Laudo de nódulo tireoidiano pelo ACR TI-RADS

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Aprenda como fazer o laudo de um nódulo tireoidiano pelo ACR TI-RADS. Saiba quais os dados importantes e o que significa cada classificação!

Os nódulos tireoidianos são uma condição extremamente frequente, encontrada em 19 a 68% da população mundial, em grande parte benignos, sendo mais comuns em mulheres e idosos.

Faz parte da rotina de trabalho do Radiologista e do Ultrassonografista, realizar exames em pacientes com nódulo tireoidiano, assim como descrevê-los em seus laudos de forma precisa, fornecendo informações relevantes ao médico assistente, ajudando na triagem de possíveis nódulos malignos e determinando as condutas mais adequadas para aquela situação.

Nesse intuito, em 2017, o American College of Radiology (ACR), publicou o TI-RADS – Thyroid Imaging Reporting and Data System. Este White Paper, tem como objetivo padronizar os descritores dos nódulos tireoidianos e principalmente agrupar os nódulos em categorias com porcentagem similar de malignidade.

O que é o ACR TI-RADS

O ACR TI-RADS (American College of Radiology Thyroid Imaging Reporting and Data System) é um sistema de classificação utilizado para avaliar nódulos tireoidianos com base em características observadas em exames de ultrassonografia. 

A classificação do ACR TI-RADS pode variar de 1 a 5, sendo o TI-RADS 1 indicando um nódulo benigno e o TI-RADS 5 indicando um nódulo com alta suspeita de malignidade.

Laudo ACR TI-RADS

Em um laudo de tireoide é preciso ter os seguintes itens:

  1. Descrição geral do parênquima tireoidiano;
  2. Medidas tridimensionais dos lobos direito e esquerdo e a dimensão ântero-posterior do istmo e ainda o volume total da tireoide e ainda a localização;
  3. Descrição e categorização de no máximo quatro nódulos mais suspeitos com base no ACR TI-RADS;
  4. Presença ou não de linfonodos suspeitos;
  5. Recomendações para gerenciamento.

Em laudos com parênquima tireoidiano sem alterações, não se aplicam as categorias do ACR TI-RADS nem recomendações específicas.

Características analisadas pelo ACR TI-RADS

A avaliação de um nódulo tireoidiano pelo ACR TI-RADS envolve a análise das seguintes características:

  • Composição
  • Ecogenicidade
  • Forma
  • Margens
  • Focos ecogênicos 

Composição (C)

A composição diz respeito à estrutura interna do nódulo e é um dos principais critérios analisados no ACR TI-RADS. Os nódulos são classificados em cinco tipos, cada um com uma pontuação específica

  • 0 pontos: cístico ou quase completamente cístico 
  • 0 pontos: espongiforme 
  • 1 ponto: misto cístico e sólido
  • 2 ponto: sóido ou quase sólidos 

Ecogenicidade (E)

Essa característica se refere ao grau de brilho do nódulo em relação ao tecido adjacente. Pode ser classificada e pontuada em quatro tipos: 

  • 0: anecóico
  • 1: hiperecóica ou isoecóica
  • 2: hipoecóico
  • 3: muito hipoecóico

Forma (S)

A forma diz respeito à característica morfológica do nódulo. Ela pode ser classificada e pontuada:

  • 0: mais largo que alto 
  • 3: mais alto que largo

Margens (M) 

 Refere-se às bordas do nódulo e pode ser classificada e pontuada em:

  • 0: suave
  • 0: mal definido 
  • 2: lobulado ou irregular
  • 3: extensão extratireoidiana 

Focos ecogênicos 

  • 0: nenhum ou grandes artefatos de causa de cometa
  • 1: macrocalcificações 
  • 2: calcificações periféricas (aro)
  • 3: focos ecogênicos pontuados

Continue lendo mais sobre tireoide e USG em nosso artigo: Tireoide: aprenda sobre os aspectos clínicos e ultrassonográficos

Classificação dos nódulos pelo ACR TI-RADS

Como já falamos, a classificação dos nódulos pela ultrassonografia vai depender da pontuação que é obtida na análise das características abordadas acima. 

  • 0 pontos (TR1): benigno 
  • 2 pontos (TR2): não suspeito
  • 3 pontos (TR3): pouco suspeito
  • 4 a 6 pontos (TR4): moderadamente suspeito
  • 7 pontos (TR5): altamente suspeito. 

A partir dessa classificação é que iremos determinar a conduta do paciente.

Conduta e manejo do paciente com base na classificação ACR TI-RADS

A classificação ACR TI-RADS auxilia o médico na definição da conduta mais adequada, orientando a necessidade de investigação adicional — como a realização de biópsia (PAAF) ou apenas o acompanhamento clínico e por imagem — de acordo com o risco estimado de malignidade do nódulo.

TR1 a TR3 (0 a 3 pontos): recomendada apenas a observação e o seguimento periódico. A Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) pode ser considerada se o nódulo tiver 2,5 cm ou mais.

No caso do TR4, a PAAF será indicativa se o nódulo for maior ou igual a 1,5 cm. Menor que esse valor se aconselha acompanhamento para verificar progressão do nódulo. 

No caso do TR5, a punção já será indicada em presença de nódulos maiores ou iguais a 1,0cm. 

É importante saber que alguns fatores vão interferir na decisão do médico em escolher realizar a PAAF. A história familiar de câncer de tireoide, algumas síndromes associados ao câncer, como a Polipose Adenomatosa Familiar, história de infância terapêutica de cabeça e pescoço ou radiação de corpo inteiro. 

Referências

  1. TESSLER, F. N.; MIDDLETON, W. D.; GRANT, E. G. Thyroid Imaging Reporting and Data System (TI-RADS): A User’s Guide.  RSNA, 2018. 
  2. ROSS, D. S. Diagnostic approach to and treatment of thyroid nodules. UpToDate, 2023
  3. SIPOS, J. A. Overview of the clinical utility of ultrasonography in thyroid disease. UpToDate, 2023
  4. SIPOS, J. A. Technical aspects of thyroid ultrasound.UpToDate, 2023

Assista a vídeoaula de como laudar um nódulo tireoidiano

Nesta videoaula, a Dra. Maria Christina dos Santos Rizzi, nos ensina como utilizar o TI-RADS de forma clara e objetiva.

Como devemos descrever e concluir a respeito deste nódulo em nossos laudos? Qual a classificação de malignidade deste nódulo? Estas são perguntas que são respondidas aqui.

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Conheça a médica do vídeo


Dra. Maria Christina dos Santos Rizzi
Mestre em Medicina Fetal pela Universidade Federal de São Paulo;
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pelo CREMESP / AMB;
Título de Especialista em Diagnóstico por Imagem com área de atuação em Ultrassonografia Geral pelo Colégio Brasileiro de Radiologia / AMB / SBUS;
Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia – CBR.

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