Masterclass com a Dra. Roberta Fittipaldi
A ventilação mecânica é um dos pilares do cuidado ao paciente crítico em unidades de terapia intensiva (UTI). Ao longo dos últimos anos, especialmente após a pandemia de COVID-19, o tema ganhou ainda mais relevância, exigindo atualização constante de médicos intensivistas, pneumologistas e emergencistas.
Pensando nisso, o Cetrus realizou a masterclass “Ventilação Mecânica: O que há de novo?”, ministrada pela Dra. Roberta Fittipaldi, referência nacional em pneumologia e terapia intensiva. A aula trouxe um panorama atualizado das principais evidências científicas, novos guidelines e perspectivas para o futuro no manejo ventilatório de pacientes graves.
Neste artigo, você vai encontrar um resumo completo da masterclass, dividido por tópicos, além de informações sobre a trajetória da professora e sobre a Pós-Graduação Lato Sensu em Pneumointensiva, coordenada pela Dra. Roberta.
Quem é a Dra. Roberta Fittipaldi?
A Dra. Roberta Fittipaldi (CRM: 185802/SP – RQE: 69118 – RQE: 69117), é pneumologista e intensivita, doutorada em Ciências pela FMUSP. Atua como médica pneumologista no hospital Israelita Albert Einstein e assistente na UTI respiratória Incor HC FMUSP.
Além disso, é coordenadora da Pós-Graduação Lato Sensu em Pneumointensiva do Cetrus, uma formação pioneira no Brasil voltada para médicos que desejam dominar o manejo de pacientes respiratórios graves na UTI.
Resumo da Masterclass: Ventilação Mecânica – O que há de novo?
Introdução: o cenário atual da ventilação mecânica
Durante a pandemia, ficou claro que a ventilação mecânica não é responsabilidade exclusiva do fisioterapeuta, mas de toda a equipe multiprofissional da UTI. O médico precisa compreender profundamente os modos ventilatórios, as estratégias protetoras e os riscos associados a condutas inadequadas.
A ventilação mecânica é a “ponta do iceberg”: se não conduzida de forma correta, pode levar ao óbito de pacientes graves. Por isso, a atualização baseada em evidências é fundamental.
A SARA/SDRA representa 23% dos pacientes sob VM e tem mortalidade que pode chegar a 60% — durante a COVID-19, no Brasil, esse número chegou a 80%. Por isso, dominar fisiopatologia, ventilador, devices e medidas multiprofissionais é fundamental.
Leia Também: Ventilação mecânica em pacientes cardiopatas: ajustes e armadilhas
Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA): novos critérios
A definição de Berlim (2012) foi ampliada em 2023 para facilitar o diagnóstico em locais com menos recursos:
- Não exige intubação: pode ser diagnosticada em cateter nasal de alto fluxo ≥30 L/min ou VNI.
- Hipoxemia: P/F ≤300 ou S/F ≤315 (quando não há gasometria).
- Imagem: opacidades bilaterais em RX, TC ou ultrassom.
- Insulto agudo ≤7 dias, excluindo diagnósticos alternativos.
Objetivo: reconhecimento precoce, evitar atraso na intubação e permitir transferência para centros de referência.
Fisiopatologia da SDRA
- Edema pulmonar inflamatório causado pelo aumento da permeabilidade capilar.
- Consequências: redução da complacência, áreas não aeradas, aumento de shunt e espaço morto.
- Mortalidade permanece alta (50–60%).
Ventilação protetora
A clássica recomendação de utilizar 6 mL/kg de peso predito ainda é válida, mas os novos guidelines trazem flexibilizações:
- Faixa recomendada de 4 a 8 mL/kg, desde que respeitados parâmetros protetores:
- Driving Pressure < 15 cmH₂O;
- Pressão de platô ≤ 30 cmH₂O;
- pH ≥ 7,25 (aceitar hipercapnia permissiva).
- Driving Pressure < 15 cmH₂O;
A ventilação protetora vai além do ventilador: inclui sedação adequada, balanço hídrico, nutrição, profilaxias e protocolos multiprofissionais.
