Ácido hialurônico na prática médica: técnicas para resultados mais precisos e seguros

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Ácido hialurônico: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!

O ácido hialurônico é uma das substâncias mais versáteis e utilizadas na prática médica estética, especialmente em procedimentos minimamente invasivos para rejuvenescimento facial. Por ser uma substância biocompatível, reabsorvível e com alta afinidade pela água, sua aplicação possibilita correções volumétricas, hidratação profunda da pele e estímulo à produção de colágeno.

No entanto, apesar de seu perfil de segurança relativamente elevado, o uso inadequado pode levar a complicações importantes, como necrose tecidual e embolia. Dessa forma, o domínio técnico e anatômico é fundamental para garantir precisão, naturalidade e, principalmente, segurança.

A importância do domínio técnico no uso do ácido hialurônico

Ao longo dos anos, o avanço nas técnicas injetáveis e o aprimoramento das formulações de AH permitiram a obtenção de resultados cada vez mais naturais e duradouros. Contudo, o sucesso do procedimento depende diretamente da correta indicação, da escolha do produto ideal e da técnica empregada.

O conhecimento aprofundado da anatomia facial, da densidade e espessura das camadas cutâneas, bem como da vascularização das regiões tratadas, é essencial para minimizar riscos e maximizar resultados. Além disso, a constante atualização profissional se torna imperativa em um cenário médico em rápida evolução.

Escolha do produto ideal

Os preenchedores à base de AH variam significativamente quanto às suas propriedades físico-químicas. As principais características a serem observadas incluem:

  • Concentração de AH: em geral, quanto maior a concentração, maior o efeito volumizador
  • G’ (módulo de elasticidade): indica a rigidez do produto. Produtos com G’ alto são indicados para estruturação e volumização profunda
  • Coesividade: capacidade do gel de manter-se coeso, o que influencia sua integração ao tecido
  • Tecnologia de reticulação: determina a durabilidade e resistência à degradação enzimática.

Viscosidade, elasticidade e indicações por área

Produtos com alta viscosidade e elasticidade são recomendados para áreas que exigem maior sustentação, como região malar e mento. Produtos de baixa viscosidade e maior maleabilidade são mais indicados para áreas móveis e superficiais, como a região perioral e olheiras. Géis mais suaves são ideais para técnicas de hidratação dérmica (skinboosters), onde a distribuição superficial homogênea é fundamental.

Mapeamento facial por densidade

Uma abordagem estratégica para aplicação do AH envolve o mapeamento facial por densidade, que considera a profundidade anatômica e a qualidade do tecido em diferentes regiões.

Seleção de produtos para camadas superficiais e profundas

Camadas profundas (periosteais ou subcutâneas profundas): indicadas para restauração de volume e suporte estrutural. Utiliza-se produtos de alta densidade e G’. Camadas médias a superficiais (derme média a superficial): ideais para suavização de sulcos e linhas finas. Produtos com menor viscosidade oferecem resultados mais naturais.

Essa seleção evita a migração do produto, reduz riscos e proporciona uma integração mais eficaz ao tecido.

Técnicas de aplicação

A escolha entre cânula e agulha deve ser cuidadosamente pautada na análise da região anatômica a ser tratada, bem como na experiência e domínio técnico do profissional que realizará o procedimento. A agulha, por sua vez, apresenta como principal vantagem a alta precisão em áreas pontuais, sendo especialmente útil no tratamento de linhas finas e sulcos profundos. Entretanto, sua utilização está associada a um risco aumentado de lesão vascular e à formação de hematomas, o que demanda atenção redobrada em zonas críticas. As indicações mais frequentes para o uso da agulha incluem o sulco nasogeniano, a região da glabela e pontos de ancoragem específicos.

