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US é considerado o exame de primeira linha no diagnóstico de adenomiose

Sintomatologia variada, fisiopatologia indefinida e a falta de critérios definidos para diagnóstico são algumas das barreiras na investigação da doença

Paciente com adenomiose

A adenomiose é uma modificação benigna na região do útero, caracterizada pela invasão do endométrio no miométrio, superior a 2,5 mm de profundidade ou pelo menos um campo microscópio com grande aumento distante da camada basal do endométrio e presença de glândulas e estroma endometriais envoltos por hiperplasia e hipertrofia das células miometriais.

Fisiopatologia da adenomiose

A verdadeira incidência da adenomiose permanece desconhecida, devido à falta de padronização nos critérios diagnósticos e consenso sobre sua classificação. Embora não haja um consenso sobre a fisiopatologia da doença, existem quatro teorias que buscam esclarecer seu desenvolvimento.

Primeira:  A adenomiose surge devido a invasão direta do miométrio pelo endométrio, que ocorre pelo enfraquecimento da parede do útero, ocasionado por gestação prévia ou cirúrgica. Essas condições poderiam enfraquecer a junção mioendometrial, causando à hiperplasia reacional da camada basal do endométrio e a infiltração do miométrio. Mudanças hormonais e imunológicas locais são fatores que também poderiam contribuir no desenvolvimento da doença.

Segunda:  A adenomiose estaria relacionada a metaplasia de resquícios müllerianos, assim, justificando a existência de nódulos adenomióticos fora do útero. Ao que tudo indica, o nódulo adenomiótico não responde de maneira cíclica aos esteroides ovarianos, como o endométrio, sugerindo origem distinta do endométrio basal.

Terceira: A adenomiose ocorre pela invaginação da camada basal no sistema linfático intramiometrial, visto que a doença já foi localizada em sistemas linfáticos miometriais.

Quarta: A última teoria propõe a participação de células-tronco originadas da medula óssea, pois há estudos que indicam o envolvimento dessas células na regeneração endometrial no decorrer do ciclo menstrual.

Fatores de risco da adenomiose

A adenomiose geralmente acomete mulheres entre 40 a 50 anos, porém, pode ser identificada em mulheres mais jovens que apresentem sangramento uterino anormal e dismenorreia. Dentre os fatores de risco, podemos citar:

  • Idade entre 40 a 50 anos;
  • Menarca precoce com idade inferior a 10 anos;
  • Ciclos menstruais curtos com menos de 24 dias de intervalo;
  • Uso prévio de contraceptivos hormonais e tamoxifeno;
  • Índice de massa corporal elevado;
  • Multiparidade (mais de duas gestações);
  • Histórico de abortamento;
  • Manipulações uterinas prévias.

Diagnóstico de adenomiose com US X RM

Devido à falta de padrão em relação a sua origem e sintomatologia, a adenomiose é uma doença de difícil diagnóstico, necessitando do médico uma investigação mais acurada, exames de imagem como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética são excelentes métodos complementares no diagnóstico da doença.

O US transvaginal é considerado o exame de primeira linha, por ter maior disponibilidade e menor custo. Com o método é possível atingir sensibilidade de até 82% e especificidade de até 84%, porém, a experiência do profissional e a qualidade do aparelho podem influenciar nos resultados do exame. Somado a isso, a variedade de critérios empregados para a investigação da doença dificulta a generalização dos dados e um diagnóstico preciso.

Em contrapartida, a RM é considerada o exame de imagem mais sensível para a investigação da adenomiose e apresenta resultado semelhante ou moderadamente superior ao US transvaginal, no entanto, o método enfrenta a mesma barreira do US e não possui critérios estabelecidos para se chegar ao diagnóstico.

Referências:
  1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Adenomiose. São Paulo: FEBRASGO, 2021 (Protocolo FEBRASGO-Ginecologia, n. 77/Comissão Nacional Especializada em Endometriose).
  2. MSD, Manuals. Adenomiose uterina. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/ginecologia-e obstetrícia/doenças-ginecológicas-diversas/adenomiose-uterina. Acessado em: 20/01/2023.

2 Replies to “Adenomiose: o diferencial do US no diagnóstico”

  1. Boa tarde efetuei a colocação de um DIU com vcs
    Pois a meses estava sentindo dor e passei no médico e foi pedido uma transvaginal e uma ultrassom vaginal e constatado q o diu está fora do lugar
    Estou tentando contato com vcs a semana e não consigo preciso de ajuda
    Clínica em são Paulo

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