O Método de Graf representa um marco no diagnóstico precoce da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), sendo amplamente reconhecido por sua precisão e confiabilidade.
Desenvolvido pelo Dr. Reinhard Graf, esse método utiliza a ultrassonografia como ferramenta principal, permitindo uma avaliação detalhada e não invasiva da anatomia do quadril infantil. Por meio da análise padronizada de estruturas como o teto ósseo e o teto cartilaginoso, é possível identificar alterações ainda nos primeiros meses de vida, garantindo que o tratamento seja iniciado precocemente e evitando complicações no desenvolvimento motor da criança.
No entanto, a qualidade da execução do exame é determinante para a confiabilidade dos resultados, motivo pelo qual a técnica adequada, a correta identificação anatômica e a verificação da usabilidade da imagem constituem os três pilares fundamentais da ultrassonografia do quadril.
O que é o método de Graf?
O Método de Graf é uma técnica de ultrassonografia padronizada e reprodutível, reconhecida internacionalmente como o principal recurso para o diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) em recém-nascidos.
Considerado o padrão-ouro nessa avaliação, ele baseia-se em critérios técnicos rigorosos que permitem analisar, com alta precisão e reprodutibilidade, a formação e o posicionamento da articulação do quadril. Essa padronização assegura resultados consistentes e comparáveis, conferindo confiança ao diagnóstico e orientação adequada ao tratamento, tornando o método essencial em programas de triagem neonatal.
Importância do método na avaliação do quadril
Como já mencionado, o Método de Graf tem papel essencial na avaliação do quadril infantil, pois possibilita a identificação precoce de alterações estruturais que indicam displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ).
Por meio de uma ultrassonografia padronizada, ele permite avaliar de forma detalhada a relação entre a cabeça do fêmur e o osso da bacia, desde as primeiras semanas de vida. Essa detecção precoce é fundamental para iniciar o tratamento no momento adequado e evitar complicações futuras, como limitação de movimento ou necessidade de cirurgias.
Estudos clássicos, como os de Ortolani, Rosen e Barlow, demonstram que quanto mais cedo identifica-se o distúrbio de maturação do quadril, maiores são as chances de recuperação total sem sequelas. Reafirmando isso, pesquisas como as de Becker e Schultheiss evidenciam que o atraso no início do tratamento, especialmente após o primeiro trimestre de vida, reduz significativamente a taxa de cura completa.
Dessa forma, o Método de Graf destaca-se como ferramenta indispensável para o rastreamento e manejo precoce da DDQ, contribuindo diretamente para o desenvolvimento saudável e funcional do quadril infantil.
Etapas do diagnóstico com o método de Graf
Princípios teóricos
O método de Graf baseia-se em três pilares:
- Técnica do exame.
- Identificação anatômica.
- Verificação de usabilidade da imagem.
Inicialmente, o conhecimento detalhado da anatomia do quadril infantil é fundamental para evitar erros de diagnóstico na ultrassonografia. As estruturas principais incluem:
- Borda osteocondral (BOC): separa a cartilagem hialina do osso, sendo o ponto de referência para todas as outras estruturas. Pode apresentar-se arqueada, em paliçada ou com a porção medial ausente devido à sombra acústica.
- Cabeça femoral: ligeiramente ovalada e contém vasos na zona central visíveis na ultrassonografia.
- Prega sinovial: ponto de virada onde a cápsula articular direciona-se ao pericôndrio do trocânter maior, visível como eco arredondado ou listras paralelas, não devendo ser confundida com o lábio acetabular.
- Cápsula articular: envolve a cabeça femoral, podendo ser seguida até o teto acetabular.
- Lábio acetabular: fibrocartilagem triangular ecogênica dentro da articulação, localizada caudalmente à falha do pericôndrio e sempre em contato com a cabeça femoral.
- Teto e borda óssea: a borda óssea marca o ponto de virada do teto ósseo, de côncavo para convexo, localizada rastreando da parte medial/distal para lateral/proximal, com pequena sombra acústica medial como referência.
- Cartilagem hialina.
Além disso, para que a ultrassonografia seja confiável e comparável, define-se um plano padronizado com três marcos:
- Borda inferior do ílio: porção do osso localizado na fossa acetabular, sendo visível como um forte eco no centro do acetábulo e constituindo o ponto de referência principal.
- Secção transversal do teto ósseo médio: a borda medial do ilíaco precisa estar paralela ao monitor.
- Lábio acetabular: sempre visível quando os dois marcos anteriores estão corretamente identificados.
Somente imagens que contenham esses três marcos configuram o Plano Padrão, sendo aptas para medições diagnósticas.
Classificações
A classificação ultrassonográfica baseia-se nas alterações morfológicas da articulação do quadril, avaliando todas as estruturas mencionadas anteriormente
- Tipo I: quadril maduro, com cavidade óssea bem formada e teto cartilaginoso cobrindo a cabeça do fêmur.
- Tipo II: quadril centralizado com cobertura insuficiente da cabeça femoral, mas com maior proporção de cartilagem em relação ao osso. Subdivide-se em quadris tipo IIa, IIb e IIc, considerando o teto ósseo, teto cartilaginoso e a idade do paciente.
- Tipo D: É o primeiro nível da descentralização do quadril.
- Tipo III: quadril descentralizado, o teto ósseo é pobre, a borda óssea achatada e o teto cartilaginoso deslocado cranialmente. Além disso, a cabeça femoral empurra parte do teto cartilaginoso para cima.
