Cistos sinoviais do punho: diagnóstico e tratamento artroscópico

Índice

Os cistos sinoviais do punho são as lesões tumorais benignas mais comuns dessa articulação, geralmente localizados na região dorsal, e frequentemente associados a dor, desconforto estético e limitação funcional. Embora sua etiologia exata ainda seja incerta, acredita-se que estejam relacionados a degenerações mucinosas da cápsula articular ou do ligamento escafolunar.

O diagnóstico é predominantemente clínico, complementado por exames de imagem, como a ultrassonografia e a ressonância magnética, que auxiliam na definição da localização e do planejamento terapêutico.

Dentre as opções de tratamento, a ressecção artroscópica tem destacado-se como uma abordagem minimamente invasiva eficaz, oferecendo bons resultados funcionais, menor morbidade e menores taxas de recidiva em comparação com a excisão aberta tradicional.

Epidemiologia e relevância clínica dos cistos sinoviais do punho

Os cistos sinoviais, também conhecidos como cistos ganglionares, são as lesões de tecidos moles mais frequentes na mão e punho, sendo especialmente comuns entre indivíduos na faixa etária dos 20 aos 40 anos, com discreta predominância no sexo feminino.

Apesar de poderem surgir em qualquer fase da vida, essa distribuição etária reforça sua importância clínica, sobretudo em pacientes jovens e ativos. Embora frequentemente assintomáticos, esses cistos podem causar dor, limitação funcional e preocupação estética, o que leva muitos pacientes a procurarem atendimento médico.

Dessa forma, sua relevância clínica se deve tanto à alta prevalência quanto ao impacto potencial na qualidade de vida, além da possibilidade de persistência ou recidiva, mesmo após tratamento.

Anatomia do punho relacionada aos cistos sinoviais

A articulação do punho é uma estrutura sinovial do tipo condiloide que conecta o antebraço à mão e permite uma ampla gama de movimentos, como flexão, extensão, abdução e adução. Essa mobilidade é fundamental para as atividades manuais do dia a dia e depende de uma combinação entre elementos ósseos, ligamentares, musculares e sinoviais.

A articulação é formada principalmente pela união do rádio distal com os ossos do carpo (escafoide, semilunar e piramidal), enquanto a ulna articula-se ao rádio por meio da articulação radioulnar distal.

A estabilidade do punho é garantida por quatro ligamentos principais: radiocarpais palmar e dorsal, e os colaterais ulnar e radial.

Ao redor da articulação existe uma cápsula articular com duas camadas: uma externa fibrosa e uma interna sinovial, que produz o fluido sinovial responsável pela lubrificação da articulação. Essa estrutura sinovial está diretamente relacionada à formação dos cistos sinoviais, já que o acúmulo de fluido pode escapar por fraquezas na cápsula, formando cistos preenchidos por mucina.

Diagnóstico clínico e imagem dos cistos sinoviais do punho

O diagnóstico dos cistos sinoviais do punho envolve uma combinação de avaliação clínica e exames de imagem, sendo fundamental para diferenciá-los de outras massas de partes moles, como tumores ou processos inflamatórios.

A seguir, são descritas as principais abordagens diagnósticas, começando pelo exame físico e complementadas por métodos de imagem como ultrassonografia, ressonância magnética e radiografia.

Exame físico e sintomas característicos

O diagnóstico dos cistos sinoviais do punho geralmente inicia-se com o exame físico, que muitas vezes é suficiente para sua identificação.

Os cistos apresentam-se como massas arredondadas, firmes, lisas e elásticas, geralmente com 1 a 2 cm de diâmetro. Não costumam estar associadas a sinais inflamatórios, como calor ou vermelhidão.

Um dos achados clínicos mais úteis é a transiluminação, já que o conteúdo líquido do cisto permite a passagem da luz, diferentemente de massas sólidas, que não transiluminam.

Além disso, sintomas como dor local, irradiação para o braço, redução da mobilidade ou força de preensão também podem estar presentes.

Ultrassonografia

A ultrassonografia é um exame acessível e eficaz para auxiliar no diagnóstico, especialmente quando a massa não é facilmente palpável.

Os cistos sinoviais costumam aparecer como estruturas anecoicas ou hipoecoicas, com contornos bem definidos e paredes espessas. O reforço acústico posterior é característico, e sua presença confirma o conteúdo líquido.

Todavia, em raros casos, o cisto pode apresentar aparência mais sólida, simulando outras lesões benignas de partes moles.

Ressonância magnética (RM)

A RM é o método mais sensível para detecção de cistos sinoviais ocultos ou quando o exame físico e a ultrassonografia não são conclusivos.

Na imagem, os cistos aparecem como formações bem delimitadas, homogêneas e com intensidade de sinal baixa a intermediária em T1, e hiperintensa em T2 e STIR. Em alguns casos, é possível observar um pedículo fino ligando o cisto à cápsula articular.

Radiografia simples e outros métodos complementares

A radiografia simples tem utilidade limitada no diagnóstico direto dos cistos sinoviais, pois não evidencia estruturas de partes moles com clareza. No entanto, pode ser útil para excluir alterações ósseas associadas ou outras causas de dor no punho.

Além disso, a aspiração do cisto pode confirmar sua natureza líquida, mas raramente é usada com propósito diagnóstico, exceto em casos suspeitos de infecção.

