Posted on

Confira 3 estudos recentes na hepatologia e como eles podem impactar na sua prática clínica

Por Larrie Laporte

Sabemos que o médico precisa estar sempre atualizado. Então, que tal começar conferindo três atualizações importantes em Hepatologia? Separamos três estudos sobre transplante de fígado em casos de hepatite alcoólica, o uso de ácido obeticólico no tratamento da colangite biliar primária e o papel de marcadores de fibrose hepática no risco de mortalidade cirúrgica. Confira a seguir!

LEIA MAIS: Doenças do fígado são silenciosas: a importância da imagem no diagnóstico

Transplante hepático precoce para hepatite grave associada ao álcool 

Uma das últimas atualizações é sobre o transplante de fígado para hepatite alcoólica grave. Sabemos que o transplante de fígado pode ser salva-vidas para pacientes com hepatite alcoólica grave. Todavia, em estudos anteriores publicados de transplante hepático precoce para hepatite associada ao álcool, os pacientes com descompensação hepática prévia eram excluídos. Em um estudo publicado na The American Journal of Gastroenterology de Dezembro de 2022, 241 pacientes com hepatite alcoólica que foram submetidos a transplante de fígado e foi descoberto que um histórico prévio de descompensação hepática estava associado a maiores riscos de mortalidade pós-transplante em comparação com nenhuma descompensação prévia (HR ajustada = 2,72, IC95% = 1.61–4.59) ).

O que isso muda na prática?

Para pacientes com hepatite alcoólica grave que não respondem aos glicocorticóides, o transplante de fígado pode ser a única opção de tratamento e tem se mostrado eficaz em salvar vidas. No entanto, a seleção de pacientes com histórico prévio de descompensação hepática tem sido limitada em muitos centros de transplante, pois acredita-se que essa condição aumenta o risco de mortalidade. Os resultados encontrados são encorajadores e validam a consideração da primeira descompensação como um critério para transplante hepático precoce em pacientes com hepatite alcoólica.

Além disso, a alta taxa de sobrevida em três anos sugere que o benefício do transplante precoce pode ser significativo. Todavia, mais estudos são necessários para aprimorar os critérios de seleção. Em suma, a descompensação hepática prévia pode ser considerada um fator de risco, mas não uma contraindicação absoluta para o transplante hepático precoce. Mais estudos com acompanhamento a longo prazo são necessários para otimizar os critérios de seleção de pacientes.

Uso de ácido obeticólico para pacientes com colangite biliar primária

Outra atualização recente é sobre o uso do ácido obeticólico para a colangite biliar primária. O ácido obeticólico é uma terapia de segunda linha para a colangite biliar primária na ausência de cirrose. No entanto, os benefícios a longo prazo do ácido obeticólico são incertos. Em um estudo publicado em Setembro de 2022 na revista Gastroenterology, 209 pacientes tratados com ácido obeticólico foram comparados com pacientes controles externos do mundo real em dois grandes bancos de dados, o Global PBC (n = 1381) e UK-PBC (n = 2135). Após seis anos de acompanhamento, o ácido obeticólico foi associado a taxas menores de mortalidade ou transplante de fígado em comparação com a não utilização de ácido obeticólico (2% vs. 10% e 13%, respectivamente).

O que isso muda na prática?

A colangite biliar primária é uma doença rara com opções de tratamento limitadas. O estudo mostra um efeito positivo do tratamento com ácido obeticólico na sobrevida, nos biomarcadores hepáticos, na fibrose e nos escores de risco de colangite biliar primária. O estudo também sustenta a orientação atual, que recomenda a iniciação de terapia de segunda linha se o Ursodiol não for tolerado ou se houver uma resposta inadequada de 6 a 12 meses.

LEIA MAIS: Doença hepática gordurosa não alcoólica: como detectar

Marcadores de fibrose hepática e risco de mortalidade cirúrgica

Por fim, um terceiro estudo de Novembro de 2022 publicado na revista Anesthesia & Analgesia  destaca a importância da avaliação de biomarcadores de fibrose hepática na mortalidade cirúrgica. A verificação pré-operatória de biomarcadores hepáticos em indivíduos saudáveis ainda é incerta. Todavia essa coorte histórica com 19.861 pacientes sem doença hepática conhecida sugere que um escore FIB-4 (que consiste em idade, AST, ALT e contagem de plaquetas) elevado pode estar associado a um aumento da mortalidade cirúrgica. Um escore FIB-4 pré-operatório ≥ 2,67 (definido como o limiar para fibrose avançada) foi associado a um aumento do risco de mortalidade intraoperatória, mortalidade durante hospitalização e mortalidade em 30 dias.

O que isso muda na prática?

O estudo sugere que marcadores de fibrose hepática elevados estão fortemente associados à mortalidade perioperatória em uma população sem doença hepática aparente, sendo capaz de auxiliar na estratificação do risco cirúrgico. Todavia, mesmo que os biomarcadores de doença hepática possam ter um papel futuro na avaliação do risco cirúrgico, são necessários estudos adicionais para confirmar essas descobertas.

Domine o uso de Imagem em Hepatologia

Sabia que o ultrassom pode ser o exame físico do hepatologista? Realizar esse exame em consultório pode já permitir que você chegue à conclusões diagnósticas de forma mais rápida e eficaz! Além de ser um aparelho portátil e relativamente barato. No Cetrus, temos uma Pós-Graduação em Imagem em Hepatologia, em que você:

  • Saberá interpretar e realizar de exames de ultrassonografia hepática, do baço e do sistema porta;
  • Aprenderá diagnosticar a esteatose hepática e classificá-la de acordo com o estágio;
  • Identificará os achados iniciais da cirrose hepática;
  • Reconhece pequenos nódulos no fígado e os caracteriza com US Doppler;
  • Saberá estadiar a hepatopatia crônica através da Elastografia, entre outras habilidades.

Dra. Larrie Laporte

Médica pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Estatística pela Universidade Salvador. Formação em pesquisa clínica pela Harvard T.H. Chan School of Public Health. Possui interesse em medicina intensiva, cuidados paliativos, bioestatística e metodologia científica.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *