Entenda como realizar o diagnóstico da osteoartrite de coluna, quais são as ferramentas disponíveis para esse diagnóstico e como aplicar critérios diagnósticos para o paciente. Boa leitura!
A osteoartrite de coluna ou artrose de coluna tem sido uma condição cada vez mais comum nos últimos tempos. Por isso, saber identificar o conjunto de sintomas e saber estabelecer um diagnóstico diferencial entre ela e outras condições da coluna é fundamental para um cuidado adequado ao paciente.
Osteoartrite da coluna: definição, prevalência e incidência
A osteoartrite de coluna, também conhecida como artrose, é uma condição degenerativa das articulações da coluna vertebral.
Essa condição é caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste as superfícies articulares das vértebras, que são os ossos que compõem a coluna vertebral. À medida que a cartilagem se desgasta, as articulações da coluna podem tornar-se ásperas e inflamadas, o que resulta em sintomas capazes de prejudicar a qualidade de vida do paciente.
Em todo o mundo, a osteoartrite da coluna vertebral é uma das formas mais comuns de osteoartrite. A prevalência global é alta, especialmente em populações idosas.
Estudos sugerem que a maioria das pessoas com mais de 65 anos tem algum grau de osteoartrite da coluna. Entre os sexos, a prevalência pode variar. Alguns estudos sugerem que as mulheres têm uma maior probabilidade de desenvolver osteoartrite da coluna do que os homens.
Fatores de risco
Fatores de risco como as seguintes podem aumentar o risco de desenvolver a condição:
- Histórico familiar da doença;
- Lesões prévias na coluna;
- Obesidade;
- Tabagismo;
- Atividades que causam estresse repetitivo na coluna.
Manifestações clínicas da osteoartrite da coluna
As manifestações clínicas da osteoartrite de coluna variam a depender da localização da osteartrite, se cervical, torácica ou lombar.
De maneira geral, as manifestações da osteoartrite de coluna envolvem dores, rigidez e limitação do movimento. Destrinchando melhor esses sintomas, temos que:
- Dor nas costas: sintoma predominante, localizada na região afetada pela osteoartrite. Essa dor pode se estender desde o pescoço até a região lombar, tendendo a piorar com a atividade física;
- Rigidez, que pode resultar em dificuldades de mover a coluna, especialmente após períodos de inatividade, como pela manhã.
- Limitação do movimento: como já comentado acima, limitando a capacidade do paciente de se inclinar e girar a coluna, bem como movimentos do dia a dia;
- Crepitação: com o desgaste das articulações a crepitação pode se manifestar como uma sensação de estalo ou fricção durante os movimentos da coluna;
- Fraqueza muscular, um sintoma mais a longo prazo, decorrente da menor movimentação corporal e atrofia por perda de uso.
O paciente com osteoartrite da coluna relatam que os sintomas tendem a melhorar com o repouso e a imobilização das articulações afetadas.
Por isso, a atividade física, especialmente com atividades que colocam pressão ou estresse nas articulações da coluna, como levantar objetos pesados ou torcer o corpo levam à dor.
Como já comentado, a osteoartrite é uma condição crônica, e por isso os sintomas descritos aqui tendem a piorar ao longo do tempo. O diagnóstico e o tratamento precoces podem ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com osteoartrite da coluna.
Leia também: diagnóstico de osteocondroma e os principais sinais no exame de imagem
Avaliação clínica: história, exame físico e teste de função da coluna
A avaliação clínica de um paciente com suspeita de osteoartrite da coluna é fundamental para estabelecer o diagnóstico e o plano de tratamento adequados.
Coletar uma boa história clínica, um exame físico, especialmente de articulações e osteomuscular e a realização de testes semiológicos de função da coluna favorecem muito um diagnóstico preciso.
É importante que você, como médico, lembre-se da importância de que esse diagnóstico seja dado de forma breve ao seu paciente. Isso é especialmente importante considerando que a maioria deles são idosos e a mobilidade é dificultada pela doença.
