Radiofrequência lombar: uma abordagem eficaz e minimamente invasiva no tratamento da dor crônica, especialmente indicada para condições lombares.
A dor lombar crônica é uma condição comum e debilitante que afeta uma grande parte da população mundial.
Uma das opções terapêuticas para o tratamento dessa dor é a ablação por radiofrequência, um procedimento minimamente invasivo que tem mostrado eficácia no alívio da dor, especialmente em casos refratários a outros tratamentos.
Dor lombar crônica: causas e impacto
Define-se a dor lombar crônica como dor persistente na região lombar que dura mais de 12 semanas. Essa condição pode ter várias causas, incluindo degeneração discal, espondilose, síndrome facetária e doença degenerativa dos discos intervertebrais. Além disso, também pode ocorrer dor lombar como resultado de lesões musculares, esporões ósseos ou herniações discais, e muitas vezes está associada ao envelhecimento, à má postura ou ao sedentarismo.
Dessa forma, essa condição tem um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes, podendo afetar sua capacidade de trabalhar, realizar atividades diárias e até mesmo provocar distúrbios emocionais, como depressão e ansiedade. De fato, a dor lombar crônica é uma das principais causas de incapacidade no mundo, levando a altos custos com tratamentos médicos, afastamento do trabalho e perda de produtividade.
Fundamentos da ablação por radiofrequência
A ablação por radiofrequência é uma técnica utilizada para o tratamento de dor crônica, incluindo a dor lombar. Portanto, essa técnica consiste na aplicação de ondas de radiofrequência para gerar calor em nervos específicos, com o objetivo de interromper a condução de sinais de dor. Além disso, pode-se realizar a ablação em nervos que transmitem a dor proveniente da coluna vertebral, incluindo os nervos facetários e os nervos sinuvertebrais.
Assim, o procedimento é baseado no uso de um eletrodo que emite uma corrente elétrica de alta frequência. Dessa forma, quando coloca-se esse eletrodo na proximidade de um nervo responsável pela transmissão da dor, a corrente elétrica gera calor, que destrói ou danifica parcialmente o nervo, interrompendo sua capacidade de transmitir sinais de dor.
Vantagens da técnica
Uma das principais vantagens da radiofrequência é a sua natureza minimamente invasiva. Além disso, o procedimento pode proporcionar alívio duradouro da dor, sendo uma alternativa eficaz para pacientes que não obtiveram sucesso com tratamentos conservadores, como medicação, fisioterapia ou infiltrações.
Indicações específicas e critérios de seleção
Indica-se a radiofrequência principalmente para pacientes com dor lombar crônica de origem facetária ou discogênica, quando a dor não responde a outras modalidades terapêuticas. As indicações específicas para o uso de radiofrequência incluem:
- Dor facetária crônica: causada por disfunção das articulações facetárias da coluna vertebral, comum em pacientes com degeneração discal ou espondilose
- Dor discogênica: dor resultante de lesões nos discos intervertebrais, particularmente quando associada à herniação discal ou degeneração
- Síndrome da articulação sacroilíaca: quando a dor lombar é causada pela inflamação ou disfunção das articulações sacroilíacas
- Falha em tratamentos conservadores: quando as abordagens convencionais não oferecem alívio duradouro ou eficaz da dor.
Critérios de seleção
É fundamental selecionar adequadamente os pacientes para o tratamento com radiofrequência. Pacientes que não apresentam uma causa clara e tratável para a dor, como aqueles com diagnóstico de dor neuropática ou problemas psicossomáticos, podem não ser bons candidatos.
Além disso, é necessário avaliar a possibilidade de efeitos colaterais e complicações antes de indicar o procedimento.
Técnica da radiofrequência
A técnica de ablação por radiofrequência envolve a inserção de uma agulha ou eletrodo guiado por imagem de raio-X ou ultrassom, no local exato onde a dor está sendo gerada. O processo é minimamente invasivo e geralmente realizado sob anestesia local.
Materiais e parâmetros
Os principais materiais utilizados para realizar a radiofrequência incluem:
- Agulha de radiofrequência: Com eletrodo em sua extremidade para emitir a corrente elétrica.
- Gerador de radiofrequência: Equipamento que emite as ondas de alta frequência utilizadas para aquecer o nervo.
- Sistema de imagem: Radiografias em tempo real ou ultrassom para guiar a colocação do eletrodo com precisão.
Os parâmetros da radiofrequência incluem a intensidade da corrente elétrica, a duração do tratamento e a temperatura atingida no nervo alvo. Assim, as configurações ideais dependem do tipo de dor, da localização do nervo e da resposta do paciente.
Procedimento passo a passo
Pode-se dividir o procedimento de radiofrequência nas seguintes etapas:
- Avaliação e preparação: avalia-se o paciente para garantir que é um bom candidato para a radiofrequência. Marca-se o local do tratamento com a ajuda de imagens de raio-X ou ultrassom
- Anestesia local: o local de inserção do eletrodo é anestesiado
- Inserção do eletrodo: usando imagens em tempo real, insere-se o eletrodo na área-alvo
- Aplicação de radiofrequência: aciona-se o gerador de radiofrequência e emite-se as ondas para aquecer o nervo alvo e interromper a transmissão de dor
- Finalização e recuperação: após a aplicação da radiofrequência, o paciente é monitorado e liberado após uma breve recuperação, podendo retomar suas atividades diárias dentro de 24 horas.
Evidências clínicas e resultados
A radiofrequência tem mostrado resultados promissores no tratamento da dor lombar crônica, com vários estudos demonstrando redução significativa da dor e melhora na função física. Pesquisas indicam que a ablação por radiofrequência pode proporcionar alívio da dor por meses ou até anos, com uma taxa de sucesso de cerca de 70% a 80% em pacientes com dor lombar facetária.
Além disso, a radiofrequência é considerada uma técnica segura, com uma taxa baixa de complicações. A maioria dos pacientes experimenta melhora na mobilidade e uma redução na necessidade de medicamentos analgésicos após o procedimento.
Riscos e efeitos colaterais
Embora a ablação por radiofrequência seja geralmente bem tolerada, como qualquer procedimento médico, ela apresenta riscos e efeitos colaterais potenciais. Alguns dos mais comuns incluem:
- Dor temporária no local de aplicação: pode ocorrer imediatamente após o procedimento e durar de alguns dias a uma semana
- Infecção: como em qualquer procedimento invasivo, existe o risco de infecção
- Dano nervoso: em casos raros, o nervo pode ser danificado de forma permanente, o que pode levar a dormência ou fraqueza na área afetada
- Queimação ou sensação de formigamento: algumas pessoas podem experimentar efeitos temporários de queimação ou formigamento devido ao impacto da radiofrequência nos nervos.
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A radiofrequência é uma abordagem eficaz e minimamente invasiva para o tratamento da dor lombar crônica, especialmente em casos de dor facetária e discogênica. Sua técnica, baseada no uso de correntes de alta frequência para interromper a transmissão da dor, tem se mostrado promissora, com evidências clínicas que sustentam sua eficácia no alívio da dor e melhora funcional. No entanto, como qualquer intervenção médica, a seleção cuidadosa dos pacientes e a compreensão dos riscos envolvidos são essenciais para o sucesso do tratamento.
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Referências bibliográficas
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- CHOU, Roger; COHEN, Steven P. Tratamento não cirúrgico da dor lombar subaguda e crônica: tratamentos interacionais. UpToDate, 2025. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/subacute-and-chronic-low-back-pain-nonsurgical-interventional-treatment?search=Radiofrequ%C3%AAncia%20para%20tratamento%20da%20dor%20lombar%20&source=search_result&selectedTitle=2~150&usage_type=default&display_rank=2. Acesso em: 2 jul. 2025.






