Posted on

Revisão: Hemorragia Peri-intravenricular (HPIV) no Neonato

É uma das principais lesões neurológica que acomete principalmente os recém-nascidos pré-termo (RNPT) de baixo peso e, representa um grande problema dada sua frequência, gravidade e prognóstico.

A HPIV ocorre particularmente a partir da matriz germinativa subependimária, região de proliferação neuronal, que apresenta-se como um tecido neural imaturo composto por células germinativas, localizado na região subependimária dos ventrículos laterais. Este tecido é ricamente vascularizado, porém seus vasos exibem uma morfologia mais frágil, de paredes finas, tornando-se mais vulneráveis à lesão por alterações no fluxo sanguíneo cerebral. Sua incidência é inversamente proporcional ao peso e a idade gestacional ao nascimento. Segundo alguns autores em torno de 32,6% em RNPT com peso menor que 750 g e, 11,6% em RNPT com peso entre 1.251 e 1.499 g (1).

Sua incidência é inversamente proporcional ao peso e a idade gestacional ao nascimento.  Segundo alguns autores em torno de 32,6% em RNPT com peso menor que 750 g e, 11,6% em RNPT com peso entre 1.251 e 1.499 g (1).

Fatores de risco

Em diversos estudos, são descritos alguns fatores de risco associados à HPIV como: idade gestacional inferior a 32 semanas, peso inferior a 1500 g, necessidade de reanimação na sala de parto; desconforto respiratório grave; necessidade de ventilação mecânica; hipóxia, pneumotórax; sepse;  variações ampla de pressão arterial; entre outros.

Diagnóstico

A ultrassonografia transfontanelar por ser um método não invasivo, isento de radiação ionizante e de fácil manuseio à beiro do leito, se tornou o método diagnóstico mais utilizado e efetivo para o diagnóstico e seguimento desses pacientes.

Classificação
A classificação de HPIV mais amplamente utilizada foi a elaborada por Papile et al. em 1978 com base em análise de tomografia computadorizada de crânio. Segundo esta classificação, podem ser subdivididas em:
Grau I Hemorragia restrita à matriz germinativa
Grau II Hemorragia intraventricular sem dilatação ventricular
Grau III Hemorragia intraventricular com dilatação ventricular
Grau IV Hemorragia intraparenquimatosa
Hemorragia Grau I

Apresenta-se em região subependimária, uma imagem ecogênica, inferior e lateral ao corno frontal e medial a cabeça do núcleo caudado. Pode uni ou bilateral. Após semanas, o coágulo sofre liquefação central, sendo absorvido por completo ou formando um cisto subependimal.

Figura 1. Hemorragia Grau 1 : restrita à matriz germinativa com sinais ecográficos de processo de absorção.
Hemorragia Grau II

Quando a matriz germinal rompe a parede ependimal e penetra no interior dos ventrículos laterais. Apresenta-se como uma imagem
( material ) ecogênico no corpo frontal e occipital ou também aderido em todo contorno do plexo coróide tornando-o mais espesso.
Podem ser autolimitadas e resolverem sem sequelas.

Figura 2. Hemorragia Grau II: material ecogênico no interior dos ventrículos laterais, sem dilatação.
Hemorragia Grau III

Caracteriza-se pelo aumento das cavidades ventriculares, devido ao processo obstrutivo à drenagem liquórica gerado pelo sangramento profuso.

Figura 3. Hemorragia Grau III: material ecogênico aderido ao plexo coróide e no interior do corno posterior dos ventrículos laterais com dilatação dos mesmos.
Hemorragia Grau IV

Caracterizado por imagem ecogênica de margens irregulares no parênquima adjacente ao ventrículo lateral. Dependendo do tamanho da hemorragia podemos ver um desvio de linha média devido ao efeito de massa. É considerado um infarto hemorrágico venoso.

Figura 4. Hemorragia Grau IV – infarto hemorrágico intraparenquimatoso.

Na maioria dos casos, a HPIV ocorre nos primeiros dias de vida do recém-nascido, entre o 4° até 7° dia de vida período onde ocorrem mais de 70% dos casos. O prognóstico é altamente dependente da localização e extensão da lesão. Paralisia cerebral e comprometimento cognitivo grave são comuns em bebês que sofreram infarto hemorrágico intraparenquimatoso.

Como a HPIV pode evoluir de graus menores para maiores, destaca-se a importância do diagnóstico precoce, com o estudo ultrassonográfico para se propor o tratamento adequado a cada caso.
DRA. INÊS GOMES DA SILVA
> Coordenadora do Curso de Ultrassonografia Pediátricoa do Cetrus
> Título de Especialista em Diagnóstico por Imagem pelo CBR/AMB
> Mestrado em Radiologia Clínica e Ciências Radiológicas pela UNIFESP
> Membro da Equipe do Setor de Ultrassonografia Neonatal do Complexo Santa Joana/Promatre/Santa Maria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *