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Entenda o que avaliar na ressonância magnética para identificar a endometriose e avaliar sua extensão

O exame pode ajudar no diagnóstico, na avaliação do estágio da doença, no planejamento terapêutico e no seguimento

Exames de ressonância magnética mostrando endometriose
Imagem 1: Ressonância magnética ponderada em T2 demonstrando extenso tecido endometriótico na região posterior do colo uterino para onde confluem os ovários que estão aderidos e apresentam endometriomas // Imagem 2: Sequência sagital ponderada em T2 demonstrando extenso tecido endometriótico retrouterino com comprometimento da parede intestinal

A endometriose é uma doença ginecológica que se caracteriza pela presença de tecido endometrial fora do útero. Os implantes do tecido costumam aparecer em regiões da pelve como ovários, ligamento largo, fundo de saco anterior e posterior e ligamentos útero-sacros.

Estima-se que a endometriose acometa cerca de 10% das mulheres em idade fértil e 90% daquelas que apresentam dor pélvica crônica.

O quadro apresenta três formas distintas sob o aspecto clínico e de imagem: superficial, ovariana e profunda (EP). Os sintomas da endometriose normalmente são inespecíficos e é difícil estabelecer a extensão das lesões apenas pelo exame físico em consultório, por isso o diagnóstico por imagens é de grande auxílio.

Como a endometriose é diagnosticada?

A endometriose é uma doença de difícil diagnóstico. A ressonância magnética é vantajosa na detecção principalmente das endometrioses ovariana e profunda. É uma grande aliada ao ultrassom transvaginal, pois fornece um rastreamento abrangente da pelve e das regiões em que os implantes costumam se apresentar.

Para o preparo do exame, o protocolo indicado pela Febrasgo1 é:

  • Preparo intestinal – geralmente com laxante via oral na véspera do exame e dieta pobre em resíduo durante as 24 horas que antecedem o exame;
  • Distensão vaginal com gel – para avaliar se há comprometimento da parede vaginal (contraindicado em pacientes virgens)
  • Antiespasmódico endovenoso, utilizado como rotina nos exames de avaliação do abdômen para reduzir o peristaltismo intestinal.
Ressonância magnética na detecção da endometriose

A ressonância magnética é considerada padrão ouro para caracterização de endometriomas ovarianos, mesmo com lesões pequenas, ajudando no estadiamento e também programação pré-operatória em mulheres com idade fértil e que desejam preservar a fertilidade.

Ajuda também na avaliação da endometriose profunda, principalmente de lesões retrocervicais, intestinais (apesar de neste caso o US transvaginal ser superior) e das vias urinárias.

  • Retrocervical:  é capaz de distinguir entre aderência ou invasão profunda da parede vaginal e identificar as infiltrações profundas do paracérvix e/ou paramétrio;
  • Intestino: ajuda no planejamento da cirurgia, mostrando o tamanho e número de lesões, camadas da parede intestinal comprometidas, circunferência da alça envolvida e a distância da borda anal;
  • Vias urinárias: permite visualizar se há infiltração do músculo detrusor nas lesões vesicais e a relação com o ureter

Em pacientes virgens, que não podem fazer o US transvaginal, a RM é método incomparavelmente superior ao US pélvico.

Durante o exame é importante que o médico esteja atento aos seguintes achados:

Achados essenciais:

  • Bandas espiculadas com sinal fibrótico
  • Intestino/ovários angulados, confluindo para um ponto ou região
  • Obliteração de interfaces entre os órgãos
  • Sequências ponderadas em T1
    • Lesão com sinal intermediário/isointensa ao músculo
    • Focos de sinal elevado indicativos de hemorragia das glândulas epiteliais ectópicas
  • Sequências ponderadas em T2
    • Placa endometriótica com baixo sinal, indicando hiperplasia muscular e fibrose
    • Eventualmente pode estar presente lesão com alto sinal devido à presença de glândulas
  • Pós-contraste
    • Geralmente hipovascular, com realce tardio
  • Sensibilidade de 90,3% para detecção de Endometriose Profunda

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Referências
  1. Mattos, LA. Gonçalves, MOC. Ressonância Magnética na avaliação da endometriose. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/341-ressona-ncia-magne-tica-na-avaliac-a-o-da-endometriose. Acessado em: 18 de janeiro de 2021.
  2. Jha, P., Sakala, M., Chamie, L.P. et al. Endometriosis MRI lexicon: consensus statement from the society of abdominal radiology endometriosis disease-focused panel. Abdom Radiol 45, 1552–1568 (2020).

10 Replies to “Ressonância magnética é aliada na detecção da endometriose”

  1. Msm sendo leiga, consegui entender. Como sou a paciente e discordo da retirada de todo aparelho reprodutivo feminino, só pq.estou entrando no Climatério, nem menopausa ainda. Se necessária alguma retirada cirúrgica, que seja somente do tecido envolvido e comprometido. E a retirada dos outros órgãos.

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