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Você sabe quais as principais condutas para seguimento de lesões por HPV?

Conheça melhor cada uma delas e o que levar em consideração em sua escolha

Lesões do HPV podem ser tratadas de diversas formas pelo ginecologista
Lesões do HPV podem ser tratadas de diversas formas pelo ginecologista

As lesões por HPV podem ser percussoras do câncer de colo do útero, por isso sua detecção e acompanhamento são tão importantes. Mesmo que a maioria não evolua para uma neoplasia, diagnosticá-las desde o início é uma das melhores formas de prevenir um tumor na região.

Existem 13 tipos de HPV considerados oncogênicos, mas dois deles (16 e 18) são responsáveis por 70% dos cânceres do colo do útero e lesões pré-cancerosas. Já os HPV 6 e 11, encontrados em 90% dos codilomas gênitas, são não-oncogênicos.

Quais as possibilidades de seguimento das lesões por HPV?

Uma vez que a lesão é detectada, as condutas se dividem em 4 tipos:

  • Expectante: seguimento por dois anos sem intervenção
  • Destrutiva: com uso de agentes químicos e físicos
  • Excisional: em que parte do tecido é retirada
  • Alternativa: usando recursos como a homeopatia e fitoterápicos
Conduta expectante

Nessa conduta, a paciente é acompanhada pelo médico sem tratamento ativo por dois anos. Ela é indicada nos seguintes casos:

  • Paciente jovem;
  • Lesão de baixo grau;
  • Adolescentes com NIC II;
  • Métodos concordantes (Citologia oncótica/Colposcopia/Anatomo-patológico);
  • Lesão totalmente visível;
  • Zona de transformação tipo I e II;
  • Gestantes;
  • Imunossuprimidas com CD4 < 200;
  • Possibilidade de retorno.

Mas não deve ser adotada em pacientes com:

  • Lesões de alto grau;
  • Discordância diagnóstica entre os métodos;
  • NIC I persistente (24 meses);
  • Lesão adentrando o canal (ZT tipo III);
  • Imunossuprimidas;
  • Tabagistas;
  • E com cofatores como:
    • Usuárias de drogas;
    • Portadoras de outras IST;
    • Difícil acompanhamento.
Tratamento destrutivo

O objetivo desse tipo de tratamento é atingir a lesão com profundidade suficiente para sua destruição, com menor dano tecidual e maior preservação da fertilidade e da estética genital.

Inclui métodos químicos ou físicos:

  • Agentes químicos
    • Ácido Tricloroacético (ATA) 70 a 90% – com aplicação quinzenal;
    • 5-fluorouracilo (5FU) – com aplicação mensal;
    • Imiquimod – com aplicação bisemanal por 4 a 6 semanas;
    • Podofilotoxina – com aplicação bisemanal por 4 a 6 semanas.
  • Agentes físicos
    • Eletrocauterização;
    • Criocauterização;
    • CAF (cirurgia de alta frequência);
    • Laser Co2.

Está indicado nas seguintes situações:

  • Lesões de baixo grau;
  • Lesões de alto grau (nesse caso, recomenda-se o Laser CO2);
  • Colposcopia satisfatória;
  • Zona de transformação tipo I;
  • Diagnóstico concordante;
  • Idade.
Tratamento excisional

Pode ser realizado através da CAF, da cirurgia clássica de conizaçao do colo ou laser de CO2. A realização da CAF apresenta inúmeras vantagens. O tratamento pode ser realizado ambulatorialmente, com anestesia local e permite um rápido retornos às atividades diárias. Apresenta poucas complicações associadas, com mínimo dano tecidual e permite a possibilidade de reintervenções se necessário.

A conizaçao clássica do colo uterino pode ser realizada nas seguintes condições:

  • Adenocarcinoma in situ;
  •  Suspeita de microinvasão;
  •  NIC de alto grau > 50 anos/ colo plano/ Zona de transformação tipo III;
  •  Persistência da lesão após dois procedimentos de CAF;
  •  Lesões extensas ou multifocais;
  •  Paciente imunossuprimidas com persistência de lesão.
Tratamentos alternativos

A aplicabilidade dos métodos alternativos ainda está em estudo, entre eles podemos citar:

  • Fitoterápicos: Viscus album e Equináceas;
  • Homeopatia: Thuya Ocidentalis;
  • Antioxidantes: vitaminas A, C, E e minerais como Cu, Zn, Se;
  • Psicoterapia.
Como decidir pelo melhor tratamento?

A escolha do tratamento a ser realizado dependerá das indicações referentes a cada método e da experiência do ginecologista. Os métodos químicos são de fácil realização, mas possuem limitação nas lesões avançadas. Já os métodos físicos necessitam de treinamento cirúrgico especializado, podendo ser realizado ambulatorialmente.

Para sua realização, o treinamento direcionado para lesões do trato genital inferior deve ser realizado. Na Pós-Graduação em Colposcopia e PTGI do Cetrus, são realizados inúmeros tratamento químicos e físicos, biópsia, vaporização com laser CO2 e inúmeros procedimentos de CAF. Ao final do curso, os alunos estarão aptos para adicionarem o procedimento em sua pratica clinica diária.

Quer saber mais? Confira a programação da Pós-Graduação em Colposcopia e PTGI do Cetrus.

Analise um caso clínico

As imagens abaixo são da paciente DMB, 35 anos, G4P4A0, que compareceu para atendimento de rotina. Foi realizado atendimento ginecológico e colposcopia:

  • Resultado da colposcopia: JEC 0/0, muco cristalino / Colposcopia satisfatória / Achados anormais: não / Achados vários: captação de iodo negativa 12h / Zona de Transformação tipo 1 / Teste de Schiller (-) / Colhido Citologia Oncótica, realizado Biópsia em 12h;
  • Resultado da citologia oncótica: Alterações celulares benignas reativas ou reparativas Inflamação / Negativo para células neoplásicas malignas;
  • Resultado biopsia: NIC III, carcinoma in situ / Lesão intra-epitelial cervical grau III (NIC III, NIC de alto grau, displasia acentuada)

Havendo discordância dos métodos diagnósticos, qual a conduta a ser proposta?

A resposta é que o ideal é tratar baseando-se no pior diagnóstico. Pode haver discordância dos métodos diagnósticos em 30% dos casos e o anatomopatológico é padrão ouro.

Por isso, nesse caso, obtou-se pela tratamento com CAF (cirurgia de alta frequência).

2 Replies to “Lesões por HPV: quais as principais condutas de tratamento?”

  1. caso excelente para discussão. Impressionante a citologia versus anátomo patológico tão discordantes!

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