Conização com cirurgia de alta frequência (CAF): indicações e técnicas

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Conização com cirurgia de alta frequência (CAF): tudo o que você precisa saber sobre esse procedimento para sua prática médica!

A conização cervical é um procedimento amplamente utilizado na abordagem de lesões precursoras do câncer de colo uterino. Com a evolução da tecnologia, a Cirurgia de Alta Frequência (CAF) tem se destacado como uma opção eficaz, segura e menos invasiva para a realização da conização.

É fundamental que o ginecologista compreenda as indicações corretas, os cuidados pré e pós-operatórios, bem como o passo a passo da técnica, a fim de garantir um tratamento adequado e preservar ao máximo a anatomia cervical, especialmente em mulheres jovens.

Entendendo a conização com cirurgia de alta frequência (CAF)

A Cirurgia de Alta Frequência, também conhecida como LEEP (loop electrosurgical excision procedure), utiliza uma alça de fio de tungstênio atravessada por corrente elétrica de alta frequência para realizar a excisão de uma porção do colo uterino, geralmente em forma de cone. A principal vantagem desta abordagem consiste na sua capacidade de remover de forma precisa o tecido afetado, com mínima destruição dos tecidos adjacentes, o que facilita a recuperação e reduz complicações.

Além disso, a CAF permite a obtenção de amostra histopatológica com margens bem delimitadas, o que é essencial para o correto estadiamento da doença. Por ser uma técnica ambulatorial, costuma ser bem tolerada, reduzindo o tempo de internação e os custos hospitalares.

Comparada à conização com bisturi frio, a CAF oferece menor sangramento intraoperatório e menor tempo cirúrgico. Embora recomende-se a excisão a frio em casos específicos — como suspeita de adenocarcinoma in situ com margens muito próximas — a CAF tem se mostrado tão eficaz quanto para a maioria das lesões intraepiteliais de alto grau. Estudos apontam taxas de cura superiores a 90% em pacientes com NIC 2 ou 3, desde que as margens estejam livres.

Quais as indicações clínicas para a conização com cirurgia de alta frequência (CAF)?

A conização está indicada em pacientes com:

  • Neoplasia intraepitelial cervical grau 2 ou 3 (NIC 2 ou 3), especialmente com acometimento glandular ou quando não há correlação entre citologia, colposcopia e histologia
  • Lesões escamosas de alto grau persistentes após 2 anos de acompanhamento
  • Resultado de citologia com suspeita de adenocarcinoma in situ
  • Zona de transformação não completamente visível (colposcopia insatisfatória)
  • Margens comprometidas em biópsias anteriores ou necessidade de maior acurácia diagnóstica.

Importância da estratificação de risco com base em testes complementares

A decisão pela conização deve considerar também os achados de testes de HPV de alto risco e citologia líquida. Deve-se avaliar mulheres jovens, especialmente adolescentes, com cautela, pois há alta taxa de regressão espontânea das lesões de baixo e médio grau. Em contrapartida, pacientes com mutações de p16, lesões recorrentes ou imunossuprimidas apresentam maior risco de progressão e, portanto, podem se beneficiar precocemente da excisão.

Importante destacar que a escolha entre excisão e ablação depende de vários fatores, como idade, desejo reprodutivo, acesso a exames complementares e experiência da equipe.

Preparo da paciente e materiais necessários para o procedimento

O preparo pré-operatório inclui:

  • Avaliação clínica e ginecológica completa
  • Atualização de exames laboratoriais (hemograma, coagulograma, sorologias)
  • Jejum de 6 a 8 horas caso o procedimento seja realizado com sedação ou anestesia geral
  • Orientação sobre os cuidados pós-procedimento e obtenção de consentimento livre e esclarecido.

Os materiais incluem:

  • Fonte de energia de alta frequência (gerador eletrocirúrgico)
  • Alças de tungstênio de diferentes tamanhos
  • Espéculo vaginal, pinças de Pozzi, histerômetro
  • Agente hemostático (como pasta de Monsel ou eletrocoagulação)
  • Anestésicos locais (geralmente lidocaína com vasoconstritor).

