Preenchimentos faciais: tendências e novidades

Mulher em avaliação estética, com mãos de profissional usando luvas examinando seu rosto, relacionada a preenchimento facial.

Índice

Os preenchimentos faciais ocupam hoje um espaço central na prática médica estética. A demanda crescente por resultados naturais, seguros e duradouros impulsiona pesquisas e o surgimento de novas técnicas, substâncias e tecnologias. Para o médico, acompanhar essas transformações significa ampliar possibilidades terapêuticas, garantir segurança e oferecer abordagens personalizadas aos pacientes.

Panorama atual dos preenchimentos faciais

Nos últimos anos, os preenchimentos faciais se consolidaram como um dos procedimentos mais procurados em consultórios de dermatologia e medicina estética. A busca por rejuvenescimento, harmonização e correção de imperfeições levou a uma expansão significativa do mercado. Além disso, as indicações reparadoras, como em casos de lipodistrofia ou sequelas de traumas, também ampliaram a relevância clínica do procedimento.

O avanço das formulações e das técnicas minimamente invasivas trouxe maior previsibilidade nos resultados e reduziu o risco de complicações. Atualmente, o foco não está apenas em volumizar, mas também em estruturar, estimular colágeno e respeitar as proporções individuais de cada face.

Principais substâncias utilizadas

A escolha da substância é decisiva para o sucesso terapêutico. Cada material apresenta propriedades específicas que influenciam sua durabilidade, integração tecidual e perfil de segurança.

Ácido hialurônico

O ácido hialurônico permanece como o preenchimento mais utilizado. Ele apresenta excelente perfil de biocompatibilidade, capacidade de hidratação e efeito reversível por hialuronidase.

Dessa forma, as formulações variam em densidade e elasticidade, permitindo indicações desde a hidratação labial até o contorno mandibular.

Hidroxiapatita de cálcio

A hidroxiapatita de cálcio atua como bioestimulador de colágeno e preenchedor. Suas micropartículas promovem efeito lifting progressivo, com durabilidade maior que o ácido hialurônico em determinadas regiões. Costuma ser indicada para sulcos profundos, contorno mandibular e região malar.

Polimetilmetacrilato (PMMA) e outros bioestimuladores

O PMMA é permanente, mas exige indicações muito criteriosas devido ao risco de complicações tardias. Outros bioestimuladores, como ácido poli-L-lático (PLLA) e policaprolactona (PCL), ganharam espaço pela capacidade de estimular produção de colágeno e proporcionar resultados progressivos, adequados para rejuvenescimento global.

Indicações estéticas e reparadoras

Perfil do paciente e avaliação inicial

Antes do preenchimento, o médico deve realizar anamnese detalhada, avaliar expectativas e identificar contraindicações. O exame físico deve incluir análise das proporções faciais, qualidade da pele e histórico de procedimentos prévios. Pacientes com doenças autoimunes, gestantes e lactantes devem ser avaliados com cautela, e em muitos casos, o procedimento não é indicado.

Tendências recentes em preenchimentos faciais

A prática médica evolui constantemente. O foco atual não se resume ao resultado imediato, mas à construção de naturalidade, harmonia e segurança.

Técnicas minimamente invasivas

Em preenchimentos faciais, devem-se adotar técnicas minimamente invasivas para elevar a segurança e otimizar desfechos. Primeiramente, deve-se utilizar microcânulas flexíveis posicionadas nos planos anatômicos corretos. Dessa forma, reduzem-se trauma tecidual, edema, dor e risco de injeção intravascular. Além disso, devem-se definir pontos de ancoragem estratégicos para reposicionamento sutil das estruturas e distribuição precisa do gel com menores volumes. Durante a aplicação, deve-se retroinjetar com movimentação contínua da cânula e respeito rigoroso às zonas de perigo; desse modo, mitiga-se o risco vascular. Quando houver necessidade de precisão pontual, devem-se empregar agulhas curtas apenas para bolus superficiais, após marcação de marcos vasculares e ósseos.

Antes do procedimento, deve-se realizar antissepsia meticulosa e, quando indicado, anestesia local; ademais, recomenda-se documentação fotográfica pré e pós-procedimento. No pós, devem-se orientar sinais de alerta e disponibilizar canal de retorno; por fim, recomenda-se reavaliação em 7–14 dias. Consequentemente, obtêm-se resultados naturais, reprodutíveis e previsíveis, preservando a integridade tecidual e a experiência assistencial.

Preenchimentos combinados com bioestimuladores de colágeno

Em protocolos de harmonização, devem-se combinar preenchedores de ácido hialurônico (AH) com bioestimuladores para potencializar desfechos. Primeiramente, deve-se selecionar o AH conforme a demanda: géis com G’/elasticidade altos para suporte profundo e géis mais coesivos para contorno; assim, garante-se estrutura imediata.