Na história clínica, saber sobre o histórico familiar do paciente de condições articulares é muito importante. Identificar os sintomas, como dor nas costas, rigidez, limitação de movimento e quaisquer sintomas radiados para os membros devem ser indagados. Ainda, entender a duração dos sintomas e qualquer fator desencadeante ou de sua piora.
Certamente os sintomas já estão impactando a qualidade de vida do paciente em algum grau, como a capacidade de realizar atividades físicas.
Por isso, é importante o acolhimento do paciente. Somado a isso, indague sobre tratamentos prévios, como medicamentos e terapias físicas.
Testes de função da coluna
Considerando o exame físico do paciente, os testes de função da coluna são usados para quantificar a capacidade do paciente de realizar tarefas específicas e identificar limitações funcionais. Alguns dos testes a serem realizados são:
- Flexão anterior: Avalia a flexão da coluna para frente;
- Extensão: Avalia a extensão da coluna para trás;
- Rotação: Avalia a rotação da coluna;
- Inclinação lateral: Avalia a inclinação lateral da coluna.
Utilização de critérios diagnósticos
O American College of Rheumatology (ACR) estabeleceu critérios diagnósticos para a osteoartrite da coluna vertebral.
Para você como médico, esses critérios são úteis para orientá-los na avaliação e diagnóstico da condição. Eles foram desenvolvidos para auxiliar no diagnóstico da osteoartrite da coluna, especialmente em estudos de pesquisa clínica.
No entanto, é importante observar que o diagnóstico clínico da osteoartrite da coluna muitas vezes envolve uma abordagem mais abrangente, que inclui a história clínica, o exame físico e os achados de exames de imagem.
Para que o paciente atenda aos critérios e receba seu diagnóstico, ele deve atender aos critérios principais e pelo menos 1 critério adicional, sendo eles:
Critérios principais
- Dor lombar crônica: contínua e por pelo menos 3 meses;
- Rigidez matinal: que melhore com a atividade;
- Melhora da dor lombar com o movimento da coluna vertebral;
- Limitação da flexão da coluna vertebral, demonstrado pela dificuldade do paciente curvar-se para frente.
Critério adicional
- Radiografias características: a presença de, pelo menos, 3 dos seguintes achados é considerado 1 critério adicional:
- Osteófitos (esporões ósseos);
- Estreitamento do espaço articular;
- Esclerose subcondral (aumento da densidade óssea abaixo da cartilagem);
- Quistos subcondrais (pequenas cavidades cheias de líquido abaixo da cartilagem.

Osteoartrite de coluna: diagnóstico por imagem
A realização de exames de imagem no paciente com osteoartrite de coluna é importante e, muitas vezes, fundamental para a confirmação do diagnóstico adequadamente.
Para além do diagnóstico apenas, eles permitem identificarmos alterações estruturais nas articulações, como estreitamento do espaço articular, osteófitos (esporões ósseos) e esclerose óssea. Isso ajuda a diferenciar a osteoartrite de outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes. Os exames mais realizados são a radiografia, a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM).
Radiografias
As radiografias são amplamente disponíveis, mais acessíveis em termos de custo em comparação com outros exames de imagem mais avançados.
O estreitamento progressivo do espaço articular entre as vértebras é um dos achados mais característicos. Osteófitos ou esporões ósseos, podem se desenvolver nas margens das articulações facetarias e são bem vistos à radiografia como proeminências ósseas. Alterações na densidade óssea podem ocorrer, com áreas de esclerose (aumento da densidade) nas superfícies articulares.
Tomografia computadorizada
A tomografia computadorizada (TC) é eficaz na detecção de osteófitos, esclerose óssea e outras alterações ósseas. Fornecem imagens detalhadas em 3D das estruturas ósseas, o que pode ser útil na avaliação pré-operatória.