- Tipo IV: quadril descentralizado com deslocamento completo do teto cartilaginoso para baixo, sem cartilagem acima da cabeça femoral. O pericôndrio apresenta trajetória horizontal ou em forma de calha.
Técnica escaneamento e posicionamento do paciente
Antes do início, recomenda-se preparar a sala e organizar o ambiente para garantir tranquilidade à mãe e ao bebê. Utilizar sempre o gel aquecido para o conforto do bebê.
Recomenda-se a realização do exame com o bebê deitado de lado, no berço posicionador, com o guia do transdutor, reduzindo o tempo de execução do exame e os erros de inclinação.
O posicionamento adequado do bebê e a técnica correta de escaneamento são fundamentais para garantir a precisão da ultrassonografia do quadril pelo Método de Graf. Para a obtenção da imagem ideal, é necessário visualizar todas as estruturas citadas no Checklist 1 e Checklist 2, isso nos exige uma varredura meticulosa e controlada. Nesse contexto, o uso do berço de posicionamento e do guia de transdutor padroniza o exame.
Durante a varredura, coloca-se o transdutor verticalmente sobre o trocânter maior e movido suavemente para frente e para trás até identificar a borda inferior do ílio. Ao encontrá-la, o movimento é reduzido até a imagem ideal ser obtida e congelada. Caso o plano esteja incorreto, o transdutor deve ser reajustado e o movimento repetido. Por fim, realiza-se o mesmo procedimento no quadril oposto após reposicionar o bebê.
Essa técnica, que alia precisão, padronização e controle de movimentos, garante imagens consistentes e de alta qualidade, fundamentais para o diagnóstico seguro e confiável da displasia do desenvolvimento do quadril.
Técnica de medição
Realizam-se as medições ultrassonográficas do quadril pelo método de Graf no Plano Padrão, garantindo imagens confiáveis e comparáveis.
- A primeira linha traçada no exame é a linha de base, que é traçada margeando a borda medial do ilíaco, sempre paralela ao monitor, passando pela inserção do reto femoral e a borda lateral do ilíaco. Caso o promotório apresente um chanfrado, uma linha auxiliar pode ser utilizada, sempre paralela ao que seria a linha de base.
- A linha do teto ósseo é traçada tangencialmente a partir da borda inferior do ílio, tocando apenas o teto ósseo e usando como referência a cartilagem trirradiada, o tecido gorduroso e o ligamento da cabeça do fêmur.
- Por fim, desenha-se a linha do teto cartilaginoso tangenciando o ponto de virada do teto ósseo e os ecos centrais do lábio acetabular.
O ângulo Alfa (α), formado entre a linha do teto ósseo e a linha de base, avalia o tamanho da cavidade óssea, enquanto o ângulo Beta (β), formado entre a linha de base e a linha do teto cartilaginoso, avalia o tamanho do teto cartilaginoso.
Erros mais comuns e como evitá-los
No método de Graf, erros de inclinação do transdutor são as principais causas de diagnósticos incorretos, Isso ocorre porque a velocidade do som varia entre os tecidos, e pequenas alterações no ângulo do feixe sonoro podem distorcer a imagem.
A correção exige alinhar o transdutor corretamente, garantindo a visualização nítida de todas as estruturas listadas no Checklist 1 e Checklist 2. Além disso, recomenda-se que a imagem ultrassonográfica seja projetada com a visão cranial à direita do monitor, semelhante à radiografia anteroposterior, apenas por ser a forma, que segundo estudos, gera um aprendizado mais rápido.
Aplicações clínicas no diagnóstico precoce da displasia do quadril
O método de Graf tem ampla aplicação clínica no diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), pois permite avaliar de forma objetiva e padronizada a morfologia do quadril, e apenas no quadril tipo IIc a estabilidade por meio da ultrassonografia. Dessa forma, ao identificar precocemente alterações na relação entre o teto ósseo, a borda cartilaginosa e a cabeça femoral, o método possibilita classificar o quadril em tipos maduros,ou displásicos, orientando o manejo adequado antes que ocorram deformidades estruturais permanentes. Essa abordagem é especialmente útil nas primeiras semanas de vida, quando o tratamento não cirúrgico apresenta maior eficácia. Assim, o método de Graf representa um instrumento essencial para a prevenção delimitações, contribuindo para o desenvolvimento saudável da articulação coxofemoral infantil.
Tratamento orientado pelo método de Graf
O tratamento orientado pelo método de Graf baseia-se na classificação ultrassonográfica do quadril infantil, que reflete o grau de maturidade e a anatomia articular, permitindo definir condutas específicas. Assim, como o quadril do recém-nascido amadurece rapidamente, o diagnóstico e o início do tratamento devem ocorrer nas primeiras semanas de vida.
- Nos quadris tipo I, não há necessidade de intervenção;
- Os tipos IIa (+) requerem acompanhamento;
- Nos tipos IIa (-) e IIb o tratamento é recomendado;
- O tipo IIc recomenda-se tratamento não cirúrgico, sendo o uso do suspensório de Pavlik o mais recomendado;
- Por fim, os tipos D, III e IV,necessitam de tratamento imediato.
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Referências
- Graf R, Lercher K, Scott S, Spieb T. Fundamentos da ultrassonografia do quadril infantil: segundo a técnica de GRAF. Edition Stolzalpe Sonocenter 2016.
- Graf R, Seidl T. Ultrassonografia do quadril infantil: princípios, implementações e consequências terapêuticas. 7ª ed. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2023.






