Revise as principais posições cirúrgicas e procedimentais em que o seu paciente pode ser colocado a fim de promover uma melhor abordagem. Boa leitura!
As posições cirúrgicas são fundamentais tanto para garantir que o paciente esteja confortável e seguro durante a cirurgia, quanto para que o procedimento possa ser realizado de maneira eficiente e segura pelo cirurgião.
Procedimentos cirúrgicos são processos complexos e que requerem muita atenção e cuidado por parte da equipe médica envolvida e uma das etapas mais cruciais é a disposição do paciente em uma posição adequada para a realização da operação.
Neste guia, vamos abordar as principais posições cirúrgicas, quais são suas finalidades e também vamos discutir os cuidados e precauções necessários para garantir a segurança e o conforto do paciente.
O que são posições cirúrgicas?
As posições cirúrgicas que os pacientes devem assumir durante um procedimento são cruciais para uma melhor abordagem no procedimento e para sua recuperação.
Isso acontece porque uma vez anestesiado, a pessoa não terá controle de sua posição ou grau de conforto, portanto, é responsabilidade do cirurgião garantir que ela esteja confortável e em uma posição adequada. Posições inadequadas podem levar a dores nas articulações e músculos, o que só será percebido durante a recuperação.
Todos esses fatores podem ser responsáveis por atrasar a recuperação, juntamente com o surgimento de dores causadas pelas incisões cirúrgicas. Portanto, é importante que toda a equipe cirúrgica esteja atenta desde o início do procedimento, não apenas o cirurgião.
O anestesiologista é especialmente importante no monitoramento nesse momento, observando sinais vitais, o tamanho das pupilas, a cor dos lóbulos da orelhas, dos lábios e das unhas para garantir a segurança e tranquilidade do paciente e da equipe cirúrgica.
Existem diversas posições disponíveis, cada uma com suas finalidades específicas. Dentre as principais, podemos citar a posição de Trendelenburg, prona, a supina, a lateral, a sentada e a posição litotômica ou ginecológica.

Trendelenburg: indicações e benefícios
A posição de Trendelenburg é uma posição cirúrgica em que o paciente é colocado em uma mesa inclinada com a cabeça em um nível mais baixo que o restante do corpo.
As indicações para a posição de Trendelenburg ou conhecida como “Tren”, são geralmente:
- Cirurgia abdominal, especialmente cirurgias de cólon, bexiga e órgãos pélvicos;
- Cirurgia ginecológica, como em histerectomias e procedimentos para tratar doenças pélvicas;
- Laparoscopias;
- Intervenções vasculares.
Quanto às cirurgias abdominais, ginecológicas e laparoscópicas, o princípio de benefício do Tren é o mesmo: expor o sítio cirúrgico, afastando os órgãos abdominais e permitindo uma melhor visualização e introdução de instrumentais cirúrgicos.
Com relação às intervenções vasculares, o benefício dessa posição baseia-se em ajudar na circulação sanguínea durante a cirurgia, especialmente em casos de cirurgia vascular abdominal.

A posição de Trendelenburg reversa, também conhecida como posição Trendelenburg invertida, é uma variação da posição tradicional. Diferente da posição clássica, onde a cabeça do paciente fica mais baixa que os pés, na posição reversa, os pés ficarão inclinados acima da cabeça.
Ela pode ser usada em algumas situações clínicas para melhorar a perfusão cerebral. Essa posição pode ser útil em pacientes que estão em choque ou em casos de hipotensão grave. A posição pode aumentar a pressão arterial sistêmica e, assim, melhorar a perfusão cerebral.
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Posição supina
A posição supina é aquela em que o paciente fica deitado de costas sobre a mesa de cirurgia. Ela geralmente é utilizada em cirurgias que exigem incisões na cavidade abdominal para explorar, reparar ou investigar.
Para garantir um posicionamento anatômico adequado, os braços e pernas devem ser suavemente afastados do corpo, mantendo-o alinhado. Além disso, é importante evitar que as pernas estejam flexionadas ou cruzadas durante a cirurgia.
Essa posição oferece ao anestesiologista as melhores condições para monitorar o paciente durante esses tipos de procedimentos. Em algumas cirurgias, em que é necessário acesso à região onde se encontram o fígado, estômago e baço, a equipe pode usar uma almofada inflável ou panos de campo estéreis para elevar a região e facilitar a intervenção do cirurgião.

No entanto, é preciso ter cautela ao utilizar essa técnica em cirurgias mais extensas, avaliando a complexidade do procedimento e possíveis impactos na saúde do paciente. Pacientes idosos podem sentir dores na região lombossacral se ficarem em posição elevada por muito tempo.
Além disso, se o paciente tiver qualquer comprometimento na coluna, como uma hérnia de disco, por exemplo, é fundamental avaliar a viabilidade da posição, pois o desconforto pode afetar sua recuperação pós-cirúrgica.
Posição prona
A posição prona é indicada para pacientes que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos na região das costas.
No entanto, antes da cirurgia, todo o processo é realizado na posição supina. Após a estabilização anestésica e a autorização do anestesiologista, o paciente é colocado na posição prona com cuidado para não comprometer o seu bem-estar.
Essa posição requer um cuidado especial com as funções respiratórias do paciente, sendo comum a utilização de almofadas ou panos cirúrgicos estéreis enrolados logo abaixo das axilas do paciente e ao lado de seu tórax. A equipe deve utilizar braçadeiras almofadadas para posicionar os braços do paciente para fora, com as palmas das mãos voltadas para baixo.
A cabeça do paciente deve ser apoiada em um travesseiro firme, voltada para fora e em uma altura que normalize a coluna vertebral. Da mesma forma, os pés devem estar em uma altura que normalize a coluna, evitando que o peso do corpo fique localizado nos dedos dos pés ou no dorso dos pés.

