Demografia Médica no Brasil 2025: Com mais de 1 milhão de médicos até 2035, como você vai se diferenciar?
Segundo projeções da Demografia Médica no Brasil 2025, o país deve alcançar 1.152.230 médicos em atividade até 2035, o que corresponde a uma razão de 5,25 médicos por 1.000 habitantes. Isso significa, aproximadamente, 1 médico para cada 190 brasileiros, considerando uma população estimada de cerca de 219,5 milhões de habitantes para o mesmo ano.
Esse crescimento impressiona: representa mais do que quatro vezes a razão registrada no ano 2000 (1,18 médicos por 1.000 habitantes). O Brasil atualmente conta com 2,98 médicos por mil habitantes e já ultrapassa países como Japão (2,65) e os Estados Unidos (2,72). Embora o aumento na densidade médica possa sugerir avanços no acesso à saúde, o dado acende um sinal de alerta: o Brasil pode estar se aproximando de um cenário de superoferta de médicos, especialmente em regiões urbanas já saturadas, exigindo novos caminhos de diferenciação para quem deseja se destacar na carreira.
O que está impulsionando essa expansão?
Crescimento acelerado de cursos de graduação em Medicina
Em 2025, o Brasil atingiu a marca de 448 escolas médicas, com uma oferta anual de 48.491 vagas em cursos de Medicina. Em um intervalo de apenas 20 anos, o número de faculdades de Medicina no país mais que triplicou, passando de 143 para 448 — um aumento superior a 200%. No mesmo período, as vagas disponíveis também tiveram um crescimento expressivo, saltando de 13.820 para 48.491.
Desse total, 72,1% das vagas autorizadas concentram-se na rede privada, evidenciando o papel predominante do setor particular nessa expansão.
A distribuição desigual de médicos pelo país
Capital vs. interior: um abismo persistente
A desigualdade na distribuição de médicos entre capitais e cidades do interior é um dos aspectos mais marcantes do cenário da saúde no Brasil. De acordo com o Índice de Distribuição de Médicos Capital/Interior (IDCI), em média, as capitais concentram 3,66 vezes mais médicos por 1.000 habitantes do que o restante do estado. Essa diferença é ainda mais alarmante em estados como Sergipe (IDCI 22,53), Roraima (19,65) e Amazonas (14,26), evidenciando uma concentração extrema de médicos nas capitais em detrimento do interior. Mesmo em regiões mais desenvolvidas como o Sudeste, a desigualdade persiste, embora em menor escala — São Paulo, por exemplo, tem um IDCI de 2,52. Esses dados reforçam a necessidade de políticas públicas que incentivem a interiorização da prática médica, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a escassez de profissionais é mais crítica.
Pequenos municípios brasileiros enfrentam uma realidade alarmante: a presença de médicos é insuficiente para atender suas populações. Em 2024, 19 Macrorregiões de Saúde apresentavam menos de um médico por 1.000 habitantes, muitas delas localizadas nas regiões Norte e Nordeste. Municípios com menos de 10 mil habitantes, por exemplo, registram razão de apenas 0,57 médicos por 1.000 habitantes — número que cai para 0,51 nos municípios com até 5 mil moradores. Esses valores estão muito abaixo da média nacional de 3,08 e indicam não apenas escassez de profissionais, mas também desafios estruturais para a atração e fixação de médicos nessas localidades. Além da baixa densidade populacional, fatores como infraestrutura precária, acesso limitado à educação médica e ausência de serviços de suporte contribuem para essa disparidade preocupante.
O perfil do médico brasileiro
Mais jovens e mais mulheres
Pela primeira vez na história, as mulheres serão maioria entre os médicos em atividade no Brasil. Até o final de 2025, elas representarão 50,9% dos profissionais, marcando uma virada demográfica na profissão.
Essa mudança já é visível nas faculdades: em 2023, 61,8% dos estudantes de Medicina eram mulheres, sinalizando que a feminização da categoria deve se intensificar na próxima década.O perfil dos futuros médicos também revela uma profissão cada vez mais jovem: 60,9% dos estudantes têm até 24 anos.
Perfil socioeconômico dos estudantes
O perfil dos estudantes de Medicina no Brasil vem passando por transformações significativas, embora ainda persista uma desigualdade socioeconômica e racial marcante. Em 2023, 68,6% dos alunos eram brancos, enquanto negros (pretos e pardos somados) representavam 29,2% — proporção ainda distante da composição da população brasileira (55,5% negros, segundo o IBGE).
