O que é Roubo Subclávia?
Alteração no fluxo da artéria vertebral pode causar problemas de saúde: conheça mais sobre o roubo subclávia
O roubo subclávia é uma condição hemodinâmica em que há um fluxo retrógrado em uma artéria vertebral devido à estenose ou oclusão da artéria subclávia ipsilateral, ou, mais raramente, do tronco braquicefálico. Esse fenômeno ocorre proximal à origem da artéria vertebral na subclávia, sendo a aterosclerose a principal causa, responsável por aproximadamente 95% dos casos.
Com a redução da pressão na artéria subclávia distalmente à obstrução, o sangue flui de forma anterógrada pela artéria vertebral contralateral, chega à artéria basilar e desce de modo retrógrado pela artéria vertebral ipsilateral, o que causa uma circulação colateral para o membro superior. O sangue é sequestrado do sistema basilar, o que pode prejudicar o fluxo sanguíneo encefálico.
Síndrome do roubo subclávia
A síndrome do roubo subclávia é considerada uma condição rara, em que estudos mostram uma incidência estimada em 2,5% na população.
- Homens são mais afetados do que as mulheres, com uma proporção de 2:1
- É mais comum no lado esquerdo que do direito, com uma proporção de 3:1
Sintomas do roubo subclávia
A maioria dos pacientes é assintomática. Nos pacientes sintomáticos, os principais sinais são:
- Claudicação intermitente da extremidade superior ipsilateral;
- Sintomas de isquemia vertebrobasilar;
- Isquemia miocárdica (em pacientes revascularizados).
Como detectar o roubo subclávia
O diagnóstico inicial pode ser feito com Doppler Espectral da artéria vertebral, que identifica alterações hemodinâmicas características. Os padrões encontrados são:
Pré-roubo subclávia
- Diminuição aguda e transitória das velocidades de fluxo na mesossístole;
- Dois picos sistólicos (sendo o primeiro pontiagudo e o segundo arredondado);
- Fluxo anterógrado em diástole.
Roubo parcial ou intermitente
- Curva característica associada a estenose subclávia;
- O fluxo é retrógrado na sístole e anterógrado em diástole;
- Se associa a assimetria de pressão arterial;
- Padrão bidirecional.
Roubo completo
- Curva característica associada a estenose ou oclusão da artéria subclávia;
- O fluxo é retrógrado na sístole e diástole;
- Se associa a assimetria de pressão arterial.
Caso haja suspeita, o diagnóstico da obstrução pode ser confirmado com arteriografia ou angiografia por ressonância magnética ou por tomografia computadorizada.

Tratamentos Disponíveis
A síndrome do roubo subclávia normalmente é tratada cirurgicamente, mas vale ressaltar que o tratamento de pacientes assintomáticos é considerado questionável.
Além da cirurgia tradicional, cada vez mais a técnica angioplastia transluminal percutânea tem se desenvolvido e se tornado uma opção mais comum. Outras metodologias, como a artrectomia, também são aplicáveis.
Portanto, as modalidades mais comuns de tratamento são:
- Bypass carotídeo-subclávio;
- Transposição carótida subclávia;
- Axilo-axilar bypass;
- Endartectomia carotídea;
- Artrectomia;
- Angioplastia transluminal percutânea (PTA) com implante de stent.

Referências
- Passos,
MD et al. Atualização sobre Ultrassom Doppler das Artérias Vertebrais: Síndrome
do Roubo da Subclávia. Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc. 2016;29(2):58-62 - Pinto, DS. Potter, BJ. Subclavian
Steal Syndrome. Circulation. 2014; 129 (22): 2319-2323








