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Aprenda como conduzir o tratamento das disfunções sexuais masculinas

Entenda por que, como médico, você deve conhecer seu paciente como um todo, para ofertar o melhor tratamento

disfunções sexuais masculinas

Embora as disfunções sexuais sejam um problema recorrente entre os homens (1 a cada 50 homens com até 40 anos apresenta disfunção erétil, por exemplo), muitos não se sentem à vontade para conversar sobre o tema ou mesmo buscar auxílio de um profissional para ajudá-los a lidar com suas questões.

Esse cenário se deve principalmente à construção social e cultural na qual estão inseridos, em que são ensinados que a figura masculina precisa ser forte, confiante e dominante em todos os aspectos. No âmbito sexual, principalmente, é visto como algo inerente ao sexo masculino ser viril e excitar-se facilmente, o que traz uma grande pressão por um bom desempenho com suas parcerias. 

Por isso, quando se deparam com situações em que não conseguem obter ou manter uma ereção adequada, muitos homens não sabem como lidar. Neste momento é comum o desencadeamento de questionamentos sobre sua masculinidade, vergonha por ter “falhado” em um momento importante ou até mesmo o medo de fazer sexo.

Desse modo, essa série de fatores em conjunto com a falta de procura por um acompanhamento especializado impede-o de ter uma vida sexual satisfatória.

Disfunções sexuais masculinas frequentes

Dentre as disfunções sexuais masculinas frequentemente relatadas no consultório podemos citar:

  • Disfunção erétil: caracterizada pela dificuldade em obter ou manter uma ereção suficientemente rígida para a penetração ou fim da atividade sexual;
  • Transtorno do desejo sexual hipoativo: caracterizado pela ausência ou deficiência de pensamentos sexuais/eróticos ou desejo para a atividade sexual, podendo ser recorrente ou situacional.
  • Ejaculação prematura (precoce): ejaculação que ocorre com estimulação sexual mínima, podendo ocorrer antes, logo após a penetração ou antes do tempo desejado. O grau do problema pode variar entre leve, moderado ou grave, em que o indivíduo ejacula antes do início da relação ou em até 15 segundos.
  • Ejaculação retardada: se caracteriza pelo retardo, baixa frequência ou ausência de ejaculação durante a prática sexual, em que o indivíduo não deseja que haja a falta do orgasmo, levando em consideração seu objetivo, intensidade e duração.

Vale ressaltar que ao diagnosticar casos de disfunção sexual é importante que você sempre verifique com o seu paciente se o problema:

  • Sempre esteve presente durante a sua vida ou se foi adquirido;
  • Se causa sofrimento significativo;
  • É recorrente ou situacional;
  • Tem ocorrido por no mínimo 6 meses.

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Aspectos psicológicos nas disfunções sexuais masculinas

As disfunções sexuais afetam a qualidade de vida dos homens de maneiras diferentes. Porém, quando analisadas por um viés psicológico, é possível traçar algumas características comuns entre si e a partir disso compreender melhor o paciente.

Ao lidar com transtornos sexuais é comum que o problema do paciente esteja associado a:

  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Preocupação com o desempenho;
  • Baixa autoestima;
  • Ausência de conexão emocional com a parceria;
  • Dificuldades em ter ou manter um contato íntimo;
  • Dificuldades na construção da identidade masculina.

Aspectos psicológicos das disfunções sexuais masculinas pela psicanálise

Quando analisadas pelo ponto de vista da psicanálise, as disfunções sexuais ganham um significado ainda mais profundo, permitindo ao médico uma intervenção mais completa, não se restringindo apenas a medicamentos e encaminhamento para um psicólogo. Mas acolher seu problema de forma mais humanizada e despertar no paciente o sentimento de que ele pode contar com você para sanar o problema.

Desse modo, a psicanálise enxerga os aspectos psicológicos das disfunções sexuais da seguinte maneira:

Disfunção erétil e desejo hipoativo

  • Falta de identificação com a figura paterna, muitas vezes, autoritária ou ausente;
  • Dificuldades na construção da identidade masculina;
  • O afastamento da figura da mãe para se identificar com a do pai, que pode ser um desafio para muitos meninos;
  • Nas relações amorosas, o indivíduo pode enxergar a parceira como uma figura materna;
  • Forte angústia de castração;
  • Experiências da infância seguidas de humilhação;
  • As correntes afetivas e eróticas não se encontram em um mesmo objeto amoroso

Ejaculação prematura (precoce)

  • Falta de consciência das sensações que antecedem o orgasmo;
  • Dificuldades de ordem narcísica, enxergando a parceira como uma extensão de si mesmo;
  • Relação de dependência com a figura materna;
  • Medo de ser tragado pela figura feminina na relação sexual;
  • Ausência de vínculos significativos e relações de confiança;
  • Dificuldades com relações de intimidade.

Ejaculação retardada

  • Sentimentos hostis em relação a figura feminina;
  • Medo da castração: medo de que o pênis seja arrancado ou ferido pela vagina;
  • Medo de ferir a mulher, sendo uma forma de defesa contra o medo da castração e o pênis como sendo uma arma perigosa;
  • Medo da perda do controle, em que o homem não deve mostrar emoções e deve estar sempre no controle;
  • Medo da perda do esperma que representa sua vitalidade e pode ser enfraquecida através da ejaculação;
  • Impulsos parafílicos: fortes estímulos ou fantasias parafílicas.

O que a psicanálise pode nos ensinar no manejo das disfunções sexuais?

O maior aprendizado que a psicanálise pode fornecer ao especialista é a adoção de uma visão holística do seu paciente, pois quando se deixa de enxergar isoladamente apenas os sintomas fisiológicos do problema e passa a enxergar aquele indivíduo num todo, possibilita ao médico lidar com essa pessoa de maneira empática e verdadeiramente acolhedora e tornar sua jornada de volta à uma vida sexual saudável e satisfatória muito mais fácil.

LEIA MAIS: História da sexualidade: como esse contexto nos afeta até hoje?

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Estima-se que aproximadamente 50% dos adultos desenvolvem algum tipo de disfunção sexual durante as suas vidas. E para lidar com questões relacionadas à sexualidade humana, é preciso ir além de avaliar a saúde física do paciente. Por isso, temos uma Pós-Graduação focada em Sexualidade Humana, que irá torná-lo apto a:

  • Lidar com toda a gama de possibilidades em torno da queixa, incluindo treinamento em mindfulness, terapia cognitivo comportamental, laserterapia, fisioterapia do assoalho pélvico, entre outros aspectos relevantes na sexologia;
  • Realizar avaliações psíquicas e sociais dos pacientes envolvidos nestas questões;
  • Aplicar técnicas de psicoterapia, meditação e exercícios sexuais.

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Referências:

LIDÓRIO, Ariciene Araújo & TATAREN, Júlia Cunha. Disfunções sexuais masculinas. Londrina, PR. Univ. Estadual de Londrina: Centro de Ciências Biológicas.

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