Passo a passo da técnica de conização com CAF

O procedimento pode ser feito com anestesia local, regional ou geral, conforme a disponibilidade e perfil da paciente. A anestesia local paracervical é frequentemente utilizada, promovendo conforto e facilitando a execução ambulatorial.

Identificação da lesão

A visualização adequada do colo uterino com espéculo e a aplicação de ácido acético 5% ajudam na identificação da lesão intraepitelial.

A colposcopia guiada contribui significativamente para delimitação dos limites da excisão. Em alguns centros, utiliza-se colposcopia integrada ao microscópio cirúrgico para maior precisão durante o procedimento.

Excisão com alça

A escolha da alça é determinada pelo tamanho e localização da lesão. O movimento deve ser firme e contínuo, evitando repetições que comprometam a qualidade da amostra. A profundidade deve respeitar os limites anatômicos do canal endocervical.

Um dos principais cuidados é evitar a retirada excessiva de tecido, o que poderia prejudicar a competência cervical futura. Por isso, é fundamental alinhar o procedimento aos desejos reprodutivos da paciente.

Hemostasia

Após a retirada da peça, realiza-se inspeção da área excisada. A hemostasia é obtida com eletrocoagulação da base ou aplicação de agentes como a pasta de Monsel. Em casos mais extensos, pode ser necessária a sutura hemostática. Dessa forma, manter o campo seco é essencial para evitar sangramentos tardios e garantir melhor recuperação tecidual.

Na imagem abaixo é possível visualizar a hemostasia após conização cervical:

Fonte: Courtesy of William J Mann, Jr, MD.

Variações na técnica de conização

Existem diferentes abordagens na conização, como:

  • Alça simples: utilizada para pequenas lesões, com formato semicircular
  • “Cone em blocos”: indicado para lesões extensas, permite remoção em múltiplos fragmentos sequenciais
  • CAF com alça reta: mais comum quando se deseja profundidade aumentada no canal cervical

Além disso, a conização pode ser realizada com finalidade diagnóstica (quando há suspeita, mas não confirmação de lesão invasiva) ou terapêutica (para remoção definitiva da lesão). Cada abordagem deve ser individualizada, levando em conta o grau da lesão, resultados anteriores e características do colo uterino.

Cuidados pós-operatórios e possíveis complicações

O período pós-operatório, em geral, é tranquilo, porém exige cuidados específicos para garantir a recuperação adequada e prevenir complicações. É fundamental seguir algumas orientações básicas, como a abstinência sexual por um período de 4 a 6 semanas, para evitar irritações e facilitar a cicatrização. Além disso, recomenda-se evitar o uso de absorventes internos e duchas vaginais, que podem aumentar o risco de infecções locais ao alterar a flora vaginal natural.

Para controle da dor, o uso de analgésicos simples é indicado, e, quando necessário, antibióticos profiláticos podem ser prescritos para prevenir infecções bacterianas. É essencial que o paciente esteja atento a sinais que indiquem possíveis complicações, como sangramento persistente, que pode sugerir problemas na cicatrização ou lesão residual.

Outra possível complicação é a infecção local, que pode se manifestar como cervicite ou endometrite, demandando avaliação médica e tratamento adequado. Além disso, a estenose cervical, que é o estreitamento do canal cervical, pode ocorrer e comprometer o fluxo menstrual ou a fertilidade. Em casos mais graves, pode haver incompetência cervical, afetando a capacidade de manter uma gestação futura. Portanto, o acompanhamento médico durante o pós-operatório é crucial para identificar e tratar rapidamente qualquer intercorrência.

Estudos mostram que a conização com CAF pode estar associada a discreto aumento no risco de parto prematuro, principalmente quando a profundidade da excisão ultrapassa 10 mm. Por isso, é essencial acompanhamento pré-natal diferenciado para pacientes com histórico de CAF.

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Referências bibliográficas

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