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Alterações fibrocísticas da mama: causas, diagnóstico e manejo para evitar evolução do quadro

As alterações fibrocísticas, também conhecidas como displasia mamária, são resposta das unidades funcionais (ductos terminais intra e extralobulares) ao estrogênio. 

Elas podem causar desconforto, sensibilidade ou dor nos seios, e muitas vezes estão relacionadas a alterações hormonais no ciclo menstrual.

Essas alterações geralmente envolvem o desenvolvimento de pequenos nódulos, áreas espessadas ou cistos nos tecidos mamários, tornando a mama mais densa ou irregular ao toque.

Podem ser bilaterais e variar em intensidade de mulher para mulher. Apesar de não representarem um risco grave à saúde, podem causar desconforto físico e emocional.

Fonte: Vasconcelos et al., 2023.

É importante ressaltar que as alterações fibrocísticas não estão associadas a um risco aumentado de câncer de mama. No entanto, é essencial realizar exames regulares e diferenciar essas alterações de outros problemas mamários mais sérios. Para isso, é recomendado mamografias, ultrassonografias e, em alguns casos, biópsias.

Tipos de alterações fibrocísticas da mama 

Microcistos agrupados na mama 

Microcistos agrupados na mama são pequenos cistos, geralmente menores que 5 milímetros de diâmetro, que se formam nos tecidos mamários. Eles podem ocorrer como parte das alterações fibrocísticas da mama ou como uma condição independente.

Fonte: Vasconcelos et al., 2023.

Na imagem ao lado, vemos uma imagem nodular, lobulada, orientação horizontal, margem circunscrita, limites precisos, hipoecóica, sem efeito acústico posterior, medindo 2,20 x 0,96 cm. Nódulo sólido. BI-RADS® 4A.

Esses microcistos podem se apresentar como pequenas estruturas preenchidas por líquido, muitas vezes detectados durante exames de imagem, como a ultrassonografia mamária.

Normalmente, são considerados benignos e não representam um risco significativo à saúde.

Na maioria dos casos, eles não causam sintomas perceptíveis. Porém, em algumas situações, podem contribuir para a sensibilidade ou desconforto nas mamas.

Diagnóstico de microcistos

Em termos de diagnóstico, é comum que esses microcistos sejam observados durante exames de rotina, como a mamografia ou a ultrassonografia.

Em geral, eles não requerem tratamento específico,a menos que causem sintomas desconfortáveis, caso em que pode ser recomendada aspiração do líquido para aliviar os sintomas.

É essencial destacar que é crucial que qualquer anomalia mamária seja avaliada por um médico especializado para garantir o diagnóstico correto e descartar possíveis condições mais delicadas. Isso reforça a importância de o médico realizar uma capacitação continuada do aprimoramento do atendimento e, nesse caso, habilidade diagnóstica. 

Cistos simples 

Cistos simples na mama são saculículos preenchidos por líquido que podem se formar nos tecidos mamários. Eles são uma das condições mais comuns da mama e são considerados benignos na grande maioria dos casos. Geralmente, são pequenos, variando em tamanho de alguns milímetros a vários centímetros.

Esses cistos são frequentemente descobertos durante exames de rotina, como mamografias ou ultrassonografias. Muitas mulheres podem ter cistos mamários sem sequer saber, já que muitas vezes eles são assintomáticos.

No entanto, em algumas situações, cistos maiores ou agrupamentos de cistos menores podem causar desconforto, sensibilidade ou dor na mama.

Diagnóstico de cistos simples

Cisto mamário simples. Observe uma lesão ovalada, com conteúdo líquido, sem partes sólidas e com margens bem visíveis. Fonte: Wikimedia Commons.

Em termos de diagnóstico, os cistos simples são geralmente identificados por sua aparência característica em exames de imagem.

Caso haja suspeita, o especialista pode recomendar uma punção com agulha fina para drenar o líquido do cisto para análise laboratorial.

Esse procedimento ajuda a confirmar a natureza benigna do cisto e também pode aliviar os sintomas, caso estejam presentes.

De maneira geral, os cistos simples não necessitam de tratamento específico além da observação regular para monitorar o seu tamanho e quaisquer mudanças. 

Se os cistos causarem desconforto significativo ou forem grandes, a drenagem do líquido pode ser recomendada.