A disparidade é ainda maior quando comparamos instituições públicas e privadas: nas federais e estaduais, 44,4% dos estudantes eram negros, contra apenas 24,5% nas particulares. Além disso, 66% dos alunos de Medicina cursaram o ensino médio em escolas privadas, reflexo de um acesso ainda desigual à formação médica.
Apesar do avanço de políticas afirmativas — que em 2023 beneficiaram 9% dos matriculados, com maior impacto nas universidades públicas —, a democratização do curso avança em ritmo lento, especialmente no setor privado, onde apenas 0,4% das vagas são reservadas. Esses dados evidenciam a necessidade de ampliar ações inclusivas para que a Medicina reflita, de fato, a diversidade da sociedade brasileira.
Especialidades
Entre as 55 especialidades médicas reconhecidas no Brasil, sete concentram mais da metade dos médicos especialistas. Clínica Médica, Pediatria e Cirurgia Geral lideram o ranking, seguidas por Ginecologia e Obstetrícia, Anestesiologia, Cardiologia e Ortopedia e Traumatologia. Essas áreas, além de altamente demandadas, são estratégicas para o sistema de saúde e a formação médica, sendo muitas vezes pré-requisitos para outras especializações.
As especialidades com mais profissionais:
Especialidades médicas, ranqueadas pelo número de especialistas, em 2024
| Especialidade | Número de especialistas | % do total | % acumulado |
|---|---|---|---|
| Clínica Médica | 59.038 | 12,40% | 12,40% |
| Pediatria | 47.787 | 10,00% | 22,40% |
| Cirurgia Geral | 37.208 | 7,80% | 30,20% |
| Ginecologia e Obstetrícia | 35.528 | 7,40% | 37,60% |
| Anestesiologia | 22.367 | 4,70% | 42,30% |
| Cardiologia | 20.414 | 4,30% | 46,60% |
| Ortopedia e Traumatologia | 18.998 | 4,00% | 50,60% |
| Medicina do Trabalho | 17.714 | 3,7 | 54,3 |
| Oftalmologia | 16.784 | 3,5 | 57,8 |
| Medicina de Família e Comunidade | 15.542 | 3,3 | 61,1 |
| Radiologia e Diagnóstico Por Imagem | 15.137 | 3,2 | 64,2 |
| Psiquiatria | 13.581 | 2,8 | 67,1 |
| Dermatologia | 11.419 | 2,4 | 69,5 |
| Medicina Intensiva | 10.412 | 2,2 | 71,7 |
| Medicina do Tráfego | 8.291 | 1,7 | 73,4 |
| Otorrinolaringologia | 7.715 | 1,6 | 75 |
| Endocrinologia e Metabologia | 7.374 | 1,5 | 76,6 |
| Cirurgia Plástica | 6.960 | 1,5 | 78 |
| Gastroenterologia | 6.402 | 1,3 | 79,4 |
| Urologia | 6.227 | 1,3 | 80,7 |
| Neurologia | 5.866 | 1,2 | 81,9 |
| Cirurgia Vascular | 5.782 | 1,2 | 83,1 |
| Nefrologia | 5.769 | 1,2 | 84,3 |
| Endoscopia | 5.694 | 1,2 | 85,5 |
| Oncologia Clínica | 4.870 | 1 | 86,5 |
| Infectologia | 4.801 | 1 | 87,5 |
| Pneumologia | 4.429 | 0,9 | 88,5 |
| Patologia | 4.424 | 0,9 | 89,4 |
| Acupuntura | 3.772 | 0,8 | 90,2 |
| Cirurgia do Aparelho Digestivo | 3.732 | 0,8 | 91 |
| Neurocirurgia | 3.643 | 0,8 | 91,7 |
| Hematologia e Hemoterapia | 3.523 | 0,7 | 92,5 |
| Reumatologia | 3.255 | 0,7 | 93,1 |
| Geriatria | 3.167 | 0,7 | 93,8 |
| Mastologia | 2.755 | 0,6 | 94,4 |
| Homeopatia | 2.502 | 0,5 | 94,9 |
| Coloproctologia | 2.360 | 0,5 | 95,4 |
| Alergia e Imunologia | 2.139 | 0,4 | 95,9 |
| Medicina Legal e Perícia Médica | 1.868 | 0,4 | 96,2 |
| Cirurgia Oncológica | 1.771 | 0,4 | 96,6 |
| Medicina Preventiva e Social | 1.637 | 0,3 | 97 |
| Cirurgia Pediátrica | 1.634 | 0,3 | 97,3 |
| Nutrologia | 1.578 | 0,3 | 97,6 |
| Cirurgia Cardiovascular | 1.453 | 0,3 | 97,9 |
| Cirurgia Torácica | 1.172 | 0,2 | 98,2 |
| Cirurgia de Cabeça e Pescoço | 1.171 | 0,2 | 98,4 |
| Cirurgia da Mão | 1.140 | 0,2 | 98,7 |
