
Saiba quais os pontos mais importantes na avaliação ultrassonográfica do fígado ao modo B e melhore sua acurácia diagnóstica!
Critérios essenciais na avaliação hepática
A ultrassonografia segue critérios bem definidos para garantir um exame preciso. No estudo hepático, os principais aspectos a serem analisados incluem:
- Anatomia, ecotextura, ecogenicidade e dimensões hepáticas
- Identificação de variantes anatômicas
- Detecção de lesões difusas ou focais
O modo B, ou modo brilho, exibe imagens em escala de cinza, permitindo a visualização detalhada da estrutura hepática em diferentes cortes.
Otimizações e anatomia superficial hepática
Antes de iniciar o estudo, devemos otimizar o modo B no aparelho, de maneira a melhorar a acurácia do exame, a partir dos comandos de frequência, profundidade, foco, ganho e preset. Após estes ajustes, podemos começar a observar a anatomia hepática através da Ultrassonografia.
Para estudo hepático, precisamos realizar varreduras no abdome do paciente, de forma a abranger o órgão em sua completude, e o posicionamento corpóreo frente ao paciente e a manipulação do transdutor devem ser acurados. Existem posições obrigatórias do transdutor para exploração do fígado: longitudinal, transversa (para observação dos lobos esquerdo e direito), oblíqua subcostal (para observação do lobo direito) e intercostal.
O fígado pode ser acessado por janelas acústicas subcostais, intercostais (pelo hipocôndrio direito e flanco direito) e também pela região epigástrica (Figura 1).

No exame ultrassonográfico hepático, é extremamente importante o entendimento da anatomia e segmentação hepáticas, além do conhecimento de sua localização, tamanho e características específicas.
O fígado deve apresentar bordas finas e regulares em toda a sua extensão, tanto no lobo esquerdo, como no lobo direito, e estes achados estão intimamente relacionados às dimensões normais do fígado. Na suspeita de hepatomegalia, os bordos frequentemente se apresentam globosos ou rombos. Outra maneira de avaliar as dimensões é através da hepatimetria (saiba como realizar a hepatimetria e avaliar os bordos hepáticos de forma correta clicando aqui).
O fígado deve apresentar uma ecogenicidade média, hipoecóico ou isoecóico em relação ao baço e isoecóico ou levemente hipercóico em relação ao córtex renal, com um aspecto de padrão difusamente homogêneo, sendo intercalado por estruturas vasculares
Identificando as estruturas vasculares e ligamentos
Durante a varredura subcostal, em que fazemos um movimento de báscula, podemos identificar, num plano em direção ao diafragma, as veias hepáticas, vasos praticamente sem paredes ecogênicas que confluem com a veia cava inferior (Figura 2).

Os vasos com paredes mais ecogênicas são os vasos portais. Esses vasos podem ser observados desde a sua entrada no fígado, através do tronco porta, na região conhecida como hilo hepático, até as regiões mais distantes e periféricas.
O tronco porta se subdivide em ramos direito e esquerdo (Figura 3).

Do ramo esquerdo, partem dois ligamentos, um que sai da porção anterior e penetra o fígado chamado ligamento redondo que, em corte transversal, provoca uma sombra acústica posterior característica. O outro ligamento vai até a parte póstero-superior do fígado, chamado ligamento venoso. Esses dois ligamentos determinam o lobo esquerdo do fígado, logo todas as estruturas à esquerda desses ligamentos fazem parte do lobo esquerdo hepático.
Entre o ligamento venoso, o ramo esquerdo da veia porta e a veia cava inferior, delimita-se o lobo caudado do fígado que pode ser medido no seu sentido transversal entre o ligamento venoso e a veia cava inferior.
No ramo portal direito, podemos observar uma linha hiperecogênica que parte em direção à parede anterior, chamada fissura interlobar, que se apresenta alinhada com a vesícula biliar. O que se encontra à direita da fissura interlobar ou da vesícula biliar faz parte do lobo direito.
Entre a fissura interlobar e o ligamento redondo, superiormente ao lobo caudado, fica o lobo quadrado.
Esta avaliação topográfica do fígado é importante para que possamos nos orientar durante a busca de lesões focais.
Variantes anatômicas
Dentre as variantes mais comuns está o lobo de Riedel (conheça o que é e como identificar o lobo de Riedel clicando aqui).
Identificando lesões difusas e focais
Através da avaliação de parâmetros como dimensões, ecogenicidade, ecotextura, morfologia e análise dos bordos hepáticos, podemos suspeitar de alterações difusas, como esteatose hepática, doenças de depósito ou cirrose, assim como lesões focais, entre elas cistos simples, cistos hidáticos, abscessos e nódulos ou ainda lesões expansivas com efeito de massa.
Na esteatose hepática, o acúmulo anormal de triglicérides no interior dos hepatócitos é geralmente difusa, fazendo com que se atenue a onda sonora. Assim, ao exame ultrassonográfico, o fígado apresenta-se hiperecoico, com um aspecto brilhante. Quanto maior é a deposição de gordura, mais hiperecoico é o parênquima hepático. Além disso, a borda apresenta-se de modo mais romba.
Já na cirrose hepática, o fígado possui uma morfologia específica ao exame, com redução do volume hepático, que pode ser focal ou generalizada, e alargamento do espaço periportal hilar. Ademais, há um aumento da ecogenicidade e uma textura heterogênea do parênquima hepático.
Dessa maneira, ressaltamos os pontos mais importantes para sistematizar o seu exame. Isso permitirá uma melhor elaboração de hipóteses diagnósticas e uma documentação mais adequada, objetiva e completa.
Aprimore sua Habilidade na Avaliação Hepática
Quer se tornar especialista na avaliação ultrassonográfica do fígado e aprimorar sua acurácia diagnóstica? No Curso de Ultrassonografia em Hepatologia do Cetrus, você aprenderá a identificar padrões de normalidade e patologias hepáticas com precisão, utilizando o modo B e outras técnicas avançadas. Com ênfase prática e orientação de especialistas, o curso capacita você a realizar exames completos, interpretar achados clínicos e elaborar laudos assertivos. Garanta sua vaga e eleve seu nível de expertise no diagnóstico hepatobiliar!
Dr. Fernando Parreira Miranda
Médico Radiologista Geral;
Membro do Núcleo Técnico de Conteúdo do Cetrus.






