O que o Doppler do ducto venoso avalia?
O ducto venoso é a comunicação preferencial da veia umbilical para o coração fetal direito. Seu padrão de fluxo reflete a complacência ventricular direita. Em condições normais as três fases (S, D e a) são anterógradas, com a onda a sendo a menor.
Duas janelas de uso clínico.
- 1º trimestre (11 a 13⁺⁶ semanas). A onda a reversa aumenta o risco de trissomias e de cardiopatia congênita e é marcador secundário no rastreio combinado da FMF. Ela aparece em 3,2% dos fetos euploides (Maiz 2009), então não é sinal de descompensação. Esta calculadora não calcula percentil de PIV nessa fase. Use a calculadora de translucência nucal e o rastreio combinado.
- De 21 a 40 semanas. Integra a vigilância da RCF precoce. PIV acima do p95 é alteração precoce, e a onda a na linha de base ou abaixo é critério de parto da ISUOG 2020 entre 26+0 e 31+6.
Qual o PIV normal do ducto venoso e quando está alterado?
| Achado | Significado | Conduta (ISUOG 2020) |
|---|---|---|
| PIV até o p95 e onda a presente | Função cardíaca preservada | Manter conduta padrão |
| PIV acima do p95 e onda a presente | Alteração precoce do DV | Intensificar Doppler e CTG computadorizada, sem parto só por isso |
| Onda a na linha de base ou abaixo, de 26+0 a 31+6 | Descompensação cardiovascular | Parto, com corticoide se antes de 34+0 |
| Onda a na linha de base ou abaixo, de 24+0 a 25+6 | Descompensação cardiovascular | Manejo individualizado em centro terciário |
Exemplo. Com 30+0 semanas a mediana do PIV é 0,54 e o p95 é 0,80 (Kessler 2006). Um PIV de 0,85 com onda a positiva fica acima do p95.
Entre 26+0 e 31+6 a onda a do ducto venoso na linha de base ou abaixo é critério de parto da ISUOG 2020 na RCF precoce.
No 1º trimestre a onda a reversa é marcador de rastreio de aneuploidia e cardiopatia, e aparece em 3,2% dos fetos euploides.
Cuidados técnicos da medição
- Local: porção proximal do ducto venoso, no plano sagital ou transverso superior do abdome fetal.
- Filtro de parede: baixo (50–70 Hz) para preservar a onda a.
- Janela: 3 ondas consistentes mínimo, sem movimento fetal/respiratório.
- Ângulo: <30°; repetir até obter traçado limpo.
- Não confundir com veia cava ou veia umbilical: o DV tem fluxo turbulento de alta velocidade característico (PSV maior que vasos vizinhos).
Perguntas Frequentes
O que significa onda a reversa no ducto venoso?
Na RCF precoce indica disfunção cardíaca direita grave, porque a contração atrial empurra sangue de volta para o sistema venoso, e está associada a risco alto de óbito intrauterino. A ISUOG 2020 indica o parto entre 26+0 e 31+6 quando a onda a está na linha de base ou abaixo, e de 24+0 a 25+6 o manejo é individualizado. No 1º trimestre o significado é outro, marcador de aneuploidia e cardiopatia.
DV é confiável no rastreio do 1º trimestre?
É marcador secundário no rastreio combinado da FMF. A onda a reversa eleva o risco de trissomias 21, 18 e 13 e de cardiopatia congênita, mas aparece em 3,2% dos fetos euploides (Maiz 2009). Tecnicamente é o mais difícil dos marcadores do 1º trimestre e exige treino e certificação. Esta calculadora não se aplica a essa fase.
Onda a ausente é tão grave quanto reversa?
Para a conduta da ISUOG 2020, sim. O critério de parto entre 26+0 e 31+6 é a onda a na linha de base ou abaixo dela, o que inclui a ausente e a reversa, e as duas pedem a mesma decisão nessa janela.
Referências científicas
- . Longitudinal reference ranges for ductus venosus flow velocities and waveform indices. Ultrasound Obstet Gynecol; 2006; 28:890-898. doi:10.1002/uog.3857
- . ISUOG Practice Guidelines: diagnosis and management of small-for-gestational-age fetus and fetal growth restriction. Ultrasound Obstet Gynecol; 2020; 56:298-312. doi:10.1002/uog.22134
- . Ductus venosus Doppler in screening for trisomies 21, 18 and 13 and Turner syndrome at 11-13 weeks of gestation. Ultrasound Obstet Gynecol; 2009; 33:512-517. doi:10.1002/uog.6330
