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Aspecto das Tireoidopatias Crônicas ao Exame de Ultrassom

Transdutores de alta resolução, permitem ótima avaliação de estruturas superficiais, entre elas a tireoide.

O surgimento de transdutores de alta resolução nos últimos anos, vem permitindo cada vez mais o acesso as estruturas superficiais. Considerando-se que a maioria dos processos patológicos em cabeça e pescoço ocorre entre 1 e 5 cm de profundidade, não é difícil imaginar porque a ultrassonografia ganhou popularidade nessa área. Estruturas como tireoide, paratireoide, linfonodos e vasos cervicais podem ser muito bem estudadas.

Nas doenças da tireoide não poderia ser diferente. Uma das áreas com maior benefício nesse estudo são as tireoidopatias crônicas.

À ultrassonografia a tireoide normal tem contornos lisos, margens regulares, textura homogênea e ecogenicidade relativamente maior, comparada aos músculos cervicais adjacentes (Figura 1).

Figura 1 – Tireoide normal ao ultrassom.

Entre as tireoidites crônicas, temos a linfocítica autoimune crônica (de Hashimoto), fibrosa de Riedel, pós-radioterapia ou pós-iodoterapia. Aqui falaremos sobre a primeira, de longe a mais comum.

Tireoidite crônica autoimune (ou de Hashimoto)

A tireoidite crônica autoimune, também denominada linfocítica crônica autoimune ou de Hashimoto, tem grande associação com outras doenças autoimunes (como lúpus, vitiligo, anemia perniciosa e outras), o que pode chamar a atenção na anamnese.

Ocorre mais em mulheres (cerca de 9:1), surgindo como um aumento difuso da glândula, normalmente indolor, em uma mulher jovem ou na meia-idade (média de 30-50 anos), pode cursar assintomática no inicio, evoluindo para um quadro típico de hipotireoidismo. Sua evolução se dá em fases.

No processo inicial, agudo, pode se manifestar com aumento da glândula, bordos arredondados, textura heterogênea e hipoecogênico. O reconhecimento do aumento difuso da tireoide pode ser facilitado pelo aumento da espessura do istmo, que normalmente é uma fina ponte de tecido, menor de 6 mm na dimensão anteroposterior. Nessa fase, ao mapeamento Doppler, observa-se hipervascularização do parênquima, lembrando o padrão de “inferno tireoidiano” da doença de Graves, porém com valores bem menores de velocidade de pico sistólico do que na doença de Graves, o que torna essa avaliação muito interessante para diagnóstico diferencial entre as duas doenças.

Progressivamente, a glândula adquire a aparência de tireoidite crônica hipertrófica, apresentando textura difusamente heterogênea com áreas pseudonodulares hipoecogênicas, envoltas por traves ecogênicas, consistentes com infiltrado linfocítico. Pode haver aparecimento de linfonodomegalia cervical reacional.

Figura 2 – (A) Lobo esquerdo da tireoide apresentando dimensões aumentadas por causa da tireoideite de Hashimoto. Apresenta ainda uma textura heterogênea e presença de traves ecogênicas fibrosas. (B) O Power Doppler mostra hipervascularização difusa.

Nas fases finais da tireoidite crônica, a tireoide está com tamanho reduzido, os contornos são mal definidos, a textura é difusamente heterogênea e ecogênica, em virtude da extensa fibrose. Nesta fase ocorre uma redução significativa da vascularização da glândula ao mapeamento com o Doppler colorido.

Figura 3 – Tireoide apresentando contornos irregulares e dimensões reduzidas, por causa da tireoidopatia crônica.

A tireoidite de Hashimoto está associada a um risco maior de carcinoma papilífero e de linfoma não Hodgkin, havendo formação de nódulos maiores dentro da glândula, sendo a PAAF frequentemente necessária para o diagnóstico diferencial.


Dr. Lucas Gadioli
Médico Ultrassonografista Geral;
Membro do Núcleo Técnico de Conteúdo do Cetrus.



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