Novas tecnologias em endoscopia digestiva

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Tudo o que você precisa saber sobre as novas tecnologias em endoscopia digestiva para a sua prática clínica!

Os avanços tecnológicos na endoscopia digestiva têm proporcionado diagnósticos mais precisos e tratamentos menos invasivos. Além de aprimorar a precisão diagnóstica de doenças gastrointestinais e reduzir a necessidade de intervenções invasivas, podem também proporcionar uma melhor experiência ao paciente

Os métodos de diagnóstico endoscópico são amplamente utilizados para investigar órgãos e tecidos do trato digestivo. Além disso, classificam-se em:

  • Porção alta – endoscopia digestiva alta ou EDA ou esofagogastroduodenoscopia;
  • Porção baixa – endoscopia digestiva baixa ou colonoscopia.

No contexto clínico e terapêutico, recomenda-se os métodos endoscópicos para a avaliação de sangramentos intestinais, investigação de malignidades em lesões neoplásicas, análise de sintomas no trato digestivo, realização de biópsias, detecção e prevenção de lesões cancerígenas, diagnóstico de doenças inflamatórias intestinais, torções ou obstruções intestinais, entre outras queixas.

Embora a aplicação de inteligência artificial auxilie no processo, ela não substitui a necessidade de qualificação dos profissionais. Dessa forma, a experiência e o conhecimento do médico endoscopista são fundamentais para identificar corretamente a principal causa do problema de saúde do paciente.

Novas tecnologias em endoscopia digestiva

Nos tópicos a seguir, veremos as principais tecnologias em endoscopia digestiva, que inclui:

  • Endoscopia assistida por inteligência artificial (IA);
  • Técnicas endoscópicas avançadas, como endoscopia de alta resolução e ampliação, cromoendoscopia, imagem de banda estreita, imagem de autofluorescência e endomicroscopia confocal a laser.
  • Ecoendoscopia;
  • Cápsula endoscópica;

Endoscopia assistida por inteligência artificial (IA)

Na endoscopia assistida por inteligência artificial (IA), a IA assume um papel cada vez mais importante na interpretação das imagens endoscópicas. Algoritmos de IA estão sendo desenvolvidos para reconhecer e identificar diferentes tipos de alterações.

Identifica-se três paradigmas na IA para a detecção de patologias: 

  • Detecção auxiliada por computador (CADe);
  • Diagnóstico auxiliado por computador (CADx);
  • Avaliação de qualidade auxiliada por computador (CADq).

Cada um desses paradigmas desempenha um papel específico dentro da IA: o CADe, por exemplo, identifica as anomalias; o CADx, por sua vez, as caracteriza e antecipa um diagnóstico; e o CADq, por fim, avalia a qualidade do exame endoscópico para melhorar a precisão dos diagnósticos e otimizar a gestão do programa como um todo.

Aplica-se, portanto, CAD e IA em diversos contextos no campo da gastroenterologia, como:

  • Identificação e classificação de pólipos;
  • Detecção de malignidade em pólipos;
  • Presença de inflamação em imagens endoscópicas;
  • Classificação de lesões;
  • Análise da motilidade intestinal;
  • Identificação de doença celíaca;
  • Localização anatômica de lesões;
  • Detecção de câncer e avaliação da profundidade de invasão.

Técnicas endoscópicas avançadas

Nos últimos anos, observou-se grande avanço na tecnologia endoscópica com o objetivo de oferecer diagnósticos endoscópicos precisos e em “tempo real”. 

O endoscópio de fibra óptica flexível, introduzido em meados do século XX, por exemplo, facilitou o diagnóstico e tratamento de diversas condições gastroenterológicas. Mais tarde, porém, esse modelo foi substituído pelos videoendoscópios convencionais, que utilizam chips de dispositivos de carga acoplada com resolução que varia de 100.000 a 300.000 pixels. Esta característica técnica, chamada densidade de pixels, está diretamente relacionada à resolução da imagem, ou seja, à capacidade de distinguir dois pontos muito próximos. 

Neste tópico, veremos algumas das principais técnicas avançadas em endoscopia digestiva, entre elas:

  • Endoscopia de alta resolução e ampliação;
  • Cromoendoscopia;
  • Imagem de banda estreita (NBI);
  • Imagem de autofluorescência (AFI);
  • Endomicroscopia confocal a laser.