Para mulheres, essa posição pode reduzir a pressão sobre as mamas, diminuindo o desconforto durante o procedimento cirúrgico. Porém, é importante que se realize todo o processo com cuidado para preservar a saúde e o bem-estar do paciente.
Posição lateral
A posição lateral recomenda-se para cirurgias envolvendo os rins, pulmões ou intervenções ortopédicas nos quadris. Assim como na posição prona, o anestesiologista deve autorizar o posicionamento lateral após acomodar e estabilizar o paciente na posição supina.
Para garantir o conforto do paciente na posição lateral, utiliza-se almofadas firmes e fitas de esparadrapo ou bandagens para estabilização, tomando-se cuidado para evitar danos à pele.
Para acomodar adequadamente o paciente, flexiona-se a perna inferior e coloca-se um travesseiro fino entre os joelhos para maior conforto e fluxo sanguíneo na região lombar.
Os braços apoiam-se em uma plataforma na mesa cirúrgica para abrir as axilas e expor a parte das costas do paciente, protegendo a região dos braços com faixas para evitar desconforto.
Posição de decúbito lateral e de Sims
A posição de Sims é uma posição específica em que coloca-se o paciente lateralmente. É a posição ideal para alguns procedimentos, como a inserção de sonda retal e toque retal para exame de próstata, por exemplo. Ela oferece uma exposição adequada da área genital, tornando o processo de exame ou procedimento mais preciso.
Coloca-se o paciente deitado de lado, geralmente com o lado esquerdo do corpo em contato com a mesa ou maca. Flexiona-se o joelho esquerdo, enquanto mantém-se o joelho direito estendido. O tronco do paciente é levemente inclinado para a frente.

Posição sentada
A posição sentada é frequentemente utilizada em cirurgias neurológicas, bem como em cirurgias de reconstrução mamária e abdominal.
Embora possa parecer desconfortável, a equipe médica pode garantir que o paciente tenha um pós-operatório sem desconforto relacionado à má postura durante a cirurgia.
Para adotar a posição sentada em um procedimento cirúrgico, deve preparar e estabilizar o paciente na posição correta. Por esse motivo, é fundamental saber ajustar a maca corretamente, considerando quais são os ângulos mais ergonômicos para o paciente.
Na posição sentada, os seguintes cuidados devem ser tomados, mantendo:
- Região do dorso em contato com a mesa;
- Cabeça apoiada em um suporte adequado;
- Costas formando um ângulo de 90 graus com as coxas e as pernas elevadas com os joelhos na altura dos cotovelos.
Lembrando que os pés também devem ter um apoio firme para evitar que fiquem pendurados.

Posição litotômica ou ginecológica
Por fim, utilizam-se as posições litotômica ou ginecológica, ou sobre cotovelos e joelhos, em cirurgias proctológicas, urológicas e ginecológicas, após a anestesia do paciente em posição supina.
Essas posições fornecem acesso fácil aos órgãos pélvicos e genitais, facilitando intervenções cirúrgicas, exames ginecológicos e partos.
Coloca-se o paciente em decúbito dorsal na mesa cirúrgica, com as nádegas posicionadas na borda da mesa. Flexionam-se as pernas do paciente nos quadris e joelhos, de modo que as coxas fiquem aproximadamente em um ângulo de 90 graus em relação ao tronco. As pernas ficarão elevadas e fixas em suportes especializados chamados estribos ou apoios para as pernas. Ajustam-se os estribos para manter as pernas na posição correta.

Essa posição oferece acesso desobstruído à região genital, tornando-a ideal para cirurgias ginecológicas, como histerectomias, cirurgias de ovário, cirurgias de endometriose, partos por cesariana e outros procedimentos relacionados à pelve e órgãos genitais femininos.
É crucial posicionar o paicente com cuidado para evitar lesões, como lesões nervosas, e que as pernas estejam bem apoiadas nos estribos para minimizar a tensão nos quadris e joelhos.
Por isso, durante procedimentos cirúrgicos realizados na posição litotômica, é importante monitorar continuamente a posição do paciente, garantindo que não haja pressão excessiva em áreas vulneráveis, como os calcanhares.

Posições cirúrgicas: existe uma ideal?
Não há uma posição cirúrgica única ou ideal para todos os pacientes e procedimentos. A equipe cirúrgica define a posição do paciente com base na natureza da cirurgia, na condição clínica do paciente, na experiência do cirurgião e na preferência da equipe.
Os médicos selecionam cada posição cirúrgica com base em diversos fatores, como a localização da incisão, o acesso à área de interesse e o conforto do paciente, considerando suas vantagens e desvantagens.
Além disso, é importante garantir a manutenção de uma boa via aérea, a prevenção de lesões neurológicas, a prevenção de úlceras de pressão, a prevenção de trombose venosa profunda e outras considerações específicas da cirurgia.
Portanto, a escolha da posição cirúrgica adequada é uma decisão baseada pela equipe cirúrgica após uma avaliação cuidadosa do paciente e dos detalhes da cirurgia.
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Como aprimorar os conhecimentos em posições cirúrgicas e suas aplicações?
Dessa forma, fica evidente a importância de buscar continuar se capacitando para saber como preparar adequadamente o paciente para a cirurgia.
É essencial dominar as técnicas e práticas que envolvem o posicionamento do paciente, a fim de garantir um pós-operatório mais tranquilo e uma recuperação mais rápida.
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Referências
- Cirurgia: Classificação/ Períodos/ Posições / Terminologia / Equipe cirúrgica. Instrumental e fios cirúrgicos. Profª Drª Rosemeire Sartori de Albuquerque. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO.








