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Qual a importância do rastreamento em um feto com ventriculomegalia?

O alargamento dos ventrículos cerebrais é habitualmente chamado de ventriculomegalia é um marcador não especifico de alguma anormalidade, sinalizando assim a possibilidade de malformações no sistema nervoso central (SNC) ou em outros órgãos. Além disso, trata-se também, do diagnóstico mais comum de alteração cerebral fetal.

A presença de ventrículos laterais normais ao exame obstétrico diminui de maneira acentuada o risco para anormalidades no SNC, enquanto o seu achado alterado leva a um aumento deste risco. Muitas estratégias já foram criadas com a intenção de avaliar os ventrículos e atualmente, utiliza-se a medida dos átrios ventriculares logo abaixo da fissura parieto-occipital. Em fetos normais o valor de referência para os ventrículos laterais deve ser de até 9,9 mm, entre 15-40 semanas de gestação.

Quando encontramos ventrículos com medidas superiores a 15 mm estamos diante de uma ventriculomegalia severa e isto está frequentemente associado com malformações intracranianas. O prognóstico é variável e depende muito mais da causa da ventriculomegalia do que da dilatação em si. Nos casos em que os fetos possuem alargamento ventricular mais significativo, os ventrículos costumam ser afetados de forma bilateral.

Um valor intermediário para a medida do ventrículo, entre 10-15 mm, é habitualmente chamado de ventriculomegalia leve e está menos associado a malformações significativas do SNC, entretanto ainda pode haver associação com defeitos de fechamento do tubo neural. Ventriculomegalia leve também está associado com aberrações cromossômicas e o risco de trissomia do 21 é 3,8 vezes maior quando este é um achado isolado. Quando a ventriculomegalia leve é isolada e não possui outras anomalias associadas, a maioria dos recém nascidos são assintomáticos e o seu achado frequentemente é unilateral.

Quando ventriculomegalias leves são encontradas, é de extrema importância excluir outras anomalias. Uma avaliação ultrassonográfica fetal deve ser realizada com maior atenção para a avaliação do SNC. Testes de diagnóstico fetal para anomalias cromossômicas devem ser oferecidos e testes cromossômicos podem ser considerados. A avaliação ultrassonográfica deve ser minuciosa com o estudo de toda a coluna, podendo ser complementada pela via transvaginal para que seja realizado um melhor estudo do SNC, principalmente se o feto estiver em apresentação cefálica.

“Ventriculomegalia leve”

A importância de se valorizar um feto com ventriculomegalia é indiscutível. Trata-se de um achado muito frequente e que sinaliza para o examinador a necessidade de uma avaliação da morfologia fetal ainda mais cuidadosa em busca de outras alterações. As etiologias para esta condição são diversas e, sempre que for o desejo do casal, devem ser investigadas, o que permite melhor seguimento da gestação, condutas específicas e uma adequada avaliação de prognóstico.

DR. JOÃO FIDÊNCIO BARRETO CAMPOS
> Médico Ultrassonografista Geral;
> Membro do Núcleo Técnico de Conteúdo do Cetrus.

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