Ultrassonografia Second-Look na Mama: o que é e como conduzir o exame?

Profissional de saúde realizando ultrassonografia da mama com transdutor linear, enquanto a paciente está deitada em posição supina em ambiente clínico.

Índice

A ultrassonografia (US) second-look da mama é um exame direcionado realizado após a identificação de achados suspeitos ou indeterminados em métodos de imagem prévios, especialmente a ressonância magnética mamária.

Seu objetivo é localizar, caracterizar e correlacionar essas alterações no ultrassom, permitindo melhor definição diagnóstica, estratificação de risco e planejamento de condutas, como seguimento, biópsia guiada ou tratamento, de forma acessível e custo-efetiva.

O que é a ultrassonografia second-look

A ultrassonografia second-look da mama trata-se de uma técnica de reavaliação ultrassonográfica focada, realizada após a detecção de alterações adicionais pela ressonância magnética. Ela permite localizar e caracterizar áreas de realce suspeitas ou provavelmente benignas, oferecendo informações que auxiliam na escolha da conduta clínica mais apropriada.

Esse método aproveita as vantagens da ultrassonografia, como menor custo, ampla disponibilidade, ausência de radiação ionizante e facilidade para guiar procedimentos intervencionistas. Assim, quando se visualiza a lesão, torna-se possível realizar biópsias percutâneas, marcações pré-operatórias ou seguimento por imagem. Isso reduz a necessidade de procedimentos guiados exclusivamente pela RM, que são mais complexos.

A US second-look mamária é especialmente relevante no contexto do estadiamento pré-operatório do câncer de mama, na investigação de doença multifocal ou multicêntrica e na avaliação de pacientes de alto risco. Estudos demonstram que ela apresenta elevada taxa de correlação com os achados da RM, sobretudo em lesões classificadas como BI-RADS 4 e 5®, contribuindo de forma decisiva para o diagnóstico, planejamento terapêutico e segurança cirúrgica.

Indicações clínicas da ultrassonografia second-look

As indicações clínicas da US second-look mamária estão diretamente relacionadas ao papel complementar do método na investigação das alterações mamárias identificadas por técnicas de maior sensibilidade, especialmente a ressonância magnética.

Lesões detectadas apenas na ressonância magnética

Indica-se a ultrassonografia second-look principalmente quando a ressonância magnética das mamas identifica alterações adicionais não evidenciadas na ultrassonografia prévia, mamografia ou exame clínico.

Nesses casos, o exame ultrassonográfico direcionado busca correlacionar os achados da RM, especialmente lesões classificadas como BI-RADS 3, 4 e 5, desde que apresentem dimensões passíveis de detecção, permitindo melhor manejo diagnóstico e terapêutico.

Avaliação de achados suspeitos não visualizados em outros métodos

Quando a ressonância magnética identifica achados suspeitos de malignidade que não aparecem nos métodos convencionais, a ultrassonografia second-look torna-se uma estratégia complementar relevante.

Sua aplicação permite reforçar a indicação de investigação histológica em lesões suspeitas e, por outro lado, possibilita o acompanhamento por imagem nos casos classificados como provavelmente benignos, reduzindo a necessidade de procedimentos mais complexos e de maior custo.

Planejamento de biópsias guiadas por ultrassom

A identificação ultrassonográfica de lesões inicialmente detectadas apenas pela RM viabiliza a realização de biópsias percutâneas e marcações pré-operatórias guiadas por ultrassom.

Essa abordagem oferece vantagens técnicas e operacionais em relação aos procedimentos guiados por RM, como maior disponibilidade, menor custo, rapidez e maior conforto para a paciente. Ademais, pode contribuir para o planejamento cirúrgico e para a definição da conduta clínica.

Como realizar a ultrassonografia second-look

A realização do exame requer uma abordagem técnica sistematizada, baseada na integração criteriosa entre os achados da ressonância magnética e a avaliação ultrassonográfica. Além disso, o exame deve ser cuidadosamente planejado, com definição prévia da topografia, dimensões e características da lesão, permitindo a aplicação de técnicas de varredura direcionada e a análise comparativa dos aspectos morfológicos e dimensionais.

A seguir, são descritas as etapas fundamentais para a realização da US second-look mamária, incluindo a revisão dos achados da ressonância magnética, as técnicas de varredura direcionada e os critérios utilizados para a correlação imagem–imagem.