Endoscopia de alta resolução e ampliação

Os endoscópios de alta resolução são equipados com chips de dispositivos de carga acoplada com até 850.000 pixels, permitindo a visualização de lesões com diâmetros que variam de 10 a 71 μm. Esta tecnologia oferece, portanto, detalhes mais precisos da mucosa.

Define-se a endoscopia de ampliação, por sua vez, como uma técnica simples que amplia a imagem do vídeo em até 150 vezes através de uma lente móvel controlada pelo endoscopista para ajustar o nível de ampliação. 

Assim, a endoscopia de alta resolução melhora a capacidade de distinguir lesões, enquanto a endoscopia de ampliação aumenta a imagem.

Cromoendoscopia

Na cromoendoscopia, utiliza-se agentes de contraste para melhorar a visualização da mucosa gastrointestinal. Além disso, frequentemente, combina-se essa técnica com endoscópios de alta resolução e ampliação. 

Os corantes empregados podem ser divididos em duas categorias:

  • Colorações vitais, como solução de Lugol, azul de metileno e azul de toluidina, que são ativamente absorvidas pelas células;
  • Colorações de contraste, como o índigo carmim, que não são absorvidas, mas realçam os padrões da mucosa ao se acumularem nas depressões e sulcos do tecido. 

Imagem de banda estreita (NBI)

Fundamenta-se a imagem de banda estreita (NBI) no princípio de que a profundidade da penetração da luz nos tecidos é proporcional ao comprimento de onda, ou seja, quanto menor o comprimento de onda, mais superficial é a penetração. 

Para a NBI, utiliza-se filtros espectrais de banda estreita nas faixas vermelha, verde e azul, o que auxilia na visualização dos padrões mucosos e vasculares sem a necessidade de cromoendoscopia. 

A hemoglobina é o principal cromóforo nos tecidos na faixa de comprimento de onda visível e tem um pico de absorção próximo a 415 nm, que está dentro do intervalo de comprimento de onda utilizado pela NBI. Dessa forma, espera-se que a NBI detecte estruturas e padrões vasculares com maior precisão do que a endoscopia convencional. 

Portanto, uma das suas principais vantagens é a capacidade de proporcionar uma melhor visualização da rede vascular na mucosa.

Imagem de autofluorescência (AFI)

Baseia-se no princípio de que a excitação dos tecidos com luz de comprimento de onda menor resulta na emissão de luz com comprimento de onda maior. 

No trato gastrointestinal, várias substâncias biológicas, conhecidas como fluoróforos, podem ser estimuladas pela luz. Durante a excitação, esses fluoróforos emitem luz fluorescente que difunde-se por uma gama de comprimentos de onda maiores, desde o espectro verde até o vermelho. O colágeno submucoso, por exemplo, é o principal responsável pela autofluorescência dos tecidos no trato gastrointestinal. 

Alterações malignas no tecido estão associadas à emissão de comprimentos de onda de luz mais longos, resultando em uma mudança da cor verde para a vermelha. Por exemplo, a mucosa escamosa normal e o epitélio de Barrett sem displasia tendem a parecer esverdeados, enquanto as áreas com suspeita de neoplasia podem apresentar-se com uma coloração azul-púrpura.

Endomicroscopia confocal a laser

Define-se a endomicroscopia confocal a laser como uma tecnologia de imagem que incorpora um microscópio confocal a laser na extremidade de um videoendoscópio padrão ou como uma sonda que pode ser inserida no canal de qualquer endoscópio. 

Diante disso, essa técnica tem como objetivo oferecer histologia em tempo real (histologia in vivo) durante o exame

Através dessa tecnologia, utiliza-se simultaneamente a microscopia de luz branca e a microscopia confocal, além disso, o canal de trabalho pode ser empregado para realizar biópsias direcionadas. .

Ecoendoscopia

Define-se a ecoendoscopia (EE) como uma técnica endoscópica que combina a endoscopia com ultrassom de alta frequência para o fornecimento de imagens detalhadas do tubo digestivo e dos tecidos adjacentes. Portanto, utiliza-se uma pequena sonda acoplada ao final do endoscópio para a realização de estudos sonográficos da parede do trato gastrointestinal e das estruturas circundantes, com frequências superiores às da ecografia convencional. 

