A Neuropediatria é uma área em constante evolução, especialmente diante do aumento de diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo e TDAH. Para aprofundar esse cenário, conversamos com a Dra. Maria Fernanda Nepumucena, neuropediatra, docente e coordenadora da Pós-Graduação em Neuropediatria do Cetrus.
Ao longo da conversa, ela compartilha sua trajetória, os principais desafios clínicos da área, a importância de decisões bem fundamentadas e o papel da formação estruturada para médicos que desejam atuar com segurança e profundidade nesse campo.
Trajetória acadêmica e atuação profissional
A Dra. Maria Fernanda Nepumucena é médica graduada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) em, com Residência Médica em Pediatria e Neurologia Infantil pela mesma instituição. Possui Título de Especialista em Pediatria pela Associação Médica Brasileira (AMB), Especialização em Neurologia Infantil pelo CREMESP e Especialização em Doenças Neuromusculares pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). É mestre em Educação e Saúde pela UNIFESP (2022) e atua como médica da Universidade Federal de São Paulo. Integra o corpo clínico do Instituto de Neurologia Reis & Campos, em São Paulo, e é preceptora de médicos residentes em Neuropediatria nos ambulatórios e na avaliação de pacientes internados na UTI Neonatal, Pediátrica e Enfermaria do Hospital São Paulo – UNIFESP.
Com ampla experiência clínica e acadêmica, coordena o curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Neuropediatria do Cetrus, onde orienta médicos em formação e supervisiona atividades práticas.

Entrevista
O que motivou a escolha pela Neuropediatria?
Dra. Maria Fernanda Nepumucena:
“Eu sempre quis trabalhar com crianças. Mas também desejava uma área desafiadora, onde fosse necessário interpretar quadros clínicos multifatoriais. A Neuropediatria sempre exigiu isso — especialmente há 25 anos, quando era ainda menos difundida.”
Quais são os maiores desafios enfrentados na prática clínica de um neuropediatra?
Dra. Maria Fernanda Nepumucena:
“Eu diria que existem dois grandes eixos de dificuldade. O primeiro é a complexidade dos quadros clínicos. Muitos pacientes apresentam condições graves, multifatoriais, e o neuropediatra precisa ter uma formação sólida para tomar decisões responsáveis.
O segundo desafio é a relação médico-paciente-família. Na pediatria, esse vínculo é sempre intenso, mas na neuropediatria ele é ainda mais significativo, porque falamos muitas vezes de diagnósticos que acompanham o paciente por muitos anos.”
E quanto à relação com outros profissionais envolvidos no cuidado da criança?
“A neuropediatria é uma área fundamentalmente multidisciplinar. A maior parte dos nossos pacientes vai precisar de acompanhamento com fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fisioterapeutas. Então o neuropediatra precisa estar preparado para integrar e conduzir esse cuidado, fazer pontes, alinhar objetivos terapêuticos e orientar a família dentro desse percurso.”
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Quais são os principais diferenciais da Pós-Graduação em Neuropediatria do Cetrus?
Dra. Maria Fernanda Nepumucena:
“O primeiro grande diferencial é o corpo docente. São profissionais muito experientes, com formação sólida e atuação clínica ativa em grandes centros.Outro ponto é que o curso foi construído a partir da prática real, respeitando as situações que nós enfrentamos no consultório e no ambulatório. A organização dos módulos e das discussões foi pensada para ajudar o médico na tomada de decisão do dia a dia.”
Qual é o perfil do médico que mais se beneficia dessa formação?
“O pediatra, com certeza, se beneficia muito, porque ele é quem recebe inicialmente a maior parte dessas crianças. Mas não só. Neurologistas que atendem crianças, médicos de família e até clínicos que trabalham em regiões com poucos especialistas também se beneficiam do curso. Em muitas cidades, o pediatra ou o médico generalista é quem precisa conduzir o caso até conseguir encaminhar. Então esse conhecimento faz toda a diferença.”
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Quais avanços recentes chamam sua atenção na área?
Dra. Maria Fernanda Nepumucena:
“Temos avanços importantes em neurogenética, estudos sobre funções cognitivas, desenvolvimento e novas terapias baseadas em evidências para transtornos do neurodesenvolvimento.
Mas o mais importante é saber interpretar essas novidades e entender o que realmente tem base científica para ser aplicado.”
Quais conselhos a você daria para quem quer seguir na neuropediatria?
Dra. Maria Fernanda Nepumucena:
“Primeiro: precisa gostar de estudar. É uma área que exige atualização constante.
Segundo: precisa gostar de pessoas. Estamos lidando com famílias em momentos de fragilidade.
Terceiro: é preciso desenvolver raciocínio clínico e responsabilidade terapêutica. Muitas das medicações e intervenções têm impacto profundo no desenvolvimento.
Quem quer trabalhar bem na neuropediatria precisa estar preparado para estudar, acolher e orientar com cuidado.
Além disso, com a internet, temos um volume enorme de informação disponível — mas nem tudo tem base científica. Isso é muito perigoso. Testes online, análises rápidas, diagnósticos baseados em questionários da internet… não são suficientes. O diagnóstico é clínico, baseado em história, observação e, quando necessário, exames complementares. Nós precisamos ensinar o médico a filtrar, a interpretar e a conduzir com responsabilidade”
Quer se aprofundar na Neuropediatria?
A Neuropediatria representa um campo em constante evolução, no qual o médico pode atuar de forma transformadora, impactando diretamente o desenvolvimento e a qualidade de vida das crianças. A entrevista com a Dra. Maria Fernanda Nepumucena reforça que a especialização é o caminho essencial para oferecer um cuidado de excelência e fundamentado em ciência.
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