Em casos raros, quando há suspeita de algo mais sério ou se um cisto apresenta características atípicas, podem ser necessários exames adicionais ou uma biópsia para descartar outras condições.

Leia também: Conhecendo os casos especiais do BI-RADS®

Cisto complicado 

Um cisto complicado na mama é uma variação dos cistos mamários que apresenta características específicas em exames de imagem, geralmente visíveis em mamografias, ultrassonografias ou ressonâncias magnéticas. 

Ao contrário dos cistos simples, os cistos complicados têm conteúdo interno mais complexo, podendo conter elementos sólidos, septações ou calcificações. Nada mais é do que o cisto de conteúdo composto de restos celulares, proteína, leucócitos e colesterol, oriundos da própria descamação da parede de células que o compõem. Ao contrário do que muitos pensam, não é um cisto simples que “complicou”.

Esses cistos podem ser identificados pela presença de septações ou por terem áreas sólidas dentro do líquido, o que pode gerar preocupações quanto à sua natureza.

A presença de características mais complexas pode suscitar a necessidade de investigação adicional para descartar qualquer condição mais séria, como tumores sólidos ou lesões suspeitas.

Diagnóstico de cisto complicado

O diagnóstico de um cisto complicado muitas vezes envolve exames de imagem detalhados, biópsias por agulha ou outros métodos diagnósticos para avaliar melhor a natureza do cisto e excluir quaisquer preocupações com lesões malignas.

A análise do conteúdo do cisto através de aspiração por agulha fina ou outros procedimentos semelhantes pode ser recomendada para avaliar a presença de células ou tecidos atípicos.

Fonte: arquivos Cetrus

Ao ultrassom, ele é uma imagem de contornos regulares, de espaço único, porém com ecogenicidade aumentada. Em alguns casos com presença de conteúdo móvel ao decúbito, formadora de nível.

O termo que a 5ª Edição do BI-RADS® trouxe é para contrapor ao termo simples.

Ele pode ter várias apresentações, desde preenchimento parcial do conteúdo, formando nível, até completar todo o seu interior.

O tratamento específico para cistos complicados pode variar dependendo das características identificadas nos exames e da avaliação médica.

Em muitos casos, o acompanhamento regular para monitorar qualquer mudança no cisto pode ser suficiente. Situações de maior complexidade ou preocupação pode necessitar de intervenções adicionais, como biópsia excisional ou remoção cirúrgica.

A busca por uma avaliação médica especializada é essencial para um diagnóstico preciso e orientação adequada sobre manejo e tratamento.

Epidemiologia das alterações fibrocísticas da mama

As alterações fibrocísticas da mama são comuns, especialmente em mulheres entre 30 e 50 anos. Estima-se que atinjam uma parcela significativa, podendo chegar a 50-60% das mulheres em idade reprodutiva.  Elas não aumentam significativamente o risco de câncer de mama, mas podem ser incômodas para algumas mulheres.

O tratamento visa aliviar sintomas, geralmente por meio de mudanças no estilo de vida, medicamentos para dor ou, em situações específicas, aspiração de cistos para alívio dos sintomas. 

A compreensão dessas condições e o desenvolvimento de estratégias de diagnóstico e manejo são áreas essenciais de pesquisa contínua.

Causas: fatores hormonais e influências do desenvolvimento dessas alterações

As causas das alterações fibrocísticas da mama estão frequentemente ligadas a fatores hormonais e influências no desenvolvimento mamário. As flutuações nos níveis de hormônios, como estrogênio e progesterona, ao longo do ciclo menstrual são consideradas um dos principais impulsionadores dessas alterações.

Durante o ciclo menstrual, as variações hormonais podem levar a mudanças nos tecidos mamários, resultando em áreas nodulares, cistos ou espessamentos. Essas mudanças podem causar desconforto ou sensibilidade nas mamas.

A sensibilidade às flutuações hormonais varia de mulher para mulher, o que explica por que algumas experienciam sintomas mais acentuados do que outras.

Uso de terapia hormonal

O uso de terapia hormonal, como anticoncepcionais ou terapia de reposição hormonal na menopausa, também pode influenciar essas alterações mamárias.

História reprodutiva

A história reprodutiva pode desempenhar um papel no desenvolvimento das alterações fibrocísticas. Mulheres com maior número de ciclos menstruais ao longo da vida, como aquelas que menstruaram mais cedo ou entraram na menopausa mais tarde, podem ter uma tendência aumentada a essas alterações.

