Colposcopia: avaliação das patologias genitais femininas

Imagem ilustrativa de paciente de ginecologista que busca procedimento cirúrgico na região íntima, deitada em uma maca.

Índice

Colposcopia: tudo o que você precisa saber sobre esse exame para sua prática clínica!

A colposcopia é um exame clínico fundamental na avaliação das patologias genitais femininas, sendo amplamente utilizada na prática ginecológica. Sua importância se estende tanto à prevenção quanto ao diagnóstico precoce de doenças cervicais, vaginais e vulvares. Este exame é especialmente indicado quando há alterações nos exames de rotina, como o Papanicolau, ou quando há sintomas suspeitos de patologias genitais.

A colposcopia desempenha um papel importante na detecção precoce de lesões pré-malignas e malignas, além de guiar procedimentos terapêuticos, promovendo intervenções conservadoras e monitorização adequada após o tratamento.

O que é a colposcopia?

A colposcopia é uma técnica de visualização das estruturas genitais femininas, especialmente do colo do útero, vagina e vulva, utilizando um colposcópio, que é um microscópio binocular com lentes de aumento e iluminação adequada. Ao permitir uma visualização detalhada e ampliada, a colposcopia facilita a detecção de anomalias que não seriam visíveis a olho nu, como áreas de neoplasia intraepitelial cervical (NIC) e cânceres iniciais.

A importância da colposcopia reside principalmente em sua capacidade de detectar precocemente alterações pré-cancerosas e cancerosas, especialmente no colo uterino.

A colposcopia também tem grande relevância no acompanhamento de pacientes com patologias prévias ou em tratamento, permitindo monitorização contínua e ajustes terapêuticos adequados.

Instrumentos utilizados na colposcopia

Para a realização da colposcopia, o equipamento principal é o colposcópio, um dispositivo que se assemelha a um microscópio. Ele permite uma visualização detalhada da região genital feminina, ampliando a imagem e facilitando a identificação de possíveis alterações.

Preparação para o exame

Antes de se submeter à colposcopia, a paciente deve seguir algumas orientações importantes. É aconselhável:

  • Evitar relações sexuais
  • Uso de medicamentos
  • Cremes vaginais
  • Duchas

Por cerca de 48 horas antes do exame. Além disso, não deve-se realizar o exame no período menstrual.

Como é feita a colposcopia?

A colposcopia é um exame relativamente rápido, com duração de aproximadamente 15 minutos.

Para realizar o procedimento, coloca-se a paciente em posição ginecológica, permitindo o acesso adequado à região vaginal. Inicialmente, higieniza-se a área com gaze embebida em soro fisiológico.

Em seguida, utiliza-se um espéculo para expor o colo do útero. Insere-se o espéculo de forma fechada, em um ângulo ligeiramente oblíquo para evitar lesões, sendo depois girado e aberto cuidadosamente.

Após a exposição do colo do útero, e após a coleta do Papanicolau, posiciona-se o colposcópio a uma distância aproximada de 30 cm da paciente, permitindo uma inspeção detalhada da região para identificar possíveis alterações.

Indicações para a realização da colposcopia

Existem várias situações em que indica-se a colposcopia, sendo a mais comum a presença de alterações citológicas detectadas no exame de Papanicolau (citologia oncótica). Entre as principais indicações para a realização da colposcopia, podemos destacar:

  • Alterações no papanicolau: quando o exame citológico sugere lesões escamosas intraepiteliais de baixo ou alto grau (LSIL e HSIL), carcinoma in situ ou suspeita de neoplasia invasiva, indica-se a colposcopia para uma avaliação mais detalhada do epitélio cervical
  • Suspeita de infecção pelo HPV (papilomavírus humano): o HPV é o principal agente etiológico relacionado ao desenvolvimento de neoplasias intraepiteliais cervicais. Quando há infecção por tipos de alto risco do HPV, a colposcopia auxilia na detecção de lesões associadas
  • Sangramento pós-coito: o sangramento vaginal após relação sexual pode ser um sinal de lesão cervical significativa, como neoplasia, e requer avaliação colposcópica
  • Achados anormais no exame físico: durante o exame ginecológico de rotina, se houver suspeita de lesão macroscópica no colo do útero, vagina ou vulva, indica-se a colposcopia para caracterização detalhada dessas lesões
  • Monitoramento de pacientes com histórico de neoplasia intraepitelial: pacientes tratadas para lesões de alto grau ou carcinoma do colo do útero necessitam de acompanhamento rigoroso, e a colposcopia torna-se uma ferramenta essencial nesse seguimento.