Por fim, biópsia é indicada apenas quando há sinais clínicos atípicos, como crescimento rápido, dor persistente em repouso, disfunção significativa ou localização fora do padrão esperado.

Tratamento dos cistos sinoviais do punho

O tratamento dos cistos sinoviais do punho deve ser individualizado, levando em conta fatores como intensidade dos sintomas, localização do cisto, impacto funcional e preferência do paciente.

Embora a maioria dessas lesões seja benigna e assintomática, podendo regredir espontaneamente, casos sintomáticos ou esteticamente incômodos podem demandar intervenção.

Assim, as opções terapêuticas variam desde medidas conservadoras até procedimentos cirúrgicos, como a excisão artroscópica, cada uma com indicações, benefícios e limitações específicos.

Tratamento conservador

O manejo inicial dos cistos sinoviais do punho geralmente envolve intervenções não cirúrgicas, com foco em orientação do paciente, observação e aspiração, principalmente em casos assintomáticos ou com sintomas leves.

A maioria dos cistos pode regredir espontaneamente, com estudos indicando que mais da metade desaparece sem qualquer tratamento em até um ano. Nessas situações, o médico deve tranquilizar o paciente quanto à natureza benigna da lesão.

Recomenda-se a aspiração com agulha para pacientes com sintomas incômodos, embora apresente alta taxa de recorrência, principalmente em cistos volares devido à proximidade com estruturas neurovasculares. A técnica é simples, mas exige cuidado anatômico.

Outras técnicas adjuvantes incluem:

  • Injeção de corticosteroides ou hialuronidase;
  • Múltiplas perfurações da parede cística;
  • Uso de esclerosantes ou técnicas com fios.

Entretanto, tais técnicas não demonstraram benefício significativo em comparação com a aspiração simples.

Por fim, o tratamento conservador deve considerar as preferências do paciente, a gravidade dos sintomas e os riscos das abordagens invasivas. Em muitos casos, a simples explicação da benignidade do cisto e a aspiração pontual podem ser suficientes para aliviar a preocupação do paciente.

Tratamento artroscópico

Indica-se a excisão artroscópica quando há sintomas persistentes, recorrência após tratamento conservador ou impacto funcional significativo.

Essa abordagem é menos invasiva que a cirurgia aberta, permitindo recuperação mais rápida e menor impacto estético, embora as taxas de recorrência ainda variem, principalmente com cistos volares.

Leia também: “Artroscopia do punho: procedimentos, indicações e recuperação“!

Passo a passo da técnica

O procedimento começa com a identificação da origem do cisto, geralmente guiada por imagens pré-operatórias. Em seguida, realiza-se a abordagem artroscópica sob anestesia regional ou geral, com inserção de portais específicos no punho. O cisto é então identificado, junto com sua comunicação com a cápsula articular, e completamente excisado, incluindo o pedículo e a base capsular para reduzir a chance de recidiva.

Cuidados pós-operatórios

Após a artroscopia, recomenda-se um período breve de imobilização, seguido de reabilitação funcional com ênfase na mobilidade do punho. Nesse contexto, indica-se a fisioterapia para evitar rigidez e promover recuperação da amplitude de movimento.

A maioria dos pacientes retorna às atividades em cerca de 2 a 4 semanas, embora alguns possam precisar de até 8 semanas para recuperação completa.

Ademais, complicações são incomuns, mas podem incluir dor residual, rigidez e, raramente, lesões neurovasculares.

Aperfeiçoe suas habilidades em artroscopia do punho com o Cetrus

O curso de Artroscopia do Punho com Treinamento em Cadáver Fresh Frozen oferece uma oportunidade única para ortopedistas e cirurgiões da mão aprimorarem suas técnicas em um ambiente controlado e realista.

Destaques do curso:

  • Corpo docente qualificado: aprendizado com profissionais renomados, garantindo ensino de excelência.
  • Prática em cadáver fresh frozen: simulações realistas de procedimentos artroscópicos, permitindo familiarização com a anatomia e técnicas cirúrgicas.
  • Conteúdo abrangente: desde o tratamento de cistos sinoviais até reconstruções ligamentares complexas, abordando as principais patologias do punho.
  • Infraestrutura de ponta: acesso a equipamentos modernos e ambiente de aprendizado de alta qualidade.

Referências

  • Erwin J, Varacallo MA. Anatomia do Ombro e Membro Superior, Articulação do Punho. [Atualizado em 4 de setembro de 2023]. Em: StatPearls [Internet]. Ilha do Tesouro (FL): StatPearls Publishing; jan. de 2025. 
    Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK534779/
  • Gude W, Morelli V. Ganglion cysts of the wrist: pathophysiology, clinical picture, and management. Curr Rev Musculoskelet Med. 2008 Dec;1(3-4):205-11. doi: 10.1007/s12178-008-9033-4. Epub 2008 Aug 26. PMID: 19468907; PMCID: PMC2682407.
  • Keyser F, Blazar PE. Ganglion cysts of the wrist and hand. UpToDate, 2024.

Cite este artigo no seu trabalho

Para citar este artigo em outro texto, clique e copie a referência em formatação ABNT.

Citação copiada!

Compartilhe esta publicação: