Câncer de próstata: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
O câncer de próstata é uma das principais causas de morte por câncer entre os homens, especialmente em idosos, representando um grande desafio para a saúde pública. Estima-se que, somente no Brasil, mais de 65 mil novos casos são diagnosticados anualmente, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Embora seja uma doença com alta incidência, o diagnóstico precoce pode transformar completamente o prognóstico, aumentando as chances de tratamento eficaz e cura.
Nesse contexto, a ultrassonografia transretal (TRUS) é uma ferramenta valiosa no diagnóstico, estadiamento e acompanhamento do câncer de próstata, especialmente quando combinada com outros métodos de imagem, como a ressonância magnética multiparamétrica (RMmp).
Câncer de próstata: um desafio global
O câncer de próstata afeta predominantemente homens com mais de 50 anos, e fatores como histórico familiar e etnia também desempenham um papel significativo no risco de desenvolvimento da doença. Homens negros, por exemplo, apresentam maior propensão ao diagnóstico e à mortalidade.
Embora o câncer de próstata seja frequentemente assintomático em seus estágios iniciais, alguns sinais podem surgir, como dificuldade para urinar, necessidade frequente de urinar, especialmente à noite, e dor pélvica. Contudo, esses sintomas geralmente aparecem em estágios avançados, o que reforça a necessidade de estratégias eficazes de rastreamento e diagnóstico.
O rastreamento do câncer de próstata é tipicamente feito por meio do exame de sangue para o Antígeno Prostático Específico (PSA) e do exame de toque retal. Quando esses exames indicam alterações suspeitas, o próximo passo geralmente envolve exames de imagem, como a ultrassonografia transretal (TRUS), que é amplamente utilizada devido à sua acessibilidade e eficácia.
A ultrassonografia transretal (TRUS): o que é e como funciona?
A ultrassonografia transretal (TRUS) é uma tecnologia de imagem amplamente utilizada na avaliação da próstata. Ela utiliza ondas sonoras para gerar imagens detalhadas da glândula prostática e das estruturas ao redor, oferecendo uma visão precisa e em tempo real. Trata-se de um exame fundamental no diagnóstico, estadiamento e acompanhamento do câncer de próstata.
Para realizar o TRUS, um pequeno transdutor é inserido no reto do paciente. Esse transdutor emite ondas sonoras que são refletidas pelos tecidos, retornando ao aparelho como ecos. Esses ecos são convertidos em imagens digitais de alta resolução, permitindo que o médico visualize com clareza a anatomia da próstata, identifique alterações suspeitas e avalie a extensão de possíveis lesões. O procedimento é rápido, geralmente indolor, e realizado em ambiente ambulatorial.
Por que o TRUS é Importante?
O TRUS é considerado uma ferramenta indispensável no manejo do câncer de próstata por várias razões:
- Detecção de lesões suspeitas: ele identifica áreas com alterações de ecogenicidade, que podem indicar a presença de tumores
- Biópsia guiada: com o TRUS, é possível direcionar agulhas para as áreas suspeitas, aumentando a precisão na coleta de amostras e reduzindo o risco de diagnósticos equivocados
- Estadiamento local: ele auxilia na medição do tamanho do tumor, na identificação de extensão extracapsular e na avaliação de invasão em tecidos adjacentes.
A imagem abaixo apresenta uma visão detalhada da ultrassonografia transretal da próstata. Ela mostra uma interface de um equipamento de ultrassom com a glândula prostática capturada em alta resolução. A imagem destaca áreas de ecogenicidade variável, indicando as diferenças de densidade dos tecidos prostáticos.
O transdutor transretal, posicionado no reto do paciente, gera uma imagem bidimensional da próstata e de estruturas adjacentes, como a vesícula seminal. Essa imagem é geralmente utilizada para identificar lesões suspeitas, medir o tamanho da próstata e guiar procedimentos como biópsias.
A visualização é clara e apresenta marcadores anatômicos característicos, o que facilita a avaliação precisa pelos especialistas. Essa ilustração pode ser usada em materiais educativos e informativos sobre o câncer de próstata e o papel do TRUS no diagnóstico e manejo da doença.
Além disso, o TRUS é uma opção segura e acessível, amplamente disponível em clínicas e hospitais. Apesar de suas limitações em detectar lesões muito pequenas, sua combinação com outros exames, como a ressonância magnética, garante uma avaliação completa.
Detecção precoce de lesões suspeitas
Um dos principais usos do TRUS é a detecção de lesões suspeitas na próstata. Alterações na ecogenicidade, que refletem as ondas sonoras de forma anormal, podem indicar a presença de tumores. Pode-se identificar essas lesões mesmo quando os exames clínicos não apresentam sinais definitivos.
Biópsia guiada por TRUS
A biópsia prostática guiada por ultrassom é considerada o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de câncer. Durante o procedimento, o TRUS permite que o médico direcione com precisão as agulhas para as áreas suspeitas da próstata, aumentando a probabilidade de identificar células cancerígenas.
Essa abordagem guiada é especialmente valiosa porque evita coletas aleatórias, reduzindo a chance de diagnósticos falso-negativos e minimizando desconfortos ao paciente. O procedimento é rápido, minimamente invasivo e pode ser realizado em ambiente ambulatorial, com sedação leve.