PEEP: a busca pela estratégia ótima
A discussão sobre a PEEP (Pressão Positiva Expiratória Final) continua sendo um dos pontos mais debatidos na ventilação mecânica. Após o estudo ART (Alveolar Recruitment Trial) de 2018, que demonstrou uma maior mortalidade em pacientes submetidos a manobras de recrutamento agressivas, a tendência global é de utilizar uma PEEP mais baixa, seguindo o conceito de “o menos é mais”.
No entanto, a Dra. Fittipaldi ressaltou a importância da individualização da PEEP, já que pacientes com obesidade, por exemplo, frequentemente se beneficiam de níveis mais altos (entre 12 e 14 cmH2O) para evitar o colapso pulmonar.
Estratégias e terapias de resgate
Bloqueador neuromuscular
- Não recomendado de rotina.
- Indicado em SARA grave (P/F <100), durante pronação e em assincronias refratárias.
- Deve ser reavaliado diariamente e, se possível, suspenso após 48h.
- Evidência: estudos iniciais sugeriam benefício, mas os mais recentes (ex.: ROSE) não confirmaram redução de mortalidade.
ECMO: a terapia de resgate para casos extremos
A ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) é uma terapia de resgate para pacientes com SDRA grave que não respondem às medidas convencionais. A Dra. Fittipaldi alertou sobre a importância da transferência precoce para centros especializados, idealmente antes de sete dias de ventilação mecânica, já que a mortalidade aumenta significativamente em pacientes transferidos tardiamente.
Leia também: Monitorização do paciente em ECMO
Corticoides na SDRA
Embora ainda não haja consenso sobre dose e regime ideais, estudos recentes mostraram benefícios potenciais:
- Redução de tempo de UTI.
- Menor taxa de intubação em pneumonia grave.
- Efeitos positivos no desfecho clínico de pacientes com SDRA grave.
Monitorização avançada
Um dos destaques da masterclass foi o risco de lesão pulmonar auto-infligida (P-SILI).
Ferramentas:
- Cateter esofágico (padrão-ouro para pressão muscular).
- EAdi/NAVA (atividade elétrica diafragmática).
- P0.1 (índice de drive).
- Delta Pocc (pressão de oclusão no PSV).
- Curvas e loops do ventilador — disponíveis em todos os aparelhos.
Sinais clínicos (em UTIs sem tecnologia avançada):
- Batimento de asa de nariz.
- Uso de musculatura acessória.
- Retração de fúrcula.
Conduta: investigar causas de esforço elevado (infecção, febre, dor, secreções, distúrbios metabólicos) antes de apenas “aumentar suporte”.
Perspectivas futuras
A Dra. Roberta destacou tendências que devem moldar o futuro da ventilação mecânica:
- Ventilação personalizada com base em genótipos e fenótipos.
- Big Data e Inteligência Artificial para predizer risco de SDRA.
- Monitorização cada vez mais precoce de assincronias e esforços respiratórios inadequados.
O objetivo é evoluir de protocolos universais para estratégias individualizadas, maximizando segurança e sobrevida.
Conheça a Pós-Graduação em Pneumointensiva
A masterclass com a Dra. Roberta Fittipaldi é apenas uma amostra do conteúdo de excelência que você pode encontrar na Pós-Graduação Lato Sensu em Pneumointensiva do Cetrus. Este curso, pioneiro no Brasil, foi meticulosamente elaborado para fornecer o conhecimento teórico e prático necessário para o manejo seguro e eficaz do paciente crítico. Com foco em devices, aparelhos e ventiladores mecânicos, a pós-graduação oferece uma formação completa para que você tenha segurança no dia a dia da UTI.
Assista à Masterclass na íntegra
Se você deseja aprofundar-se ainda mais no tema e assistir à aula completa, basta acessar o conteúdo gravado no link abaixo:
Aproveite essa oportunidade de atualização com a Dra. Roberta Fittipaldi e veja como a ventilação mecânica está sendo transformada pelas mais recentes evidências científicas.





