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Lesões na cartilagem do joelho são difíceis de identificar em exame físico

O diagnóstico por imagem é importante para definir sobre intervenções e tratamentos

Lesão condral podem ser detectadas em exames de ultrassom musculoesqueléticos
Estima-se que lesões condrais atinjam pelo menos entre 10 e 12% das pessoas

As lesões condrais do joelho decorrem de degradação da cartilagem articular. Estima-se que elas atinjam entre 10 e 12% das pessoas, mas como muitos pacientes são assintomáticos, pode ser que o número seja ainda maior.

Podem ocorrer devido a desordens metabólicas, genéticas, vasculares e traumáticas. Além disso, podem ser ocasionadas por um único episódio de sobrecarga excessiva na articulação do joelho ou por episódios cíclicos de pequena magnitude.

Classificação das lesões

O sistema ICRS (International Cartilage Repair Society) divide as lesões nos seguintes graus:

Normal

  • Grau 0 – Sem lesões

Quase normal

  • Grau 1a – Lesões superficiais e amolecimento
  • Grau 1b – 1a + fissuras ou fendas superficiais         

Anormal

  • Grau 2 – Extensão < 50% espessura

Lesão grave

  • Grau 3a – Extensão > 50%
  • Grau 3b – Até a camada calcificada
  • Grau 3c – Até a superfície do osso subcontral         
  • Grau 3d – Inclui abaulamento da cartilagem ao redor da lesão       

Lesão muito grave

  • Grau 4a – Penetração do osso subcontral, mas não no diâmetro total do defeito
  • Grau 4b – Penetração em todo diâmetro do defeito
Sintomas da lesão condral

O diagnóstico clínico é mais difícil, pois a sintomatologia do quadro é considerada pobre. As queixas mais frequentes são:

  • Dor;
  • Derrame articular
  • Bloqueio
  • Crepitação
Principais exames para detecção da lesão condral

Os exames que podem ajudar no diagnóstico são:

  • Raio-X: ajuda a excluir outras patologias associadas como lesões degenerativas e fraturas. Também colabora para a visão da lesão condral completa com um fragmento solto na cavidade articular, quadro conhecido como osteocondrite dissecante;
  • Ressonância magnética: por ter um excelente contraste de partes moles, é a melhor técnica de imagem disponível para estudo das lesões de cartilagem. Permite avaliação da morfologia da superfície, da espessura, do volume e do osso subcondral;
  • Tomografia: pode ser associada a injeção de contraste intra-articular (artrotomografia), mas vem sendo substituída pela RM;
  • Artroscopia: é o padrão-ouro das patologias intra-articulares do joelho. Possibilita classificar, localizar e tratar as lesões.
Tratamento

O tratamento é desafiador devido as próprias características da cartilagem que apresentam baixo potencial de regeneração. É estabelecido de acordo com o grau de gravidade da lesão, podendo ser conservadores ou cirúrgicos.

Os procedimentos conservadores são geralmente a primeira linha de tratamento e incluem medicamentos para alívio da dor, mudanças no hábito de vida (perda de peso, fortalecimento muscular) e fisioterapia.

No entanto, os quadros mais graves podem ser tratados através de procedimentos realizados astroscopicamente.

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Referências
  1. Sellards, RA. Nho, SJ. Cole, BJ. Chondral injuries. Current Opinion in Rheumatology. 2002 Mar;14(2):134-41.
  2. Cavalcanti Filho, MMC. Doca, D. Cohen, M. Ferretti, M. Atualização no diagnóstico e tratamento das lesões condrais do joelho. Revista Brasileira de Ortopedia. vol.47 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2012

2 Replies to “Lesão condral: o que é e como identificar”

  1. Na ultrassonografia, ao encontrar osteófitos , seja nas tróclea ou bordas articulares, devo concluir que há lesão da cartilagem e que já há artrose no joelho

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