Entrevista sobre nódulos de tireoide e ablação por radiofrequência

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Entrevista sobre ablação por radiofrequência nos tratamentos de nódulos tireoideanos benignos

Em bate-papo, Dr. Erivelto Volpi explica mais sobre a técnica, que ainda é pouco difundida no Brasil

Nódulos de tireoide são muito comuns, estima-se que 50% da população adulta os detectem em um exame ultrassonográfico e 10% os possuam de forma visível e perceptível em um exame físico em consultório médico. Destes, apenas um em cada 10 é maligno, mas estima-se que o câncer de tireoide será o tipo mais comum de câncer no sexo feminino até 2025.

Dr. Erivelto Volpi explicando sobre ablação por radiofrequência para tratamento de nódulos benignos de tireoide
Dr. Erivelto Volpi conversou conosco sobre os métodos minimamente invasivos para os nódulos de tireoide

O Dr. Erivelto Volpi, cirurgião de cabeça e pescoço e coordenador do curso de Pós-Graduação Latu Senso em Tireioide e Paratireoide, é especialista no tema e publicou em janeiro uma revisão de um estudo italiano sobre os tratamentos minimamente invasivos para os nódulos de tireoide, que incluem o tratamento de ablação por radiofrequência. Ele conta mais sobre as possibilidades que já temos no Brasil e explica mais sobre a ablação por radiofrequência na entrevista a seguir:

Educa Cetrus: Nódulos de tireoide são bastante comuns, mas eles devem ser sempre investigados?

Dr. Erivelto Volpi: Apesar de 50% da população adulta possuir nódulos detectáveis em exames de ultrassom da tireoide, não se recomenda sua busca ativa. O ultrassom da tireoide deve ser feito apenas quando o paciente tem algum antecedente especial, ou um nódulo palpável que foi constado pelo paciente ou médico. Mas é comum que muitos pacientes façam o ultrassom de pescoço por motivos diversos e acabem descobrindo nódulos na tireoide.

EC: Nódulos de tireoide precisam sempre ser tratados? Quais fatores ajudam nessa decisão?

EV: Muitos nódulos de fato não precisam ser tratados. Mas o que determina isso são alguns fatores:

O primeiro deles são as características ultrassonográficas: nódulos que tem critérios de suspeita de malignidade devem ser puncionados para avaliação citológica e se forem malignos, pedem tratamento. Para determinar isso existem critérios bem estabelecidos, como o sistema TI-RADS, sistema internacional de estratificação de risco ultrassonográfico para os nódulos.

Outra situação são os nódulos que mesmo não sendo malignos, necessitam tratamento devido à produção aumentada de hormônios tireoideanos causando hipertireoidismo, chamamos estes nódulos de nódulos “tóxicos”.

Nódulos que apresentem crescimento progressivo e embora sejam benignos e não tóxicos, também podem necessitar tratamento, assim como aqueles que já causam sintomas devido à compressão das estruturas adjacentes, como a traquéia e o esôfago por exemplo.

EC: E quais são as opções de tratamento disponíveis?

EV: Até o final da década de 2010, no Brasil só havia a opção de tratar os nódulos de tireoide com a cirurgia para a remoção da tireoide, chamada de tireoidectomia, que requer internação hospitalar e anestesia geral, e que normalmente leva o paciente ao uso de reposição hormonal.

Em 2018 a ablação por radiofrequência começou a ser feita por aqui, um procedimento minimamente invasivo que o paciente pode fazer ambulatorialmente, ou seja, ela pode ser feita no consultório, sob anestesia local e eventual sedação, com liberação em algumas horas. Além de normalmente não alterar a função tireoideana. Isso o torna uma verdadeira mudança de paradigma nos tratamentos.

EC: Como funciona esse tratamento?

EV: A ablação por radiofrequência usa o calor para destruir o nódulo. Com isso, ele vai reduzindo de tamanho por cerca de um ano. Nos primeiros seis meses essa redução é considerável, e depois vai se tornando mais lenta. No período total é comum o nódulo apresentar uma diminuição de 80 a 90% de seu tamanho. Depois ele se estabiliza e não volta mais a crescer. As chances de recidivas são menores do que 5%.

EC: A ablação por radiofrequência pode ser aplicado em nódulos malignos ou só benignos?

EV: Até o momento há apenas estudos mostrando sua aplicação em nódulos benignos. Para cânceres só há evidências de indicação em nódulos com menos de um centímetro de tamanho.

EC: Mas o quanto esse procedimento já é usado pelos profissionais brasileiros?

EV: A ablação por radiofrequência é pouco difundida ainda, muito profissionais não a conhecem e pouquíssimos são capacitados para realizá-lo. Com isso, muitos pacientes são submetidos a cirurgia que poderia eventualmente ser evitada, caso este paciente tivesse acesso a este tipo de tratamento.

Conclusão

A ablação por radiofrequência representa uma alternativa menos invasiva e mais confortável para pacientes com nódulos tireoidianos benignos. A conscientização sobre essa técnica e sua ampliação no Brasil podem reduzir a necessidade de cirurgias desnecessárias e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Quer saber mais sobre esse procedimento? Acompanhe nosso conteúdo e fique por dentro das últimas atualizações na área!

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