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Ultrassonografia do Hepatocarcinoma

Entenda como o câncer hepático mais comum deve ser avaliado

Incidência

O hepatocarcinoma é a neoplasia maligna primária mais comum do fígado. Apresentam alta incidência (150 casos/1000.000 habitantes) na África e no Sudeste da Ásia, sendo mais diagnosticados na 3a ou 4a décadas de vida.

O Brasil, apresenta um padrão intermediário ou baixo de incidência em cada estado, dependendo da prevalência do virus das hepatites nas diferentes regiões.

Fatores de risco

O principal  fator de risco para os hepatocarcinomas, é a presença de cirrose de qualquer etiologia incluindo:
– Infecção pelos vírus da Hepatite C;
– Infecção pelos vírus da Hepatite B;
– Álcool;
– Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).

Porém, a simples presença de hepatite C ou DHGNA, torna-se uma condição que eleva as chances de ter a doença.

Clínica e Laboratório

Os sintomas são evidenciados apenas nos estágios avançados, e inclui dor em quadrante superior direito do abdome, perda de peso e distensão abdominal se houver ascite.

Os hepatocarcinomas eventualmente, se associam a uma elevação nos níveis séricos de alfafetoproteína (AFP), sendo esta considerada um marcador desse tumor.

No entanto, a AFP tem baixa sensibilidade, podendo estar aumentada pela presença da cirrose ou vírus da hepatite C ou B. Quando acima de 400 nd/dl ou aumento progressivo, tem maior especificidade.

O rastreio de hepatocarcinoma em pacientes de risco é realizado com ultrassonografia e alfafetoproteína a cada 6 meses.

Então, como se apresentam os hepatocarcinomas a ultrassonografia?

Os aspectos ultrassonográficos dos nódulos de hepatocarcinoma são variáveis de acordo com o tamanho da lesão.

Lesões menores, tendem a ser homogêneas e hipoecogênicos. Já as lesões maiores, pela ocorrência de necrose, isquemia, fibrose, deposição de gordura e cálcio, podem ser apresentadas mais heterogêneas e ecogênicos.

Seguem listados abaixo, os aspectos ultrassonográficos típicos:

1)Lesões pequenas (< 3 cm) [Figura 1]:

            -Hipoecogênicos;

            -Homogêneas;

            -Halo fino hipoecogênico;

-Doppler evidencia vascularização central e periférica, mas quando muito pequenos, podem ainda não apresentar vasos arteriais no interior.

2)Lesões maiores (> 3 cm) [Figura 2]:

            -Ecogênicos;

            -Heterogêneas: necrose e fibrose;

-Doppler evidencia vascularização central e periférica;

            -Trombos no sistema portal.

Uma observação importante é a de que nem todos os nódulos de hepatocarcinoma aparecerão com as suas características típicas. Um exemplo, são os pequenos nódulos de hepatocarcinoma que apresentam deposição de gordura, se tornando desta forma ecogênicos e gerando uma dificuldade na diferenciação com os hemangiomas hepáticos.

Quando atingem diâmetros maiores de 5 cm ou são infiltrativos, os hepatocarcinomas apresentam uma alta propensão a invasão vascular. Em 30% a 60% dos casos, podemos identificar trombos tumorais no tronco porta ou em seus ramos.

Em 4% a 6% os trombos são encontrados em veias hepáticas ou na veia cava inferior. Os trombos apresentam uma característica interessante: são semelhantes ao tumor original, ou seja, apresentam vasos arteriais em seu interior ao Doppler.

Contraste com microbolhas: elevando sua acurácia

Uso de contrastes ultrassonográficos com microbolhas podem ajudar na detecção e no diagnóstico final dessas lesões.

Hepatocarcinomas comumente apresentam rápido enchimento (wash in) na fase arterial, o que tornam essas lesões ecogênicos nessa fase. Essa etapa é seguida de rápido wash out, o que tornam essas lesões hipoecogênicos em relação ao fígado, adjacente na fase portal ou tardia do contraste. O clareamento (lesão que se torna menos ecogênico) durante a fase Portal, tem um valor preditivo positivo de 91% para malignidade.

Diagnóstico definitivo

Tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética contrastadas, são recomendadas na continuação da investigação destes nódulos e farão o diagnóstico definitivo sem a necessidade de biópsia da lesão quando apresentam o padrão característico acima referido.

Referências:

1. Rumack, Carol M. Tratado de ultrassonografia diagnóstica. Guanabara Koogan; Edição: Com Pin (3 de abril de 2012).

2. Cerri, Giovanni G. Ultrassonografia Abdominal: Série Ultra-Sonografia. Thieme Revinter; Edição: 2 (6 de abril de 2015).

3. EASL Clinical Practice Guidelines: Management of hepatocellular carcinoma Journal of Hepatology 2018 vol. 69 j 182–236

Dr. Gabriel Azevedo

Médico ultrassonografista;
Titulado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Habilitado pela Sociedade Brasileira de Ultrassonografia

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