Por outro lado, a cânula se destaca por causar menor trauma tecidual, reduzir significativamente o risco de complicações vasculares e proporcionar maior conforto ao paciente. Contudo, sua menor precisão em áreas muito delicadas pode limitar sua aplicação em determinadas situações. De modo geral, a cânula é amplamente indicada para regiões como malar, mandíbula, olheiras e têmporas, onde a abordagem mais suave e segura é priorizada. Assim, a decisão entre cânula e agulha deve sempre considerar o equilíbrio entre segurança, eficácia e o objetivo estético desejado.

Precisão na injeção

A precisão da técnica de injeção é importante para a obtenção de resultados naturais. Entre as estratégias mais eficazes, destacam-se:

Técnica linear retrógrada

Promove uma distribuição uniforme ao longo do trajeto da cânula ou agulha.

Técnica em bolus

Indicada para pontos de suporte, especialmente em regiões periosteais.

Fanning e cross-hatching

Permitem cobertura ampla com menor número de entradas, favorecendo a homogeneização do resultado.

O controle do volume aplicado e a profundidade exata da injeção são fatores críticos para evitar irregularidades e garantir integração tecidual.

Áreas de risco

Algumas regiões faciais possuem maior risco de complicações devido à vascularização rica e anastomoses perigosas:

  • Região glabelar;
  • Nariz (particularmente o dorso nasal e ponta);
  • Sulco nasogeniano;
  • Área infraorbital.

Regiões com maior risco vascular

As principais estruturas a serem evitadas incluem:

  • Artéria angular (região nasogeniana);
  • Artéria supraorbital e supratroclear;
  • Artéria facial e artéria dorsal do nariz.

Protocolos de segurança

A adoção de protocolos padronizados aumenta significativamente a segurança do procedimento:

  • Realização de aspiração lenta antes da injeção;
  • Uso de cânulas rombas nas áreas de maior risco vascular;
  • Aplicação lenta e com volumes pequenos;
  • Conhecimento anatômico tridimensional com auxílio de materiais de imagem, como ultrassonografia, quando disponível.

Abordagens para resultados naturais

As principais formas de obter um resultado natural são:

Combinação de produtos

A harmonização facial com AH não depende exclusivamente de um único tipo de produto. A associação estratégica de diferentes géis permite atingir diversos planos anatômicos com maior eficácia:

  • Produtos estruturais para pontos de ancoragem;
  • Produtos suaves para refinamento de contornos;
  • Skinboosters para hidratação e brilho superficial.

Estratégias de blending para harmonização

Mistura de técnicas em camadas diferentes para evitar transições abruptas e integração com outros bioestimuladores ou toxina botulínica para sinergia terapêutica.

Técnicas de rejuvenescimento global

O rejuvenescimento global deve considerar a face como uma unidade funcional e estética. Para isso deve-se realizar: Avaliação tridimensional do rosto, considerando perda de volume ósseo, flacidez ligamentar e alterações cutâneas, planejamento sequencial em sessões diferentes, respeitando o tempo de integração do produto e valorização dos vetores naturais de tração e suporte anatômico.

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Identificação e manejo de complicações

É fundamental que o profissional saiba reconhecer imediatamente os sinais de possíveis complicações: branqueamento súbito da pele (necrose iminente), dor intensa e desproporcional ao estímulo, alterações visuais (embolia retiniana), edema e eritema persistentes.

Procedimentos emergenciais

Quando uma complicação é identificada precocemente, deve-se realizar os seguintes procedimentos:

  • Uso imediato de hialuronidase nas regiões afetadas;
  • Compressas mornas e massagem suave para facilitar a difusão;
  • Administração de vasodilatadores tópicos ou sistêmicos em alguns casos;
  • Encaminhamento urgente ao oftalmologista em caso de sintomas visuais.

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O uso do ácido hialurônico na prática médica exige mais do que habilidade técnica: requer conhecimento anatômico aprofundado, análise individualizada do paciente e constante atualização científica. Ao integrar todas essas competências, o profissional estará apto a oferecer resultados estéticos superiores, com mais naturalidade e segurança.

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Referências bibliográficas

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