Dessa forma, emprega-se frequências de 7,5 ou 12 MHz para a visualização da parede intestinal em cinco camadas distintas e, além disso, para identificação de estruturas vasculares, linfáticas e vísceras sólidas próximas ao transdutor. 

A ecoendoscopia, que também é conhecida como endo-sonografia ou ultra-sonografia endoscópica, demonstrou alta precisão na determinação do estágio de neoplasias malignas do tubo digestivo e na detecção de lesões pancreáticas, sejam elas pequenas, sólidas ou císticas, benignas ou malignas. 

Além disso, com a introdução dos ecoendoscópios eletrônicos setoriais, tornou-se possível a realização da punção-biópsia aspirativa com agulha fina, guiada em tempo real, para linfonodos, massas peridigestivas e para a glândula pancreática, recurso conhecido como PEPAF – punção ecoendoscópica do pâncreas com agulha fina.

Como desafios da técnica, inclui-se o alto custo dos equipamentos, a fragilidade dos mesmos, a longa curva de aprendizado e a falta de centros de treinamento. Além disso, a resistência das fontes pagadoras em cobrir os custos do procedimento contribui para a restrição de sua utilização. 

Cápsula endoscópica

Define-se a cápsula endoscópica como uma técnica em endoscopia digestiva que utiliza uma cápsula ingerível sem fio para obter imagens coloridas de alta qualidade do trato gastrointestinal. A cápsula, com dimensões de 11 x 26 mm, transmite imagens com velocidade de 2 quadros por segundo e possui uma bateria com duração de 6 a 8 horas.

Através dessa tecnologia, transmite-se imagens para um gravador de dados enquanto a cápsula é deslocada pelo peristaltismo natural. Dessa forma, a cápsula endoscópica possibilita uma visualização não invasiva de grande parte do intestino delgado, uma área que não pode ser totalmente acessada por endoscopia superior ou inferior. 

Em adultos, a cápsula endoscópica tem se mostrado útil para confirmar ou suspeitar de Doença Inflamatória Intestinal (DII). Além disso, utiliza-se a tecnologia principalmente para o diagnóstico de sangramentos gastrointestinais (GI) obscuros e avaliação de pacientes com hemorragia GI evidente de origem desconhecida após esofagogastroduodenoscopia (EGD) e colonoscopia não conclusivas. 

Saiba mais: Doenças inflamatórias intestinais (DII): manejo clínico e recomendações

Além de suas aplicações principais, utiliza-se a cápsula endoscópica para avaliar pacientes com diarreia crônica, anemia ferropriva refratária, dor abdominal, síndromes de polipose, doença celíaca e triagem de tumores do intestino delgado. Ademais, a técnica também pode ser usada para avaliar distúrbios esofágicos, como varizes esofágicas e esôfago de Barrett, devido ao seu caráter minimamente invasivo.

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Referências

  1. CEZAR, V.T. Avanços recentes nas terapias endoscópicas minimamente invasivas: uma revisão abrangente para o tratamento de doenças gastrointestinais. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 4, p.14404-14414, jul./aug., 2023.
  2. ESADI. Endoscopia Digestiva Alta. Disponível em: https://www.esadi.com.br/procedimento/endoscopia/endoscopia/. Acesso em: 09 set 2024.
  3. FREITAS, G.P.; TEIXEIRA, N.; FELDMAN, G. Capsule endoscopy in clinical practice – four years of experience from a single center. Arq Gastroenterol v. 48 – no.3 – jul./set. 2011.
  4. MALUF-FILHO, F. et al. I Consenso Brasileiro de Ecoendoscopia. Arq Gastroenterol,  v. 44 – no.4 – out./dez. 2007.
  5. OUAHED, J.; SHAGRANI, M.; SANT’ANNA, ANA. Papel da cápsula endoscópica na reclassificação da doença inflamatória intestinal em crianças. J. Pediatr. (Rio J.) 89 (2), Abr 2013.
  6. REDDYMASU, S.C.; SHARMA, P. Advances in Endoscopic Imaging of the Esophagus. Gastroenterolog Clinics of North America, Volume 37, 2008.
  7. SILVA, C.S. et al. Os avanços no diagnóstico endoscópico impulsionados pela Inteligência Artificial. Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-09, 2024.

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