Além disso, devem-se empregar bioestimuladores (hidroxiapatita de cálcio hiperdiluída, PLLA ou PCL) em planos subdérmicos para indução de neocolagênese e melhora de qualidade cutânea. Quando indicado, deve-se sequenciar as sessões: AH no dia 0 para reposição volumétrica e bioestimulação após 2–4 semanas; desse modo, minimiza-se migração e otimiza-se integração tecidual. Ademais, devem-se evitar depósitos superficiais de CaHa/PLLA em áreas finas, a fim de reduzir nódulos e Tyndall.

Durante a aplicação, deve-se utilizar cânula para vetores de tração e agulha apenas para bolus estruturais precisos. Previamente, devem-se mapear zonas de risco com ultrassonografia, fotodocumentar e padronizar diluições (p.ex., CaHa 1:2–1:4; PLLA reconstituído ≥24 h). Posteriormente, devem-se orientar massagem seletiva, monitorar eventos e programar reforço em 8–12 semanas.

Uso de cânulas versus agulhas: segurança e resultados

O debate entre cânulas e agulhas continua atual. Cânulas oferecem menor risco de perfuração vascular e hematomas, enquanto agulhas proporcionam maior precisão em pontos específicos. Muitos protocolos combinam ambos os instrumentos para alcançar o melhor equilíbrio entre segurança e resultado estético.

Estratégias de naturalidade e harmonização facial

A tendência global valoriza a individualidade. O objetivo deixou de ser padronizar rostos e passou a ressaltar características próprias. Isso exige do médico compreensão aprofundada de anatomia, proporções faciais e expectativas culturais dos pacientes.

Novidades tecnológicas e materiais inovadores

A indústria avança em direção a formulações mais seguras, elásticas e duradouras, além de tecnologias de apoio ao planejamento.

Novas formulações de ácido hialurônico

As gerações mais recentes apresentam maior resistência à degradação enzimática e maior elasticidade. Isso significa resultados naturais por períodos mais longos, com menor risco de migração ou irregularidades.

Produtos com maior durabilidade e elasticidade

O desenvolvimento de géis híbridos, que combinam propriedades de preenchimento e bioestimulação, promete maior versatilidade clínica. Esses produtos oferecem sustentação imediata, ao mesmo tempo em que estimulam remodelação dérmica.

Tecnologias de imagem e planejamento 3D

Softwares de simulação 3D e ultrassonografia facial já estão disponíveis para auxiliar no planejamento. Essas ferramentas aumentam a precisão anatômica, identificam áreas de risco e permitem prever resultados, elevando a segurança e a confiança do paciente.

Complicações e manejo seguro

A prática de preenchimentos exige domínio não apenas da técnica, mas também do manejo de intercorrências.

Reações adversas comuns

Edema, equimose e eritema são efeitos esperados, geralmente autolimitados. O médico deve orientar o paciente quanto aos cuidados pós-procedimento e sinais de alerta.

Prevenção e tratamento de eventos graves

A complicação mais temida é a oclusão vascular, que pode levar à necrose ou até mesmo à cegueira. A prevenção depende do conhecimento das zonas de risco anatômico, do uso de técnicas adequadas e da disponibilidade imediata de hialuronidase.

Protocolos de segurança e boas práticas

Manter kits de emergência, realizar treinamento contínuo e utilizar apenas produtos aprovados pela Anvisa são práticas indispensáveis. Além disso, o registro fotográfico e o termo de consentimento informado garantem respaldo ético e legal.

Integração com outros procedimentos estéticos

O preenchimento raramente atua isolado. As combinações ampliam resultados e permitem planos terapêuticos completos.

Preenchimentos combinados com toxina botulínica

A associação entre toxina botulínica e preenchimento potencializa o rejuvenescimento. Enquanto a toxina suaviza rugas dinâmicas, o preenchimento restaura volume e sustentação.

Procedimentos de harmonização global da face

Planos que incluem bioestimuladores, peelings e tecnologias de energia (laser, ultrassom microfocado) oferecem abordagem integral, capaz de melhorar textura, tonicidade e proporções faciais.

Estratégias de rejuvenescimento progressivo

Protocolos que preveem sessões sequenciais e personalizadas permitem resultados graduais. Essa estratégia reduz riscos, melhora a adaptação do paciente e mantém resultados de longo prazo.

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Referências bibliográficas

  • Allen, Shawn, MD. Anatomic danger zones for facial injection of soft tissue fillers. UpToDate. Acesso em 23 set 2025.
  • Carruthers, Jean, MD, FRCSC; Humphrey, Shannon, MD. Injectable soft tissue fillers: Overview of clinical use. UpToDate. Acesso em 23 set 2025.

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