Vale ressaltar que o entendimento completo de todas as causas subjacentes de desenvolvimento de alterações fibrocísticas segue em constante investigação. O objetivo é garantir o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento.

Apresentação dessas alterações

As alterações fibrocísticas da mama se manifestam como modificações nos tecidos mamários, podendo variar em aspecto e sensação. Clinicamente, elas podem ser identificadas pelo médico durante o exame físico das mamas. Podem surgir áreas nodulares, espessamentos ou cistos que podem ser palpados. 

Essas alterações também podem ser detectadas em exames de imagem, como mamografias e ultrassonografias mamárias. Esses exames podem revelar nódulos, cistos ou outras áreas com densidade diferente nos tecidos mamários. Em alguns casos, a ressonância magnética é utilizada para uma visualização mais detalhada.

Mulheres com essas alterações podem experienciar sensibilidade, desconforto ou dor nas mamas, muitas vezes associadas ao ciclo menstrual devido às variações hormonais.

É importante ressaltar que, na maioria das vezes, essas alterações são benignas e não representam um risco significativo de câncer de mama. Porém, é essencial procurar um profissional para avaliação e acompanhamento.

Benigna versus Maligna: importância dessa diferenciação

A diferenciação entre alterações fibrocísticas benignas e condições malignas é crucial para garantir o manejo adequado. Ao diferenciar com segurança o tipo de alteração, é possível garantir com eficiência:

Tratamento adequado

O tratamento para alterações fibrocísticas benignas e malignas é completamente diferente. As benignas podem requerer apenas monitoramento ou medidas para aliviar os sintomas. Já as condições malignas geralmente exigem intervenções mais agressivas, como cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.

Prognóstico e desfecho

Identificar corretamente uma condição maligna permite um prognóstico precoce e um plano de tratamento adequado, melhorando significativamente as chances de cura.

Ansiedade e qualidade de vida

O desconhecimento ou a incerteza sobre a natureza das alterações mamárias podem causar grande ansiedade e estresse emocional para a paciente. Uma diferenciação precisa pode reduzir essa ansiedade, fornecendo informações claras sobre o diagnóstico.

Acompanhamento e monitoramento adequados

Uma vez estabelecido se as alterações são benignas, é possível estabelecer um plano de acompanhamento e monitoramento adequado para garantir que quaisquer mudanças sejam prontamente avaliadas.

A identificação correta influencia as decisões de saúde da paciente e da equipe médica, guiando os próximos passos do tratamento e manejo. Uma diferenciação precisa permite que a paciente retorne à vida cotidiana sem o peso da incerteza ou da preocupação sobre a natureza das alterações mamárias.

Devido a essas razões, é crucial que qualquer alteração mamária suspeita seja avaliada por um profissional de saúde qualificado para realizar um diagnóstico preciso. Isso geralmente envolve uma combinação de exames clínicos, testes de imagem e, em alguns casos, procedimentos de biópsia para determinar a natureza das alterações e descartar condições mais graves.

Abordagens sobre as alterações fibrocísticas da mama 

Os cistos simples são benignos e não têm a capacidade de se transformar em câncer ou aumentar o risco de desenvolver esse tipo de tumor. Por essa razão, não há tratamento específico para prevenir sua formação ou induzir a absorção dos cistos simples. Exceto em casos de dor intensa, onde a drenagem do cisto por punção pode ser realizada para aliviar o desconforto.

Outro cenário que justifica a punção de um cisto é quando há uma infecção associada: a drenagem do conteúdo do cisto pode ser necessária como parte do tratamento da infecção, em conjunto com a administração de antibióticos.

Os cistos complexos são considerados anormais e frequentemente requerem biópsia para descartar a possibilidade de câncer de mama. Nesses casos, é fundamental a avaliação por um especialista mastologista para determinar o curso de ação apropriado.

Leia também: Por que fazer uma especialização médica com o Cetrus?

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Referências 

  1. BI-RADS® quinta edição: um resumo das alterações. D.A. Spak et al., 2023. 
  2. Doença da mama fibrocística: diagnóstico, sintomas e tratamentos. Brazilian Journal of Development. 
  3. Breast sonography- Contemporary Aspects. Vasconcelos et al., 2023. 
  4. Alteralções fibrocísticas da mama. MSD Manuals. 

3 Replies to “Manejo de alterações fibrocísticas da mama”

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