Patologias identificadas na colposcopia

Amplamente utilizada para identificar uma série de patologias que acometem o trato genital feminino, sendo uma ferramenta essencial para o diagnóstico e manejo clínico de lesões benignas, pré-malignas e malignas. As principais patologias detectadas durante a colposcopia incluem:

Neoplasia intraepitelial Cervical (NIC)

A neoplasia intraepitelial cervical (NIC) consiste em uma lesão pré-maligna que afeta o epitélio do colo do útero, classificada em três graus: NIC I, II e III, de acordo com a severidade da displasia celular. O NIC I caracteriza-se por displasia leve e muitas vezes pode regredir espontaneamente, enquanto os NIC II e III são considerados lesões de maior gravidade, com maior risco de progressão para o câncer cervical invasivo.

Assim, durante a colposcopia, o exame do colo do útero com aplicação de soluções como ácido acético ou solução de Lugol permite a identificação de áreas acetobrancas e iodo-negativas, que são indicativas de lesões pré-malignas. Portanto, a colposcopia detalhada, aliada à biópsia dirigida, permite uma avaliação acurada dessas lesões, sendo essencial para determinar a conduta terapêutica.

Fonte: Sellors et. al, 2024.

Câncer cervical invasivo

O câncer cervical invasivo é uma das patologias com pior prognóstico detectadas pela colposcopia. Embora a citologia oncótica e o teste de HPV sejam eficazes na triagem, a colposcopia permite a avaliação direta de lesões suspeitas de malignidade, auxiliando na determinação do estadiamento clínico e na decisão sobre o tratamento mais adequado.

Lesões cervicais invasivas podem apresentar características colposcópicas específicas, como áreas irregulares, vasos atípicos e ulcerações, que são prontamente identificadas pelo exame colposcópico.

Fonte: Sellors et. al, 2024.

Neoplasia intraepitelial vulvar (NIV)

A neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) é uma condição pré-maligna que afeta o epitélio vulvar e, assim como a NIC, pode ser classificada em graus de acordo com a extensão da displasia celular. As lesões vulvares são mais raras que as cervicais, mas a colposcopia vulvar é uma ferramenta importante para a detecção de áreas suspeitas, especialmente em pacientes com fatores de risco, como infecção pelo HPV.

Dessa forma, lesões de NIV podem apresentar-se como áreas acinzentadas, leucoplásicas ou eritroplásicas na colposcopia, e a biópsia dirigida é essencial para confirmação diagnóstica.

Fonte: Ortiz, 2003.

Neoplasia Intraepitelial Vaginal (NIVA)

A neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA) é uma condição ainda menos comum, porém igualmente relevante. Indica-se a colposcopia vaginal principalmente em pacientes com lesões prévias no colo do útero, pois a vagina é um local secundário de infecção pelo HPV. Durante a colposcopia, pode-se observar lesões vaginais como áreas iodo-negativas ou com padrão vascular alterado.

Lesões benignas

Além das neoplasias, a colposcopia também auxilia na detecção de uma variedade de lesões benignas do trato genital feminino, como pólipos cervicais, cistos de Naboth, cervicites e ectopias glandulares. Essas lesões, apesar de benignas, podem mimetizar lesões pré-malignas ou malignas ao exame físico de rotina, sendo a colposcopia crucial para diferenciá-las.

Infecções relacionadas ao HPV

O HPV, particularmente seus tipos de alto risco, está fortemente associado ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e cancerosas no trato genital inferior.

Além das neoplasias intraepiteliais cervicais, vulvares e vaginais, o HPV pode causar outras lesões, como condilomas acuminados (verrugas genitais). Pode-se visualizar esses condilomas por meio da colposcopia. A identificação de lesões verrucosas ou papilares típicas, juntamente com a utilização de testes de HPV, ajuda a estabelecer o diagnóstico de infecção ativa e o manejo adequado.