Estadiamento local do câncer de próstata
O estadiamento local do câncer de próstata é importante para definir o tratamento ideal. Ele avalia se o tumor está limitado à próstata ou se invadiu estruturas próximas, como vesículas seminais ou a cápsula prostática. Essa análise detalhada orienta decisões terapêuticas, diferenciando casos que trata-se com cirurgia ou radioterapia daqueles que exigem abordagens mais amplas. Métodos como ultrassonografia transretal (TRUS) e ressonância magnética ajudam a determinar a extensão do tumor, fornecendo informações essenciais sobre o estágio da doença.
O estadiamento adequado permite personalizar o tratamento e aumentar as chances de sucesso, melhorando o prognóstico do paciente.
Avaliação do tamanho e localização do tumor
A ultrassonografia transretal (TRUS) pode auxiliar na medicação do tamanho do tumor e determinação da sua localização na próstata. Essa avaliação é importante, pois tumores maiores ou situados próximos à cápsula prostática podem sugerir maior risco de invasão extracapsular, o que influencia diretamente as opções de tratamento. Identificar a extensão do tumor ajuda a decidir entre intervenções como cirurgia, radioterapia ou outras abordagens terapêuticas.
O TRUS oferece imagens detalhadas em alta resolução, permitindo uma análise precisa que contribui para personalizar o plano de tratamento e melhorar os resultados clínicos para o paciente.
Detecção de invasão local
O ultrassom também ajuda a identificar sinais de invasão em estruturas adjacentes, como as vesículas seminais e a parede retal. Essa avaliação detalhada contribui para classificar o câncer como localizado, localmente avançado ou metastático, influenciando diretamente o planejamento do tratamento.
Avaliação de linfonodos e metástase
Outro aspecto relevante do TRUS é sua capacidade de identificar linfonodos aumentados nas proximidades da próstata. Linfonodos inchados podem ser um sinal de metástases regionais, indicando que o câncer se espalhou para além da próstata.
Embora o TRUS não seja tão sensível quanto a ressonância magnética ou a tomografia computadorizada para identificar pequenas metástases, ele oferece uma avaliação inicial valiosa, especialmente em casos de suspeita de disseminação local.
O papel do TRUS no acompanhamento pós-tratamento
A ultrassonografia transretal não se limita ao diagnóstico inicial; ela também desempenha um papel fundamental no acompanhamento de pacientes tratados para câncer de próstata.
Após intervenções como prostatectomia radical ou radioterapia, pode-se realizar o TRUS para monitorar a glândula prostática remanescente (em casos de terapia parcial) ou identificar sinais de recorrência local.
Monitoramento de recorrência local
Recorrências locais do câncer de próstata são mais frequentemente detectadas nos primeiros 5 anos após o tratamento. O TRUS permite a detecção precoce dessas alterações, ajudando os médicos a intervirem rapidamente com terapias adicionais, como ablação ou radioterapia de resgate.
Guia para tratamentos adicionais
O TRUS também atua como guia em procedimentos terapêuticos minimamente invasivos, como crioterapia e ablação por radiofrequência. Indica-se esses tratamentos para pacientes com recorrência local do câncer de próstata ou para aqueles que não podem realizar cirurgias tradicionais. Utilizando o TRUS, os médicos podem localizar com precisão as áreas afetadas, maximizando a eficácia do tratamento e minimizando danos aos tecidos saudáveis. Essas abordagens oferecem alternativas eficazes, menos invasivas e com menor tempo de recuperação, sendo opções viáveis para melhorar a qualidade de vida dos pacientes que enfrentam desafios no tratamento convencional.
Limitações da ultrassonografia no câncer de próstata
Embora o ultrassom transretal ofereça muitos benefícios, é importante reconhecer suas limitações. Lesões muito pequenas ou em estágios iniciais podem ser difíceis de detectar, especialmente se não houver alterações significativas na ecogenicidade.
Nesses casos, recomenda-se métodos complementares de imagem, como a ressonância magnética multiparamétrica (RMmp), para uma avaliação mais detalhada.
Complementaridade com outros exames
A RMmp, por exemplo, é mais sensível e específica para identificar lesões pequenas e avaliar a agressividade do tumor. Quando combinada com o TRUS, essa abordagem oferece uma visão abrangente da próstata, aumentando a precisão do diagnóstico e ajudando a evitar biópsias desnecessárias.
A importância do diagnóstico precoce e da tecnologia avançada
O câncer de próstata é uma doença complexa, mas as ferramentas diagnósticas avançadas, como a ultrassonografia transretal, têm revolucionado a forma como ela é manejada. O TRUS desempenha um papel importante em todas as etapas do cuidado com o paciente: desde a detecção precoce de lesões até o acompanhamento pós-tratamento.
Para os homens, a mensagem principal é clara: o diagnóstico precoce salva vidas. Exames regulares, incluindo avaliações de PSA, toque retal e, quando necessário, ultrassonografia transretal, são essenciais para identificar a doença em seus estágios iniciais, quando as chances de cura são maiores.
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Referências bibliográficas
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