O que o IP da artéria umbilical avalia?
O IP (índice de pulsatilidade) da artéria umbilical é o parâmetro Doppler que quantifica a resistência ao fluxo sanguíneo no compartimento placentário. Em uma gestação normal, o IP AU diminui progressivamente porque o número e o calibre das vilosidades placentárias aumentam — a placenta vai se tornando um sistema de baixa resistência. A medição é feita em alça livre de cordão (porção média), com ângulo de insonação <30°.
Valores acima do percentil 95 para a IG indicam aumento da resistência placentária. Quando esse aumento progride, o fluxo diastólico final pode desaparecer (diástole zero) ou se inverter (diástole reversa), refletindo perda crítica do leito vascular placentário.
O IP da artéria umbilical reflete a resistência placentária e diminui ao longo da gestação normal.
IP AU acima do percentil 95 é o primeiro sinal de insuficiência placentária.
Qual o IP normal da artéria umbilical e quando está alterado?
| Achado | Significado | Conduta sugerida |
|---|---|---|
| IP AU < p95 | Resistência placentária normal | Manter conduta padrão para IG/contexto |
| IP AU > p95 (com diástole) | Resistência aumentada, insuficiência placentária inicial | Doppler 1 a 2 vezes por semana |
| Diástole zero | >60% do leito vilositário obliterado, insuficiência grave | Centro terciário, Doppler e CTG a cada 2 a 3 dias, parto a partir de 34+0 (permitido após 32+0) |
| Diástole reversa | >70% do leito obliterado, risco iminente | Parto de 32+0 a 33+6 (permitido após 30+0), antes disso pelo DV ou pela STV |
Exemplo. Com 32+0 semanas a mediana do IP AU é 0,97 e o p95 é 1,26 (Ciobanu 2019). Um IP AU de 1,55 está acima do p95, sinaliza insuficiência placentária e pede Doppler 1 a 2 vezes por semana.
Diástole zero ou reversa na artéria umbilical indica insuficiência placentária grave com risco de óbito fetal.
IP AU acima do p95 pede Doppler 1 a 2 vezes por semana, e a diástole zero pede Doppler e CTG a cada 2 a 3 dias em centro terciário (ISUOG 2020).
Cuidados técnicos da medição
- Local: alça livre de cordão (porção média), não junto ao abdome fetal nem à inserção placentária.
- Ângulo: <30°.
- Janela: pelo menos 3 ondas consistentes; descartar se houver movimento fetal/respiratório.
- Repetir sempre que o resultado for alterado para confirmar o achado antes de mudar conduta.
Perguntas Frequentes
O que significa IP da artéria umbilical acima do percentil 95?
Indica resistência placentária aumentada, o primeiro sinal de insuficiência placentária. Sozinho não indica parto imediato. A ISUOG 2020 pede Doppler ao menos 1 a 2 vezes por semana, com curva de crescimento e cardiotocografia, e na RCF tardia indica o parto entre 36+0 e 37+6. Corticoide se o parto for antes de 34+0.
Diástole zero na artéria umbilical: o que fazer?
Acompanhamento em centro terciário, com Doppler e CTG computadorizada a cada 2 a 3 dias e vigilância diária durante o corticoide, indicado se o parto for antes de 34+0. A diástole zero reflete obliteração de mais de 60% do leito vilositário. Pela ISUOG 2020 o parto é indicado a partir de 34+0 (permitido depois de 32+0), ou antes se o ducto venoso tiver onda a na linha de base ou abaixo ou se a STV cair abaixo do limite da IG.
Diástole reversa indica parto imediato?
Depende da IG. Pela ISUOG 2020 a diástole reversa indica o parto de 32+0 a 33+6 (permitido depois de 30+0). Antes disso o momento do parto segue o ducto venoso e a STV da CTG computadorizada (de 26+0 a 31+6, parto com onda a na linha de base ou abaixo, ou com STV abaixo de 2,6 ms até 28+6 e de 3,0 ms de 29+0 a 31+6), e de 24+0 a 25+6 o manejo é individualizado. Corticoide se o parto for antes de 34+0.
IP AU normal exclui sofrimento fetal?
Não. Em RCF tardia (>32 sem) o IP AU pode estar normal apesar de comprometimento hemodinâmico — é a RCP (razão cerebroplacentária) que costuma se alterar primeiro. Sempre avaliar AU + ACM + RCP em conjunto e interpretar com a curva de crescimento.
Referências científicas
- . Fetal Medicine Foundation reference ranges for umbilical artery and middle cerebral artery pulsatility index and cerebroplacental ratio. Ultrasound Obstet Gynecol; 2019; 53:465-472. doi:10.1002/uog.20157
- . ISUOG Practice Guidelines: diagnosis and management of small-for-gestational-age fetus and fetal growth restriction. Ultrasound Obstet Gynecol; 2020; 56:298-312. doi:10.1002/uog.22134
- . Integrated fetal testing in growth restriction: combining multivessel Doppler and biophysical parameters. Ultrasound Obstet Gynecol; 2003; 21:1-8. doi:10.1002/uog.21