Por outro lado, não é a melhor opção para avaliar estruturas moles, como discos intervertebrais e ligamentos e menos sensível para detectar inflamação. Pode ser especialmente eficaz na avaliação de osteófitos e na identificação de compressão nervosa quando há estenose do canal vertebral.
Ressonância magnética

A Ressonância Magnética (RM) é valiosa para avaliar as estruturas moles da coluna vertebral, incluindo os discos intervertebrais, ligamentos e nervos que são menos bem vistos pela TC.
Pode mostrar alterações na cartilagem articular e ajudar a identificar áreas de inflamação ou edema nas articulações facetárias.
A RM também é útil na detecção de hérnias de disco e na avaliação de possíveis compressões nervosas e inflamações.
Com base nos achados dos exames de imagem, o médico pode desenvolver um plano de tratamento personalizado para o paciente. Isso pode incluir medicamentos para alívio da dor, fisioterapia, exercícios específicos e, em alguns casos, cirurgia.
Os exames de imagem ajudam a direcionar o tratamento para as áreas mais afetadas.
Ainda, ao longo do tempo podem ser usados para monitorar a progressão da osteoartrite e ajustar o tratamento conforme necessário. Isso é especialmente importante em casos graves ou quando a condição não está respondendo bem ao tratamento inicial.
Distinção entre osteoartrite e outras condições que afetam a coluna, como hérnia de disco ou espondilose
Para entendermos melhor a diferença entre a osteoartrite de coluna e outras condições relacionadas à coluna, vejamos como as causas, características clínicas e o tratamento de cada uma delas se distingue uma das outras.
Como vimos, a osteoartrite de coluna é uma doença degenerativa das articulações que tem como:
- Causa: ocorre devido ao desgaste progressivo da cartilagem articular nas articulações facetárias da coluna vertebral;
- Características clínicas: sintomas típicos incluem dor lombar crônica, rigidez matinal, melhora da dor com movimento e, em estágios avançados, formação de osteófitos (esporões ósseos) e estreitamento do espaço articular nas radiografias;
- Tratamento: pode incluir analgésicos, fisioterapia, exercícios de fortalecimento, controle do peso, modificações no estilo de vida e, em casos graves, cirurgia para reparar ou substituir articulações danificadas.
Hérnia de disco
Já a hérnia de disco, entendemos que:
- Causa: o núcleo gelatinoso de um disco intervertebral se projeta para fora do disco, muitas vezes devido ao envelhecimento, trauma ou degeneração do disco;
- Características clínicas: podem incluir dor nas costas, dor irradiada para membros (ciática), fraqueza muscular, formigamento e, em alguns casos, comprometimento neurológico;
- Tratamento: repouso, fisioterapia, medicamentos para alívio da dor, injeções epidurais e, em casos graves ou quando os sintomas não melhoram, cirurgia de descompressão do nervo.
Espondilose ou síndrome de espondilose vertebral
Quanto à espondilose, ou síndrome de espondilose vertebral:
- Causa: caracterizada pelo envelhecimento natural da coluna vertebral, envolvendo degeneração dos discos intervertebrais, formação de osteófitos (esporões ósseos) e alterações nas articulações facetarias;
- Características clínicas: sintomas podem incluir dor nas costas, rigidez, diminuição da amplitude de movimento, dor nas articulações facetárias e, às vezes, compressão de nervos espinhais.
- Tratamento: é semelhante ao da osteoartrite, com foco no alívio da dor, fisioterapia e modificações no estilo de vida. Em casos de compressão nervosa significativa, a cirurgia pode ser necessária.
Artrite reumatoide
Outra condição reumatológica muito muito íntima à osteoartrite é a artrite reumatoide. Segundo Doherty et al, 2023., podemos identificar as seguintes diferenças entre essas condições por meio da tabela abaixo.

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Referências
- Clinical manifestations and diagnosis of osteoarthritis. Michael Doherty, MA, MD, FRCP, FHEA. UpToDate
- Osteoarthritis of the vertebral column. Henry Knipe. Radiopedia.