Como a colposcopia auxilia no tratamento?

A colposcopia é uma ferramenta essencial não apenas no diagnóstico, mas também no planejamento terapêutico e monitoramento de pacientes com lesões cervicais, vaginais e vulvares. Sua precisão diagnóstica permite a personalização do tratamento, desde opções conservadoras até intervenções cirúrgicas mais invasivas.

Diagnóstico preciso

A colposcopia permite a visualização direta e ampliada das lesões, auxiliando na determinação do local exato, tamanho e gravidade das alterações. Dessa forma, isso é essencial para o direcionamento de biópsias, evitando falsos negativos e garantindo maior acurácia no diagnóstico.

Quando assoacia-se a colposcopia a biópsias direcionadas, a taxa de detecção de neoplasias aumenta significativamente.

Tratamentos conservadores

Em muitos casos, pode-se manejar as lesões identificadas na colposcopia de forma conservadora, sem a necessidade de intervenções cirúrgicas imediatas. Por exemplo, em lesões de baixo grau (NIC I), a conduta pode ser expectante, com acompanhamento colposcópico e citológico periódico para verificar a regressão espontânea da lesão.

Além disso, pode-se iniciar o tratamento de infecções como o HPV com medicamentos tópicos ou imunomoduladores, sem necessidade de procedimentos invasivos.

Cirurgias conservadoras

Em lesões de maior gravidade, como NIC II ou III, a colposcopia permite guiar procedimentos cirúrgicos conservadores, como a excisão local da lesão por eletrocirurgia (LEEP ou CAF), conização do colo do útero ou vaporização a laser. Esses procedimentos preservam o tecido saudável circundante, minimizando o impacto funcional e anatômico na paciente, especialmente em mulheres em idade reprodutiva.

Guiar procedimentos cirúrgicos

Em casos mais avançados, onde há suspeita de neoplasia invasiva, a colposcopia auxilia na delimitação das margens cirúrgicas, garantindo a remoção completa da lesão durante uma histerectomia ou vulvectomia, por exemplo. Também pode-se utilizar o exame no planejamento de cirurgias reconstrutivas, preservando o máximo de funcionalidade e estética.

Monitorização após tratamentos

Após o tratamento de lesões pré-cancerosas ou cancerosas, a colposcopia é fundamental para o acompanhamento da paciente. Assim, a recorrência de lesões é um risco considerável, e a monitorização colposcópica regular permite a detecção precoce de novas alterações, facilitando a intervenção antes da progressão para neoplasia invasiva.

Pós-Graduação lato sensu em Colposcopia e PTGI

A Pós-Graduação em Colposcopia e Patologias do Trato Genital Inferior (PTGI) proporciona uma formação avançada, tanto teórica quanto prática, qualificando médicos para realizar diagnósticos e tratamentos especializados em doenças que acometem o trato genital inferior.

Referência bibliográfica

  • Wright, T. C., Jr., et al. (2003). “2001 consensus guidelines for the management of women with cervical cytological abnormalities.” Journal of the American Medical Association (JAMA), 287(16), 2120-2129. DOI: 10.1001/jama.287.16.2120.
  • Ojeda Ortiz J. Neoplasia intraepitelial vaginal (NIVa). En: Torres Lobatón A, editor.  Cáncer ginecológico. 1a ed. México, D.F.: Mc Graw Hill; 2003. p. 113-120.
  • SELLORS, J. W.; SANKARANARAYANAN, R. Colposcopia e tratamento da neoplasia intra-epitelial cervical: manual para principiantes. Capítulo 3: Introdução à neoplasia invasiva do colo uterino. Lyon: IARC Press, 2003.

Cite este artigo no seu trabalho

Para citar este artigo em outro texto, clique e copie a referência em formatação ABNT.

Citação copiada!
Educa Cetrus
Educa Cetrus
Educa Cetrus Redator

Compartilhe esta publicação:

Cursos, masterclasses e e-books médicos gratuitos

Fique por dentro dos temas que realmente importam na prática médica atual.

Receba informações semanais sobre carreira, formação médica e novos conteúdos gratuitos.

CONFIRA NOSSA NEWSLETTER