oferece informações detalhadas sobre a presença de metástases nos linfonodos mediastinais e em outros órgãos.
A técnica é capaz de detectar lesões metastáticas pequenas que podem passar despercebidas em outros exames de imagem. Isso é particularmente importante, uma vez que a presença de metástases altera drasticamente o plano terapêutico, muitas vezes mudando a abordagem de uma cirurgia curativa para um tratamento sistêmico.
Câncer de cabeça e pescoço
O estadiamento do câncer de cabeça e pescoço consegue avaliar a extensão do envolvimento linfonodal. A técnica permite a identificação precisa de metástases em linfonodos que podem ser de difícil detecção por métodos convencionais.
Além disso, o PET-CT é útil na avaliação da resposta ao tratamento, ajudando a determinar se há necessidade de tratamentos adicionais, como radioterapia.
Linfomas
O PET-CT é amplamente utilizado no estadiamento inicial dos linfomas, sendo parte integrante das diretrizes de manejo dessas neoplasias. A técnica oferece uma avaliação detalhada da extensão da doença, o que é essencial para a classificação do estadiamento, influenciando diretamente o plano de tratamento.
Além disso, utiliza-se o PET-CT no acompanhamento dos pacientes, permitindo a detecção precoce de recidivas.
Câncer de esôfago
No câncer de esôfago, utiliza-se o PET-CT para avaliar a presença de metástases em linfonodos e órgãos distantes, informações que são essenciais para o planejamento cirúrgico.
Assim, a técnica pode identificar metástases que não são visíveis em outros exames de imagem, evitando cirurgias desnecessárias em pacientes com doença avançada.
Câncer colorretal
Embora o PET-CT não seja a primeira escolha para o estadiamento inicial do câncer colorretal, ele tem um papel importante na avaliação de metástases ocultas, especialmente em pacientes com doença avançada.
A técnica é particularmente útil na detecção de metástases hepáticas e pulmonares, que podem não ser detectadas em exames de imagem convencionais.
Diferença do PET-CT e outros exames de imagem
O PET-CT se distingue de outros exames de imagem, como a tomografia computadorizada (CT) e a ressonância magnética (RM), principalmente por sua capacidade de fornecer informações tanto anatômicas quanto funcionais em uma única sessão de exame. Enquanto a CT e a RM fornecem imagens detalhadas da anatomia, o PET-CT avalia a atividade metabólica dos tecidos, oferecendo uma visão funcional que pode revelar alterações que precedem as mudanças anatômicas detectáveis por outros métodos.
Outra diferença importante é a sensibilidade do PET-CT na detecção de metástases ocultas. Embora a CT e a RM sejam eficazes na identificação de lesões maiores, elas podem não detectar pequenas metástases ou alterações funcionais precoces. O PET-CT, por outro lado, é capaz de identificar essas alterações, permitindo uma intervenção mais precoce e, potencialmente, melhorando o prognóstico do paciente.
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Com a evolução constante da tecnologia médica, o PET-CT tornou-se uma ferramenta indispensável no diagnóstico e estadiamento de doenças complexas, especialmente o câncer.
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Referência bibliográfica
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