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Ultrassom da Coluna Neonatal

Você já se deparou com um pedido de avaliação ultrassonografia de coluna neonatal em sua agenda e não soube o que fazer? Seguem abaixo algumas dicas desse exame tão solicitado em maternidades e UTIs neonatais, e que poucas pessoas realizam.

Quem solicita?

Geralmente os neonatologista ou pediatras, nas maternidades, UTIs neonatais ou mesmo nos consultórios de puericultura.

Por que solicita?

Embora o exame ultrassonográfico da coluna tenha inúmeras indicações (como o diagnóstico de lesões traumáticas, pré-operatório e evolutivo em pacientes com disrafismos espinhais, intra-operatório em cirurgias do trauma ou de tumores medulares) é no diagnóstico dos disrafismos espinhais ocultos ao nascimento que se encontra sua maior indicação.

Como é feita a suspeita diagnóstica?

A suspeita de disrafismo espinhal oculto é levantada pela presença de alguma anormalidade da pele (Figura 1) adjacente à linha média da região lombossacra durante o exame do neonatologista, como a presença de estigmas cutâneos, hemangiomas, tufos de pelos, apêndices cutâneos, fossetas sacrococcígeas ou massas subcutâneas. Estudos demostram que estigmas cutâneos estão presentes em aproximadamente 3% dos recém nascidos e que, destes, 3 a 8% apresentam disrafismo espinhal oculto.

Figura 1 – Alterações cutâneas da região lombar
Quando realizar o exame?

É importante saber que quanto mais precocemente realizado, melhor. A partir de 9 meses a qualidade do exame encontra-se muito reduzida.

Como realizar o exame?

O bebê deve ser posicionado em decúbito ventral.

O transdutor utilizado é o linear, geralmente de 5 a 12 MHz.

Devem ser realizados cortes longitudinais sobre as vértebras, sempre com o índex voltado para a cabeça, e cortes transversais, com objetivo de avaliar minuciosamente a contiguidade com o canal medular, o contorno e posição da medula espinhal bem como da musculatura paraespinhal e pele sobrejacente.

A ossificação incompleta dos elementos posteriores das vértebras mais caudais nessas crianças oferece uma boa janela acústica para a visibilização do conteúdo do canal vertebral e estruturas ósseas de forma segura, não invasiva, com baixo custo e grande eficácia.

Como fica o exame normal?

A medula espinhal normal, ao exame ecográfico, assemelha-se a um tubo hipoecóico, ligeiramente mais ecogênico do que o líquor que o cerca, bem delimitado, com uma faixa ecogênica em seu interior chamada complexo ecogênico central. A região do cone medular representa o seu término e tem continuidade com as raízes nervosas da cauda equina.

O cone medular deve estar localizado no nível de T12 e L2-L3 (abaixo do corpo de L3 considera-se nível baixo (Figura 2). A cauda equina se apresenta como um emaranhado de linhas ecogênicas com origem na superfície ventral e dorsal do cone medular, com tendência a assumir posição mais ventral.

Figura 2- Aspecto ultrassonográfico da coluna tóraco-lombar.
Abaixo estão listadas algumas variações da normalidade
  • Dilatação transitória do canal central;
  • Cisto de filum terminale;
  • Filum terminale proeminente;
Relembrando a embriologia…

A formação da coluna tem seu início na terceira semana gestacional, entre o 15º e o 27º dias de vida embrionária, quando ocorre a invaginação da placa neural formando o sulco neural e as pregas neurais. Quando essas pregas se fundem forma-se um tubo, chamado tubo neural. O neuroectoderma se separa então do ectoderma cutâneo (processo chamado disjunção, formando a crista neural cujas células darão origem aos gânglios espinhais simpáticos, as células de Schwann e às medulas adrenais. Os somitos darão origem ao esqueleto axial e à musculatura associada.

E a medula?

No embrião a medula espinhal estende-se por todo o comprimento do canal vertebral. A medida que a coluna cresce a medula tende a uma localização cada vez mais alta, não acompanhando o crescimento ósseo. Aos 6 meses de gestação estende-se até S1, no neonato até L3 e no adulto até L1.

Principais erros do desenvolvimento embriológico:
1. Falha na disjunção:
– Total: mielocele, mielomeningocele.
– Parcial: seio dérmico.
2. Disjunção prematura:
– Lipomielocele e lipomielomeningocele;
– Lipomas terminais e intradurais.
3. Alterações da massa celular caudal:
– Tumores do filum terminal;
– Mielocistoceles terminais;
– Teratomas sacrococcígeos.

A avaliação ultrassonográfica da coluna neonatal exige conhecimento técnico e anatômico específicos, bem como conhecimento das principais patologias que acometem essa região. Dessa forma, é imprescindível estudo aprofundado do tema e treinamento prático que permita uma boa curva de aprendizado.

Dr. Lucas Gadiolli
> Médico Ultrassonografista Geral;
> Membro do Núcleo Técnico de Conteúdo do Cetrus.

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