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4 oportunidades que o ginecologista ganha ao praticar terapia sexual

Tratar o órgão reprodutor feminino envolve não apenas o conhecimento de sua anatomia e seus ciclos, mas muitas vezes se relaciona com a vivência sexual da paciente e problemas relacionados a ela, que é um dos fatores que englobam sua saúde plena. No entanto, muitos profissionais da ginecologia não estão preparados para lidar com esse tipo de conversa em consultório.

“A nossa formação médica peca em nos preparar para questões tão íntimas como a sexualidade humana. E como é um tema que afeta ao menos metade da nossa população, precisamos de terapeutas bem formados”, explica a ginecologista e especialista em sexualidade humana, Dra. Aline Ambrósio, uma das coordenadoras da Pós-Graduação em Sexualidade Humana do Cetrus.

Muitas vezes, quando o médico não se prepara para abordar esse assunto, ele pode acabar causando problemas. “Ele precisa dar uma resposta para aquele paciente e acaba falando coisas da cabeça dele e temos muitos preconceitos e tabus ainda”, comenta Dra. Carolina Ambrogini, ginecologista e também coordenadora da Pós em Sexualidade Humana.

Por isso, com a ajuda delas, elencamos algumas oportunidades que você, ginecologista, ganha ao se aprofundar na área de sexualidade humana:

1. Passa a atender uma quantidade grande de pacientes

Estima-se que entre 40 e 50% das mulheres tenham disfunção sexuais, um número alto de pessoas. “A incidência de redução de libido gira em torno de 30% em alguma faixa da vida”, ressalta Ambrogini. De acordo com o MSD Manual, várias lesões genitais, fatores hormonais ou sistêmicos e fármacos podem levar ou contribuir a um quadro deste tipo. No entanto, as causas costumam ir além do físico e não tratar ou ao menos considerar o aspecto emocional da paciente pode não trazer um resultado eficiente.

Existem pacientes que chegam à terapia sexual com alguma disfunção sexual, mas que some quando há uma mudança circunstancial, como a troca de parceiro, por exemplo, o que mostra que a questão tinha um fundo muito mais emocional. “Nesses casos, o ginecologista pode encaminhar esse paciente para um psicoterapeuta ao chegar nesse ponto, mas é importante trabalhar as questões emocionais enquanto a disfunção sexual ainda é presente”, explica Ambrósio.

Por outro lado, quando a paciente chega com esse tipo de questão e o médico opina sem embasamento no tema, pode acabar afastando a paciente. “Se eu não entendo de como funciona esse psiquismo, não tenho técnica para lidar com isso, eu posso até prejudicar meu paciente”, frisa a especialista.

“A pessoa está expondo uma parte muito íntima da vida dela, e às vezes é a única pessoa que ela tem para conversar, e se o profissional dá uma resposta da cabeça dele, muitas vezes é inadequado”, acrescenta Ambrogini. Ou seja, há uma quebra de confiança e pode ser que a pessoa demore para abrir o tema com outro profissional.

2. Tem a chance de expandir seu atendimento aos homens

É um fato de que os homens demoram mais tempo para buscar ajuda sobre seus problemas sexuais (uma média de 7 anos, contra 3 das mulheres), no entanto, quando buscam, podem ser beneficiar bastante de um médico que olhe para suas questões de uma forma mais holística, trabalhando também suas questões.

A disfunção erétil, por exemplo, tem um componente emocional forte, principalmente em pacientes jovens (enquanto nos maiores de 50 anos, ela represente apenas 10% dos casos). Ansiedade sobre a performance, estresse e até quadros como ansiedade e depressão podem afetar a ereção de um homem ou agravar um quadro orgânico e devem ser levadas em conta durante o tratamento.

Fora que muitas vezes a esposa pode trazer o marido, e o terapeuta sexual consegue ajudar o casal, ajudando sua comunicação e tratando os dois juntos, já que a disfunção sexual pode ser do casal e retroalimentar a disfunção sexual do paciente.

Na Pós-Graduação em Sexualidade do Cetrus, que não é voltada apenas a ginecologistas, os alunos têm a oportunidade de simularem com atores atendimentos a homens e a mulheres, aplicando as técnicas psicológicas ensinadas nos cursos em ambos os públicos.

3. Ganha a oportunidade de cobrar por sessões de terapia sexual, um tratamento mais longo e frequente

Raramente um tratamento de terapia sexual vai durar apenas uma sessão. Caso o primeiro contato entre paciente e terapeuta seja positivo, a tendência é que haja mais sessões com uma constância que os atendimentos ginecológicos de rotina não possuem. “Fora que não é todo médico que oferece esse tipo de abordagem, então isso agrega ao valor da consulta”, aponta Ambrogini.

E mesmo assim, isso é vantajoso para o paciente. “A necessidade de encaminhá-lo para outros profissionais como psicólogos e fisioterapeutas acaba onerando ainda mais o tratamento”, comenta Ambrósio. Assim, no mesmo especialista o paciente encontra alguém que poderá trabalhar as questões emocionais com suas questões físicas.

4. Aproveita a chance de aumentar seu autoconhecimento

“Quando você lida com a sexualidade humana, muitas vezes você vai se deparar com as suas questões e as suas fragilidades, tanto que o psicólogo ou o psiquiatra tem que fazer psicoterapia durante seu processo de formação e carreira. Já o médico não tem essa autodescoberta”, comenta Ambrósio. Inclusive, essa jornada transformadora foi ressaltada por muitos dos alunos que já fizeram o curso.

“Inscrevi-me na Pós-Graduação em Sexualidade Humana, quando ainda não estávamos em pandemia. E durante esse período de isolamento e caos, resolvi olhar mais para dentro de mim. Só não esperava na minha jornada de autoconhecimento eu teria ao meu lado pessoas tão especiais, que me deram continência e acolhimento. Fomos instigados a abrir nossas defesas e desconstruir muitas de nossas crenças. Aprendemos a curar nossas próprias feridas para facilitar a cura dos nossos pacientes”, relatou a Dra. Laura Muzzi, aluna formada da 1º Turma da Pós-Graduação em Sexualidade Humana no Cetrus.

Quer saber mais sobre nosso curso e como aproveitar tantas oportunidades em sua carreira? Saiba mais sobre a programação da Pós-Graduação em Sexualidade Humana no Cetrus em nosso site.

One Reply to “Por que o ginecologista deve praticar terapia sexual”

  1. As informações sobre Sexualidade mesmo sendo básicas ,são importantes como parte da especialidade GO , as mesmas bem expostas pela Dra Ambrogini . Gostaria de ter informação para realizar pos na especialidade .

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