Revisão dos achados da RM

A realização da ultrassonografia second-look inicia-se pela análise detalhada e criteriosa do exame de ressonância magnética mamária. A revisão dos achados permite confirmar a elegibilidade da lesão para reavaliação ultrassonográfica, considerando sua categoria BI-RADS, dimensões, padrão de realce e localização.

Assim, a disponibilidade do exame de RM durante a US é fundamental para garantir a correta caracterização topográfica da alteração e orientar de forma precisa a busca ultrassonográfica.

Técnicas de varredura direcionada

A varredura ultrassonográfica deve ser realizada de forma direcionada, utilizando transdutores lineares de alta frequência, com atenção específica à região correspondente ao achado identificado na RM. Além disso, o exame deve ser conduzido por profissional experiente em imagem mamária, explorando diferentes planos e orientações, com documentação fotográfica das lesões encontradas.

A avaliação criteriosa aumenta a chance de detecção de alterações pequenas ou com características ultrassonográficas menos típicas de malignidade.

Critérios para correlação imagem-imagem

A correlação entre os achados da RM e da ultrassonografia baseia-se na concordância topográfica, morfológica e dimensional das lesões. Devem ser analisadas características como forma, margens, ecogenicidade, presença de sombra acústica, extensão ductal e outros sinais associados à benignidade ou malignidade, conforme critérios padronizados. Por fim, a categorização segue o sistema BI-RADS para ultrassonografia, assegurando padronização dos laudos e direcionamento adequado da conduta clínica.

Diferenciais da ultrassonografia second-look em relação a outros métodos

Embora a RM possua elevada sensibilidade para a detecção do câncer de mama, suas limitações incluem maior taxa de falso-positivos, alto custo, menor disponibilidade e dificuldades técnicas para a realização de biópsias guiadas. Assim, a US second-look surge como alternativa complementar ao permitir a localização dessas lesões por um método mais acessível, possibilitando biópsias, marcações pré-operatórias e seguimento com maior praticidade.

Quando comparada à mamografia e à ultrassonografia convencional, a US second-look distingue-se por ser um exame direcionado, realizado com base em achados previamente identificados pela RM.

Além disso, diferentemente da mamografia, não sofre interferência da densidade mamária nem utiliza radiação ionizante, e, em relação à US inicial, amplia a capacidade de detecção ao orientar a busca para áreas específicas. Essa abordagem aumenta a identificação de lesões adicionais, inclusive multifocais ou multicêntricas, e contribui para a definição diagnóstica e terapêutica de forma mais precisa.

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Limitações e fatores que influenciam a detecção de lesões

A US second-look mamária apresenta limitações que podem influenciar a taxa de detecção das lesões identificadas previamente pela ressonância magnética.

Um dos principais fatores está relacionado às características inerentes ao método, por se tratar de um exame operador-dependente, que exige treinamento específico e experiência em imagem mamária e em correlação com a RM. Além disso, lesões não visualizadas em ultrassonografias realizadas antes da RM tendem a ser mais difíceis de identificar em uma nova avaliação direcionada.

Outros fatores que interferem na detecção incluem as dimensões das lesões, o padrão de apresentação à RM e a categoria BI-RADS. Observa-se, por exemplo maior taxa de identificação para achados suspeitos de malignidade em comparação aos classificados como provavelmente benignos.

Ademais, aspectos técnicos e metodológicos também exercem influência na detecção. Isso inclui a qualidade dos equipamentos, o uso de transdutores adequados e a correta correlação topográfica entre os exames.

Entretanto, apesar dessas limitações, estudos demonstram que, quando realizada por profissionais experientes e com técnica padronizada, a ultrassonografia second-look apresenta boa reprodutibilidade e concordância interobservador. Adicionalmente, mantém papel relevante na avaliação complementar das lesões mamárias detectadas pela RM.

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Referências

  • Aracava MM. O papel da ultrassonografia direcionada nas alterações detectadas pela ressonância magnética de mamas [dissertação]. São Paulo: Fundação Antônio Prudente; 2010.
  • Bomfim JQ, Vieira LP, Oliveira IB, Palhares LP, Miranda JPM, Bomfim LN. O papel da ultrassonografia second-look em tumores multifocais no câncer de mama: uma revisão de literatura. In: Anais SBUS; 2024;
  • Hong MJ, Cha JH, Kim HH, Shin HJ, Chae EY, Shin JE, Choi WJ. Second-look ultrasonography for MRI-detected suspicious breast lesions in patients with breast cancer. Ultrasonography. 2015 Apr;34(2):125-32. doi: 10.14366/usg.14046. Epub 2014 Dec 18. PMID: 25623054; PMCID: PMC4372709.

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