| Angiologia | 1.106 | 0,2 | 98,9 |
| Medicina Esportiva | 1.087 | 0,2 | 99,1 |
| Medicina de Emergência | 917 | 0,2 | 99,3 |
| Radioterapia | 849 | 0,2 | 99,5 |
| Medicina Nuclear | 800 | 0,2 | 99,7 |
| Medicina Física e Reabilitação | 792 | 0,2 | 99,8 |
| Patologia Clínica / Medicina Laboratorial | 423 | 0,1 | 99,9 |
| Genética Médica | 376 | 0,1 | 100 |
| Total | 477.155 | 100 | — |

Graduação: ponto de partida, não de chegada
A formação em Medicina continua sendo uma base sólida para o exercício profissional, mas os dados mais recentes indicam que, diante do aumento expressivo no número de médicos em atividade, programas de residência e a formação complementar passaram a desempenhar um papel estratégico na trajetória profissional. A diferenciação, por meio da especialização e do aprimoramento contínuo, tem se mostrado cada vez mais relevante para a atuação qualificada e competitiva.
Residência médica: persistem os desafios de acesso
A residência médica segue como principal via de especialização no país, com forte valorização no mercado. No entanto, o número de vagas ainda está aquém do volume de egressos da graduação. Segundo a Demografia Médica 2025, menos da metade dos formandos consegue ingressar na residência no mesmo ano de conclusão do curso, o que evidencia um descompasso entre formação básica e oportunidades de especialização.

Crescimento consistente da pós-graduação lato sensu
Os cursos de pós-graduação lato sensu têm se expandido nos últimos anos. Em 2024, foram contabilizados 2.148 cursos ativos voltados exclusivamente para médicos, distribuídos em 373 instituições de ensino. As áreas com maior concentração de cursos incluem Endocrinologia, Dermatologia, Radiologia e Medicina da Dor, refletindo a demanda crescente por formação específica em áreas com ampla aplicação clínica e tecnológica.
O modelo de ensino a distância (EAD) também apresenta crescimento expressivo, representando 41,2% dos cursos — o que contribui para ampliar o acesso à qualificação em diferentes regiões do país, inclusive fora dos grandes centros urbanos.

O que dizem os dados de emprego e renda
Vínculos formais e informalidade crescente
O mercado de trabalho médico no Brasil tem apresentado um movimento preocupante de precarização dos vínculos empregatícios. Em 2023, apenas 33,3% dos médicos ativos no país possuíam vínculo formal de trabalho, conforme dados da RAIS, o que representa 190.917 profissionais com contratos principalmente nas modalidades CLT por tempo indeterminado e estatutário efetivo. Esse percentual é significativamente inferior aos 54% registrados em 2012, revelando uma tendência de queda contínua ao longo da última década.
A partir de 2020, a redução passou a ocorrer também em números absolutos, mesmo com o aumento expressivo no número de médicos em atividade. Esse cenário evidencia um padrão de inserção profissional cada vez mais sustentado por formas informais de contratação, como vínculos autônomos, PJ (pessoa jurídica) ou cooperativas, muitas vezes sem garantias trabalhistas. A persistência e o avanço dessa tendência colocam desafios não apenas à segurança e estabilidade do trabalho médico, mas também à qualidade e continuidade da assistência prestada à população.
Rendimento médio
O rendimento médio mensal de médicos declarantes de IR em 2022 foi de R$ 36.818,00, com uma queda de aproximadamente 7,35% entre 2012 e 2022. Mas com grandes variações entre regiões e especialidades.
Como se destacar em um mercado saturado?
A superoferta médica exige estratégias claras de diferenciação. A seguir, alguns caminhos validados por especialistas:
Invista em áreas estratégicas com baixa oferta de especialistas
Subespecializar-se pode, sim, ampliar significativamente suas oportunidades profissionais — especialmente em regiões e campos onde há carência de especialistas. Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, apenas 47,4% dos médicos em atividade possuem título de especialista, o que indica uma ampla margem de diferenciação possível entre os profissionais. Além disso, esse percentual tende a ser mais elevado entre médicos com múltiplos vínculos ou maior remuneração, o que sugere que a titulação pode estar associada a melhores condições de inserção e valorização no mercado de trabalho.
Áreas como Genética Médica, Medicina da Dor, Geriatria e Medicina Intensiva seguem com menor densidade de especialistas por habitante e podem oferecer mais espaço para crescimento profissional. Da mesma forma, o domínio de técnicas como a Ultrassonografia, com alta demanda e aplicação transversal em diversas especialidades, é um diferencial competitivo relevante para a prática clínica atual.
Leia também: Carreira em Ultrassonografia: Oportunidades e Benefícios – Entrevista com Dr. Caio Nunes
Escolher bem a instituição faz diferença
Na hora de escolher onde estudar (graduação ou pós), busque instituições com tradição, bons professores, infraestrutura e, principalmente, reconhecimento no mercado. Evite ser seduzido por cursos de baixo custo que não oferecem uma formação sólida e de qualidade.
Desenvolva competências em gestão médica
Temas como precificação de serviços, marketing na área da saúde, compliance e administração de clínicas têm ganhado cada vez mais relevância na formação do médico moderno. Dominar essas áreas amplia a autonomia profissional, contribui para decisões mais estratégicas e fortalece a sustentabilidade da carreira no setor público ou privado.
Presença digital: o novo cartão de visitas
Médicos com presença estratégica no Instagram, YouTube e LinkedIn conquistam autoridade e pacientes. É cada vez mais comum ver profissionais se destacando por divulgar conteúdos baseados em evidência com linguagem acessível.
Conheça o Cetrus
Diante dos desafios atuais na formação médica e da crescente demanda por qualificação especializada, conhecer instituições comprometidas com a excelência no ensino torna-se essencial. O Cetrus é uma referência consolidada na educação médica, com certificações reconhecidas, estrutura moderna e foco no desenvolvimento prático. Para médicos que buscam aprofundar seus conhecimentos e atuar com segurança e qualidade, vale a pena conhecer os diferentes cursos e modalidades do Cetrus.
Referências
SCHEFFER, M. (coord.). Demografia Médica no Brasil 2025. Brasília, DF: Ministério da Saúde; Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Associação Médica Brasileira, 2025. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/demografia_medica_brasil_2025.pdf. Acesso em: 14 maio 2025
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Usuários de plano de saúde têm mais acesso a cirurgias do que pacientes do SUS, aponta Demografia Médica 2025. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/abril/usuarios-de-plano-de-saude-tem-mais-acesso-a-cirurgias-do-que-pacientes-do-sus-aponta-demografia-medica-2025. Acesso em: 14 maio 2025. FMUSP.
Ministério da Saúde, FMUSP e AMB lançam a Demografia Médica no Brasil 2025. 2025. Disponível em: https://www.fm.usp.br/fmusp/noticias/ministerio-da-saude-fmusp-e-amb-lancam-a-demografia-medica-no-brasil-2025. Acesso em: 14 maio 2025.
JORNAL DA USP. Demografia Médica: qualidade da expansão de vagas no ensino brasileiro preocupa pesquisadores. 2025. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/demografia-medica-qualidade-da-expansao-de-vagas-no-ensino-brasileiro-preocupa-pesquisadores/. Acesso em: 14 maio 2025.
Pela 1ª vez, mulheres são maioria entre médicos no Brasil; país soma 635 mil profissionais e deve passar de 1 milhão em 10 anos. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/04/30/pela-1-vez-mulheres-sao-maioria-entre-medicos-no-brasil-pais-soma-635-mil-profissionais-e-deve-passar-de-1-milhao-em-10-anos.ghtml. Acesso em: 14 maio 2025.







