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76% dos brasileiros têm ao menos uma queixa relacionada ao sono, mas faltam profissionais para atende-los

Acesso ao diagnóstico também é difícil, já que os laboratórios do sono estão concentrados na região Sudeste

Distúrbios do sono: mulher com problemas para dormir
Insônia é um problema muito comum na população, assim como outros distúrbios do sono

Dormir bem deveria ser um direito, mas hoje é considerado um privilégio. É cada vez mais comum ouvir queixas de pacientes com alterações do sono independente da área de atuação médica.  Noites mal dormidas sabidamente estão relacionadas à diversos problemas de saúde como a dificuldade em perder peso, doenças cardiovasculares (como AVC e infarto) e até o diabetes.

Mas a abordagem dos distúrbios do sono vai muito além do que a simples recomendação de mudança dos hábitos de vida. De acordo com estudo conduzido por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em 2017, 76% dos brasileiros tem ao menos uma queixa relacionada ao sono.

Já um estudo de 2019, encomendado pela Royal Philips, mostrou que 36% dos brasileiros reclamam de insônia. A pesquisa envolveu pessoas de 12 países e 44% dos entrevistados acreditam que seu sono piorou nos último 5 anos. Ou seja, estamos diante de um grave problema que vem se agravando dia após dia.

Acesso ao diagnóstico ainda é difícil no Brasil

Quando pensamos no diagnóstico dos distúrbios do sono, o exame referência é a polissonografia, estudo complexo que envolve diversos parâmetros:

  • Eletroencefalograma (EEG);
  • Eletro-oculograma (EOG);
  • Eletromiograma (EMG);
  • Sensor de fluxo;
  • Cinta de esforço respiratório;
  • Oximetria do pulso;
  • Sensor de posição;
  • Eletrocardiograma (ECG).

O grande problema é que os polissonígrafos não estão facilmente disponíveis. O SUS não tem nenhum equipamento registrado, o que indica que seus aparelhos devem ser alugados ou os exames são feitos em clínicas parceiras. No entanto, sabemos que em São Paulo, a cidade com mais laboratórios de sono, o SUS realiza menos de 10 polissonografias por semana, explica o pneumologista Dr. Pedro Genta, coordenador da Pós-Graduação em Medicina do Sono do Cetrus.

Falando nisso, só existem 37 laboratórios do sono credenciados na Associação Brasileira do Sono (ABSono), que estão distribuídos de forma bastante desigual no país:

  • 21 estão na Região Sudeste (14 só em São Paulo)
  • 9 na Região Sul
  • 5 na Região Centro-Oeste
  • 2 na Região Nordeste
  • 0 na Região Norte
E agora? Como resolver essa desigualdade?

Dr. Genta ressalta que há uma tendência mundial de usar a poligrafia – também conhecida como polissonografia tipo 3 – exame simplificado, com menos parâmetros, em que o paciente leva o aparelho para casa. “O que traz muito mais conforto para eles como também maior agilidade não só na realização do diagnóstico como na implementação do tratamento”, pondera o especialista.

Um ensaio clínico randomizado e de não-inferioridade conduzido por pesquisadores espanhóis avaliou o uso desses dois métodos em pacientes com apneia obstrutiva do sono. A conclusão foi que poligrafia respiratória domiciliar é igualmente eficaz à polissonografia, com custo substancialmente inferior (cerca de €$ 416,70 a menos, o que equivale a mais de R$ 2.700,00).

O aparelho de uso simplificado é portátil, de menor custo, o que facilita com que o próprio médico tenha seu equipamento

Pedro Genta, coordenador da Pós-Graduação em Medicina do Sono do Cetrus

Aliando teoria e prática

A Pós-Graduação em Medicina do Sono do Cetrus está um passo à frente, justamente por incluir a prática de exames com o polígrafo em seu programa, permitindo que os alunos já tenham uma experiência para orientar os pacientes sobre seu uso e posteriormente interpretar e laudar os resultados, conseguindo também avaliar e tratar melhor os casos conforme estes achados.

Além disso, os alunos de nosso curso terão a oportunidade de conduzir pacientes para o uso de CPAP, um dos principais tratamentos para a apneia obstrutiva do sono; aplicar a terapia cognitivo-comportamental em pacientes com insônia, permitindo que eles corrijam o problema com menos quantidade de medicamentos; e atenderão uma ampla gama de pacientes com problemas de sono reais, tendo uma vivência prática importante e acompanhada de perto por nossos professores e monitores, altamente capacitados nesses métodos.

A teoria do curso também englobará diversos aspectos relacionados ao sono como a fisiologia do sono, distúrbios respiratórios, privação de sono, jet lag, hipersonias e parassonias entre outros.

3 Replies to “Distúrbios do sono: faltam profissionais para tratá-los”

  1. Pena que os governantes em plena pandemia que conecou a um ano e meio e Não tem nenhuma preocupação com a população Gastão o tem lá roubando e depois eles matamos se julgando a si próprio e depois comem pizza de camarão e o povinho escravo do sistema que morram por isso que eu tenho o diagnóstico pra isso era dízima toda esta geração inclusive eu pois aqui é um câncer interno Abel não tem geito

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