Posted on

Estudo da polissonografia é composto por parâmetros como a eletroencefalograma e eletromiografia

Entenda melhor o que costuma ser mensurado em cada um desses estudos

Homem se preparando para fazer polissonografia
Preparação para polissonografia tipo 1 inclui estudo de diversos parâmetros e colocação de eletrodos

A polissonografia tipo 1 é um exame diagnóstico em que ao menos 7 parâmetros são monitorizados durante a noite, no laboratório do sono. A Academia Americana de Medicina do Sono, recomenda em sua última versão do Manual de Estadiamento que sejam usados os seguintes parâmetros:

  • Eletroencefalograma (EEG);
  • Eletro-oculograma (EOG);
  • Eletromiograma (EMG);
  • Sensor de fluxo;
  • Cinta de esforço respiratório;
  • Oximetria do pulso;
  • Sensor de posição;
  • Eletrocardiograma (ECG).

A depender da indicação clínica, o registro de vídeo sincronizado à polissonografia também é recomendado.

A seguir, entenda melhor sobre cada um deles:

Eletroencefalograma (EEG)

A maioria dos laboratórios usa o sistema 10-20 para a colocação de eletrodos. Seguindo este sistema de marcação, são colocados um eletrodo na região frontal direita (F4), um eletrodo na região central direita (C4) e um eletrodos na região occipital direita (O2), os três referenciados na mastoide esquerda (M1). De forma semelhante, eletrodos de backup são posicionados à esquerda.

Confira as posições do sistema 10-20:

Pontos dos eletrodos para encefalograma dentro da polissonografia
Eletro-oculograma (EOG)

O exame é utilizado para monitorar os movimentos oculares que costumam se alterar durante o sono: mais rápidos durante a vigília e sono REM e mais lentos no início do sono. São usados dois eletrodos colocados nos cantos externos direito e esquerdo. A córnea é eletricamente positiva em relação a retina e devido a essa diferença, quando ocorrem movimentos oculares é possível registrá-los nos canais de EOG.

Eletromiografia de superfície (EMG)

É utilizado para medir a presença ou ausência de atonia durante o sono. Na montagem padrão se usa o canal posicionado no mento e nos membros inferiores.

Em pacientes que apresentam parassonias relacionadas ao sono REM, a montagem com eletrodos em membros superiores pode ser útil. Nos casos em que se queira avaliar bruxismo, a colocação de eletrodos complementares no masseter pode colaborar no diagnóstico.

Cinta de esforço respiratório

A partir da plestimografia por indutância, os movimentos da caixa torácica e abdominais são traduzidos em sinais elétricos. A presença de esforço respiratório ou a ausência dele nos permite distinguir entre apneia obstrutiva, central ou mista.

Monitoramento do fluxo de ar

Existem dois canais para monitorar o fluxo de ar:

  • Termistor (oral e/ou nasal): avalia presença ou ausência do fluxo de ar, mas é insensível há obstrução parcial do fluxo. É indicado para avaliação de apneias;
  • Transdutor de pressão nasal: mais sensível à restrições do fluxo de ar, já que enviam um sinal quadrado de fluxo (enquanto a respiração normal tem padrão arredondado). Por isso, ajuda na avaliação de hipopneias e da síndrome de resistência das vias aéreas superiores.
Oximetria de pulso

Permite detectar a presença de dessaturaçoes durante a noite.

Dessaturação ≥ 3%, associada a uma redução da curva de fluxo maior do que 30% são definidoras de hipopneia.

Sensor de posição

Permite identificar a posição do paciente durante a noite do exame. É particularmente útil nos pacientes com suspeita de apneia posicional.

Eletrocardiograma (ECG)

Tradicionalmente uma única derivação é colocada no tórax. Canais adicionais podem ser instalados a depender da indicação clínica.

Outros tipos de polissonografia

Na polissonografia tipo 2, os mesmos canais são instalados, por um técnico capacitado, mas o exame é realizado no domicilio do paciente.

A poligrafia, ou polissonografia tipo 3 é um exame portátil, de fácil instalação. Composto por uma cânula de fluxo, uma cinta de esforço respiratório e oximetria, essa modalidade de exame é capaz de diagnosticar os distúrbios respiratórios do sono.

A polissonografia tipo 4 consiste em um equipamento de dois canais sendo um deles a oximetria. A partir da curva de dessaturação pode se inferir possíveis distúrbios respiratórios do sono.

Uma avaliação clínica previa é fundamental para saber qual o exame é o mais indicado para cada paciente.

Quer saber mais sobre o tema? Confira a programação do curso intensivo de Manejo Ambulatorial da Apneia Obstrutiva do Sono do Cetrus

Referências
  1. Berry RB, Brooks R, Gamaldo CE, Harding SM, Lloyd RM, Marcus CL and Vaughn BV for the American Academy of Sleep Medicine. The AASM Manual for the Scoring of Sleep and Associated Events: Rules, Terminology and Technical Specifications, Version 2.6, Darien, Illinois: American Academy of Sleep Medicine, 2020.
  2. Kryger, MH, Roth, T, Dement, W. Principles and Practice of Sleep Medicine. 6th Edition. Philadelphia, Pennsylvania, WB Saunders, 2017. Sheldon SH, Kryger MH, Ferber R & Gozal D. Principles and Practice of Pediatric Sleep Medicine. 2o edition Philadelphia, Pennsylvania, WB Saunders, 2014.

One Reply to “Polissonografia: você sabe o que é mensurado no exame?”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *